Edição: domingo, 05/11/2017
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ARISTÓTELES DRUMMOND
COLUNISTA

 A CRISE MORAL INTERMINÁVEL

 Depois do mensalão, do petrolão, da Lava-Jato e de dezenas de chocantes revelações nas ações da Polícia Federal e do MP, flagrante de ocultação de patrimônio de um ex-presidente da República e acusações de toda ordem ao atual ocupante do Planalto, era de se esperar uma pausa neste tipo de atividade.  Mas, infelizmente, é como se nada estivesse se passando.

Um ex-ministro e sua mulher senadora e presidente de partido, envolvidos em suspeições das mais variadas, saem em turismo na maior tranquilidade, provocando a ira de brasileiros em um museu que visitavam. Ministros continuam a usar e abusar dos aviões da FAB para fins de semana em seus estados e até o Legislativo requisita o uso de aeronaves como não se fazia antes. Cortes de despesas não atingem viagens de parlamentares, ministros de Estado e magistrados. Algumas com “superlotação”, como a recente ida a Roma de mais de 20 parlamentares e assessores em avião da FAB.

A sociedade assiste perplexa a um bate-boca rasteiro entre autoridades, membros do MP ou do Judiciário e delatores de idoneidade duvidosa, pois delatam verbalmente o que deveria ser complementado com documentos. Parece que não tem sido desta forma e, portanto, pode ficar no disse me disse sem base para punições. Mas pior ainda é ver o empenho de todos na busca de “blindagens”, quando era de se esperar que, em respeito à sociedade, abrissem mão de eventuais proteções legais vigentes.

Na busca do encerramento dos processos, com as penas fixadas, assim como multas, conspira-se para o retrocesso em relação à prisão após o segundo grau – garantia de que, com bons advogados, os acusados podem morrer sem prestar constas à Justiça. E ninguém se lembra, em nenhum dos poderes, de apresentar projeto de simplificação de processos, para descongestionar o Judiciário, com natural ganho de tempo e de recursos. Temos um Judiciário caro, inclusive nas instalações de alto luxo e benefícios inexistentes em outros países.

Essa história de que a economia não é afetada pela crise moral e política é uma farsa. Estamos entre as maiores dívidas do mundo, tanto no mercado interno como no externo. Nossa produtividade está medíocre, com a qualidade de vida nas nossas cidades atrás das primeira cem analisadas. O desemprego permanece cruel. Temos um Portugal e meio de desempregados. E o que é mais preocupante: não temos lideranças políticas, o empresariado está acuado e omisso e os formadores de opinião, equivocados, com uma visão distorcida da realidade.

Parodiando um estadista do século passado, governar o Brasil hoje não está difícil, está impossível. Rezemos, pois é dia de todos os santos! 



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