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  Geral

Em um ano, 70 pessoas desapareceram misteriosamente em Petrópolis

Daniela Curioni - especial para o Diário

Muitas pessoas enfrentam o drama que é tentar encontrar familiares desaparecidos. A incerteza sobre o paradeiro de um ente querido ou a falta de notícias pode ser uma das maiores dores de uma família.

Em Petrópolis, dados do Instituto de Segurança Pública mostram que entre junho de 2017 e junho de 2018 foram registrados 70 casos de pessoas desaparecidas na cidade.  Somente no primeiro semestre deste ano, 35 pessoas desapareceram na cidade imperial. Número superior se comparado com o mesmo período do ano passado, quando 28 pessoas desapareceram.

No Brasil, cerca de 200 pessoas desaparecem todos os dias, o que significa, que oito pessoas desaparecem por hora no país,dessas, 40 mil são crianças e adolescentes, aponta uma pesquisa encomendada pela Cruz Vermelha para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.No entanto, esses números não correspondem a realidade, já que o levantamento de 2016 não contabilizou dados de alguns estados.A dificuldade para fechar um número acontece porque não existe um cadastro unificado.

Legislação

A Lei nº 11.259/2005, também conhecida com "Lei da Busca Imediata", determina a investigação policial imediata em casos de desaparecimento de crianças e adolescentes.  De acordo com o texto da Lei, não é necessário esperar 24 horas para registrar o desaparecimento. Procure imediatamente a delegacia de Polícia Civil mais próxima a sua residência para registrar a ocorrência do desaparecimento.

Investigador explica como agir:

O investigador Haroldo Peçanha, responsável pelo setor de desaparecidos da 105ª DP de Petrópolis, explica que na hora da pessoa  fazer o boletim de ocorrência, é  importante que os familiares levem uma foto recente do desaparecido.

- Na hora do registro na delegacia é muito importante ter uma foto recente da pessoa desaparecida. Se for menor de idade, nós acionamos o Conselho Tutelar imediatamente. Também ouvimos todos os familiares que residem junto a pessoa. Imediatamente, as informações são enviadas para a Delegacia de Descoberta de Paradeiros do Estado do Rio de Janeiro, que fica na Cidade da Polícia, em Benfica. Também é realizada uma busca nos sistemas da polícia para verificar se a pessoa desaparecida deu entrada em alguma delegacia do estado - explicou o investigador.

Haroldo ressalta que existem várias causas para o desaparecimento de pessoas, e em alguns casos a pessoa desaparecida retorna para a casa sozinha.

- É importante que a família informe a Delegacia sobre o aparecimento da pessoa, para que a baixa da ocorrência seja feita.

Vivendo com a ausência, a incerteza e a dor

A esperança de reencontrar o filho desaparecido desde 10 de dezembro de 2017, ajuda Helena Custódio dos Santos, suportar todos os dias a angústia da falta de notícias.

- Faz oito meses hoje (10) e até agora, não tenho noticias dele. Por volta das 18h, ele me pediu R$10, disse que ia na Praça D. Pedro, com o amigo Nicolas Oliveira, que também está desaparecido. Eu perguntei se ele ia voltar tarde, ele disse que até 23h estaria em casa. Nunca mais vi meu filho - lamenta a mãe do menor desaparecido, Daniel Kenedy dos Santos.

Segundo relatos da mãe de Daniel, o filho tinha 16 anos quando desapareceu, e fez 17 anos no dia 17 de fevereiro. O boletim de ocorrência foi registrado na 105ª DP do Retiro, no dia 15 de dezembro. Helena conta que procurou pelo filho em hospitais e IMLs.

-Eu continuo indo frequentemente nas delegacias na cidade em busca de noticias do meu filho. Nunca desisti e nunca vou desistir de saber o que houve com ele.  Eu já fui a todos os lugares possíveis, mas é muito difícil, não sei muito bem onde ir e como agir. Essa angustia de não ter noticias sobre o que aconteceu me atormenta todos os dias. Ele estava sem celular, mas estava com os documentos, nunca deixei ele sair sem documentos. Ele tinha uma tatuagem no braço direito com o meu nome - contou a mãe.

Tecnologia como aliada

Hoje, na era da informação eletrônica, alguns recursos podem facilitar a tentativa de encontrar familiares desaparecidos. Muitos sites da internet surgiram com o objetivo de reunir informações sobre pessoas que estão sumidas e podem ser a melhor chance de encontrar familiares desaparecidos já que de forma virtual, as informações podem ser divulgadas por todo o país e até no exterior, aumentando as possibilidades de sucesso.

Acompanhamento psicológico

Para a psicóloga Thais Santos, especialista em família, ter um parente desaparecido é viver um luto inacabado. Essa situação é um dos processos mais difíceis que uma pessoa pode enfrentar na vida.

- Quando uma pessoa morre, conseguimos dar um fim na história que foi vivida em conjunto. Existe um lugar para ela na linha do tempo de nossa história. Por mais que a morte seja dolorosa, existe um significado e um período para superar. Já para o desaparecimento, o parente não consegue dar um fim na história. A relação fica sem sentido. São sempre perguntas que a pessoa tem para fazer e não há respostas. É algo que atormenta todos os dias e momentos. A repostas é fundamental para conseguir levar a vida adiante - diz Angelita.

De acordo com a psicóloga, o tratamento de familiares nesses casos é um dos maiores desafios da profissão.



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