Posted on 14 maio 2012.
Ascom/Foto – Foto – Divulgação —
Comissão de Segurança Pública toma como exemplo a baixa da PM em Petrópolis e vai fiscalizar todos os municípios do interior
A Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) tomou como base a baixa do efetivo da Polícia Militar de Petrópolis discutida nesta segunda-feira (14), no plenário da Câmara de Vereadores em audiência pública e vai pedir à Secretaria estadual de Segurança Pública o planejamento de como se dará o aumento da força policial em todos os batalhões e delegacias do Estado do Rio para os próximos meses. A perda de 194 PMs ao longo de 10 anos em Petrópolis motivou a realização da audiência a pedido do deputado Marcus Vinícius (PTB) e foi presidida pelo deputado Zaqueu Teixeira (PT) à frente da Comissão de Segurança Pública da Alerj.
- Queremos um quadro atual do efetivo de todos os batalhões do Estado e a previsão de como a deficiência de PMs será suprida nos próximos meses. O assunto foi levantado por Petrópolis, mas vai servir de exemplo para todos os municípios fluminenses”, anunciou Zaqueu Teixeira.
Para Marcus Vinícius, a importância histórica e cultural da cidade com 1,2 milhões de turistas ao ano tem de embasar também o quantitativo da força policial no município. “Não queremos que a cidade viva momentos como Niterói tem passado nas últimas semanas. Nossa proposta é
preventiva. Os índices estão dentro do que a polícia considera como ‘normais’, mas podem baixar”, aponta.
- O que acontece em Petrópolis repercute internacionalmente”, frisa Zaqueu Teixeira. “Melhorar a imagem do Estado do Rio em Segurança Pública passa, obrigatoriamente, pela Cidade Imperial”, completa Marcus Vinícius.
Roberto Sá, subsecretário de Planejamento e Integração Social da Secretaria de Segurança Pública, representou o secretário Mariano Beltrame na reunião e garantiu que as Unidades Pacificadoras de Polícia (UPPs) implantadas na capital não retiram policiais das ruas, nem do interior do Estado. “O perfil para as UPPs é de recém formados”, afirmou. Ele admitiu, no entanto, a redução dos quadros por aposentadorias e mudança de profissão. “Em 2007, a tropa em atividade era de 37.950 policiais. A meta é chegar ao final do ano com 24% a
mais do que há cinco anos”.
Para o deputado Marcus Vinícius, a quantidade de delitos pode ser
medida pelos números do Disque-Denúncia ( 0300 253 1177 ) implantado há 11 meses em Petrópolis. O índice que era de 80 casos por ano passou para 1.800. “É preciso efetivo da PM, principalmente, para atender essa demanda. Para estar nas ruas verificando as denúncias”, apontou. Um dos representantes da sociedade civil na reunião, Sérgio Mattos,
coordenador do Conselho Comunitário de Segurança, defendeu o maior
efetivo da PM e fez um paralelo entre a produtividade da polícia na apreensão de drogas e as denúncias feitas pelo Disque-Denúncia. “Ainda temos problemas graves e localizados em áreas como Carangola, Morro da Glória, 24 de Maio e Independência”.
Ruben Peixoto, comandante do 26o Batalhão da PM, que assumiu o cargo a apenas 18 dias, disse que sua meta é permanecer na cidade por pelo menos dois anos, respeitadas as decisões superiores. A alta rotatividade nos comandos policiais, em especial a PM, que teve cinco
responsáveis em pouco mais de dois anos, foi um dos problemas levantados na audiência. Ruben Peixoto mostrou números recentes como 80 motos apreendidas em 15 dias e os 55 pontos fixos e os chamados de interceptação que a Polícia Militar vem mantendo na cidade. Ele admitiu, no entanto, que dos 52 PMs recentemente formados pelo 26o BPM que funciona como Batalhão-Escola, apenas seis permaneceram na cidade.
Já o coronel James de Barros, à frente do 7o Comando de Área (CPA) defendeu o maior aparelhamento da PM. “Em 2007, era 3 viaturas. Hoje, são 33 para 406 homens lotados no 26o BPM”, mostrou. Marcelo Ambrósio e Antônio Carlos de Almeida Rocha, titulares da 105a
e 106a Delegacias de Polícia, respectivamente, também estiveram presentes e comentaram sobre o efetivo da Polícia Civil. Ambrósio falou da expectativa do concurso público, já em andamento, para inspetores num total de 600 vagas e outro, que será aberto, oferecendo 100 vagas para delegados. “Sem reposição policial ninguém faz milagre”, disse, referindo-se à baixa na quantidade de homens também no policiamento civil.
Também participaram da audiência pública João Gomes, superintendente de Economia e Pesquisa da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio); Edna Araújo, coordenadora dos Conselhos Comunitários de Segurança do Instituto de Segrança Pública (ISP) e Rafael Cavalcante, coordenador do Disque-Denúncia.
Deputados querem saber como será a distribuição de PMs pelo Estado
Até o final do ano, o efetivo da Polícia Militar será de 47 mil homens com a previsão de chegar a 2014 com 60 mil PMs nas ruas. “Quantos vem para Petrópolis e como será sua atuação? A Secretaria de Segurança Pública trabalha com planejamento a médio e longo prazos e tem como
nos dar essa previsão. O que não pode é a cidade perder 200 postos em 10 anos. O aparelhamento da polícia e a inteligência das operações está mantendo índices estáveis, mas a população quer a presença física da polícia nas ruas”, considera Marcus Vinícius.
Na manhã da audiência pública a PM fez uma operação quando prendeu um casal na Serra Velha da Estrela com 800 cápsulas de cocaína. “É grande a apreensão de drogas na cidade e a prisão de bandidos em vários delitos. Com mais PMs na rua a produtividade seria maior certamente”,
apontou.
Petrópolis pode perder a Risp para Três Rios
O deputado Marcus Vinícius fez um apelo formal ao secretário municipal de Segurança Pública, Hélio Moura, presente na audiência, para que a Região Integrada de Segurança Pública (RISP) não seja alocada em Três Rios, município que está providenciando a área pedida pela força
policial. Com verbas já garantidas de R$ 4,1 milhão pelo governo do Estado, a Risp reuniria os comandos das policias militar e civil, uma centralização das forças de segurança com mais equipamentos, viaturas, homens e um heliponto.
A Risp funciona como centro de inteligência das forças de segurança. A cidade teria pelo menos mais sete viaturas da PM e um helicóptero. – Não é possível que Petrópolis não tenha um terreno de 2,2 mil metros para a Risp. E se não for um próprio municipal, que seja uma área a
ser desapropriada. Às margens da BR-040, na região dos distritos, são inúmeros”, afirmou Marcus Vinícius.