Posted on 21 maio 2012.
Marcelle Colbert/Imprensa RJ – Foto – Salvador Scofano
Projeto do Hospital Carlos Chagas baterá recorde este ano com 500 cirurgias realizadas
Em funcionamento há um ano e cinco meses, o Programa de Cirurgia Bariátrica do Governo do Estado superou no mês de maio a meta de 300 pacientes atendidos, que era prevista para o fim do ano. Até o momento, 314 pessoas foram beneficiadas, recuperaram sua autoestima e ganharam em qualidade de vida. Até dezembro, o projeto do Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, deve atender 500 pessoas com obesidade mórbida, como o técnico de radiologia Márcio Menezes, que perdeu 80 quilos e teve sua vida transformada pela cirurgia
- Hoje, um ano depois da minha operação, sou outra pessoa. Consigo fazer pequenas coisas que fazem muita diferença no meu dia a dia, como colocar um tênis ou subir uma escada. O resultado foi muito satisfatório. Se me perguntarem se eu iria preferir ganhar na loteria ou fazer a cirurgia de redução do estômago, escolheria a operação, a minha saúde – disse Márcio, de 38 anos e atuais 73 quilos.
O programa é o primeiro do Rio de Janeiro a oferecer cirurgias por videolaparoscopia, intervenção que reduz o tempo de operação em cerca de uma hora e diminui a incidência de complicações pós-operatórias. Com o uso da nova técnica – feita através de pequenos furos, nos quais são introduzidas uma microcâmera e micropinças – a recuperação dos pacientes leva em média dois dias.
No Hospital Carlos Chagas – que conta com uma moderna enfermaria, leitos especiais no Centro de Terapia Intensiva (CTI) e um tomógrafo computadorizado para obesos – são realizadas de 20 a 30 cirurgias por mês. Os pacientes também realizam consultas antes e depois das cirurgias com uma equipe multidisciplinar formada por vinte profissionais, entre eles cirurgião, nutrólogo, endocrinologista, nutricionista e fisioterapeuta.
- O programa atende a mais de 600 pessoas, incluindo moradores de 72 dos 92 municípios fluminenses. Já operamos obesos de 56 cidades. Até julho, vamos lançar um projeto itinerante, que percorrerá todo o estado para orientar os profissionais da rede municipal de saúde sobre o tratamento para pós e pré-operatório da cirurgia bariátrica – afirmou o cirurgião Cid Araújo Pitombo, coordenador do Programa de Cirurgia Bariátrica.
Qualidade de vida e auto-estima de volta
Poucas horas após a cirurgia de redução de estômago, o estudante Ricardo Mesquita , de 23 anos, já fazia planos para sua nova vida. Para vencer a luta contra a balança, Ricardo procurou o Programa de Cirurgia Bariátrica da Secretaria de Saúde em busca de um tratamento eficaz para sair dos 173 quilos em pouco tempo.
- Sempre fui gordinho e nunca imaginei que pudesse fazer uma cirurgia de redução do estômago na rede pública. Na rede privada, uma cirurgia desse tipo custa muito caro. Poucas horas depois da minha operação, já me sento bem, e sei que vou mudar a minha vida radicalmente em alguns meses. Estou ansioso – contou.
Para voltar a ter uma vida saudável, a dona de casa Sandra da Silva decidiu se inscrever no projeto. Moradora do município de Paraíba do Sul, Sandra começou seu tratamento pré-operatório esta semana para, segundo ela, voltar a viver.
- É muito difícil ser obesa. Passo por muitas situações tristes. Minha saúde é a mais comprometida: sinto muitas dores nos joelhos e tenho pressão alta. Quando descobri o programa, não pensei duas vezes e procurei ajuda – disse Sandra.
Como participar do programa
Para fazer a cirurgia de redução de estômago, os pacientes não precisam ficar em fila de espera. O processo é simples: o interessado deve procurar o atendimento ambulatorial para que um médico faça a primeira avaliação. Se a operação for indicada, um segundo teste é solicitado para a Central de Regulação de Cirurgia Bariátrica do Estado, que encaminha o pedido online. Em seguida, o paciente é contatado e tem uma consulta de avaliação marcada.