Edição: domingo, 08/04/2018
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  Cidadania

A transexualidade e seus desafios na cidade de Petrópolis

Yuri Lima yuri.lima@diariodepetropolis.com.br

 

- Eu sempre sentia que faltava algo, quando era criança, mas eu não tinha informação nenhuma sobre isso. Sempre havia questionamentos: Por que eu não posso? Por que eu nasci assim? Eu queria ser igual a ele. Isto quando criança. Recordo que, quando eu tinha sete ou seis anos de idade, meus pais ensinavam orar antes de dormir. Minha mãe dizia que eu poderia pedir a Deus o que eu quisesse que Ele iria me atender, Ele iria me ajudar. Lembro que pedi para que, no dia seguinte, eu amanhecer menino. Eu chegava ficar triste, porque Ele não o fez – esta é a lembrança da infância de Léo Bauer, transexual que, desde criança, convivia com um conflito entre o seu gênero e sua verdadeira identidade. Assim como ele, esta é a realidade de muitos petropolitanos, que sofrem com a falta de informação e o preconceito, é por este motivo que Léo busca, na criação de um coletivo, unificar todos os trans da cidade.

Transexuais são as pessoas que nascem com um gênero que é o oposto do seu corpo. Isto é, uma pessoa que biologicamente aparenta ser um homem pode ser uma mulher, vice e versa. Na última semana, um grande avanço foi obtido em relação às leis para os transexuais, agora eles poderão votar utilizando o nome social no título de eleitor. Porém, em Petrópolis, estas pessoas ainda encontram dificuldades.

- Na prática digamos que nascemos com o físico de um gênero só que internamente somos de outros. Existem diversos estudos científicos sobre isso. Quando a criança é gerada, a última parte que se desenvolve é a genitália. Que é a parte que define se é homem ou mulher. Porém, quando ainda somos um embrião, o hormônio de um sexo vai para o cérebro, que é de determinado gênero, pode ser diferente da genitália – afirmou o transexual Léo Bauer.

Para o processo de transição de sexo é necessário você fazer tratamentos hormonais e psicológicos. Para isto, é necessário o acompanhamento de um médico Endocrinologista e um Psicólogo. Léo afirma que muitos trans tendem a não se preocupar com o acompanhamento psicológico e focam-se apenas no físico. Para ele é o psicologia desempenha um trabalho primordial no processo.

- Primeira coisa que passa é o conflito interno, você não se aceita. O primeiro preconceito que você sofre é de você mesmo. Hoje eu faço terapia hormonal e é necessário o acompanhamento psicológico. Porque você vive um conflito, você está tentando se achar. Então você tem que ter um psicológico estável – declarou.

Além disto, Léo afirma que o processo de transição afeta todos ao seu redor.

- Você quer se transicionar? Beleza, mas vamos fazer o procedimento correto, vamos nos médicos e seguir todos os procedimentos. Esta é uma preocupação com a sua saúde. Algo que minha psicóloga sempre fala é: Você quer isto? Você tem que pensar que todos vão fazer o mesmo procedimento com você. É necessário que você pense em todos que te amam – declarou.

Em Petrópolis ainda há muito preconceito contra os transexuais além dos demais pertencentes ao grupo dos LGBT é o que diz Léo.

- Existe preconceito sim, tal como existe com gays, com lésbicas. Apesar da cidade ter muitos LGBT, ainda existe muito preconceito. Já até me negaram a vender o homônimo mesmo com a receita médica. Me questionando para que eu iria usar àquilo. Principalmente porque ele viu que eu estou em processo de transição - disse.

Atualmente Léo diz que faz o seu processo de transição pela iniciativa privada. Segundo ele o Sistema Único de Sáude (SUS) tem filasem Petrópolis e não há preparo para receber os transexuais.

- O SUS tem fila para tudo. Minha avó, por exemplo, que faleceu e só conseguiu o exame que precisava depois do óbito. Se para casos assim já é complicado marcar pelo SUS imagina como é para um trans, que muita gente considera palhaçada, bobeira. Se você chega e pergunta sobre este tratamento, muitos não sabem do que se trata e te indicam um clínico, onde você tem que dizer os médicos que você precisa. Isto ocorreu comigo, imagina, eu dizer ao clínico qual médico eu preciso para ele me encaminhar? É um assunto que falam tanto hoje, se você vai nos sites governamentais você vê: Todos os indivíduos trangeneros  tem o direito do procedimento, mas na realidade não é assim - afirmou.

O não procedimento hormonal não feito de forma correta e sem acompanhamento pode gerar problemas como aneurisma cerebral e enfarto, podendo levar àqueles que não buscarem ajuda profissional ao óbito.

Representação

Atualmente, muitos são os filmes que abordam os temas LGBT, muito se dá pela liberdade e pela a luta por direitos destes grupos. Porém ainda há muita coisa para ser feita. O próprio entrevistado, o trans Léo Bauer, diz que existe preconceito até no mercado de trabalho.

Emprego

- Um amigo já sofreu discriminação em uma entrevista de emprego. Ele foi questionado, no meio do processo, se ele era um menino ou uma menina. Não tem isto, ele era uma pessoa que queria trabalhar, que tem capacidade para trabalhar. Independente do meu gênero ele está ali para oferecer o seu trabalho - disse Léo.

Em relatório publicado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) demonstra que a transfobia no mercado de trabalho faz com que este grupo busque sobreviver utilizando da prostituição de rua. A estimativa da Associação de Travestis e Transexuais (Antra) afirma que 90% das pessoas trans fizeram parte desta profissão em algum momento na vida, algo que é ainda mais visível no caso das mulheres trans.

Coletivo

Léo Bauer afirma que irá criar um coletivo para divulgar mais informações sobre a transexualidade buscando  mais unificação na cidade de Petrópolis. Desta maneira, assim que estiver feito, publicaremos como você poderá acessar informações sobre a este grupo.



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