Edição: segunda-feira, 14/05/2018
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  VIOLÊNCIA

Atendimentos no Cram crescem 96% em 2018

Índices de violência contra a mulher aumentaram no último ano, segundo dados do ISP

Philippe Fernandes


 Dados do Centro de Referência no Atendimento à Mulher (Cram) mostram que o número de atendimentos na unidade - que presta apoio psicológico e jurídico às pessoas que sofrem agressão física, psicológica, moral ou sexual - aumentou 96% no primeiro quadrimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Nos quatro primeiros meses de 2018, foram realizados 202 atendimentos, e de janeiro a abril de 2017, o índice foi de 103 pessoas atendidas.

O Cram não é a única porta de entrada para as mulheres que sofrem com este tipo de violência, uma vez que existe o Núcleo de Atendimento à Mulher (Nuam), localizado na 105ª Delegacia Policial, e a própria rede municipal de saúde. No entanto, os índices apontam para um dado importante: mais mulheres estão denunciando ou buscando apoio a casos de agressão - muitas delas, por medo ou constrangimento, não registram ocorrências ou solicitam suporte.

Violência contra a mulher também cresceu

Mas, se por um lado, mais mulheres estão denunciando as agressões; por outro, o número de registros nas ocorrências policiais de Petrópolis também cresceu. De acordo com o Dossiê Mulher, feito pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), no ano passado foram registrados nas delegacias da cidade 2.595 casos, o maior índice da série histórica. Destes, 921 são relacionados à violência física - índice 8% maior que o de 2016, quando foram registradas 851 ocorrências. Também cresceram os casos de violência psicológica: em 2017, foram registrados 967 casos; em 2016, houve 813 registros, 13% a menos.

Os dados do ISP mostram que houve, ainda, 443 casos de violência moral em 2017 (3% a mais do que no ano passado). A violência sexual correspondeu a 5,9% das ocorrências, e a violência patrimonial, 4,1%. Aliás, os dados do dossiê mostram que, quando se fala de agressões às mulheres, nem sempre a questão está na violência física propriamente dita: em 58,5% dos casos, a violência foi psicológica, moral ou patrimonial.

O tipo de ação mais comum é a ameaça: 959 somente no ano passado. Em seguida, estão as lesões corporais, com 903 ocorrências durante 2017. Houve, ainda, 394 injúrias. As delegacias da cidade também registraram casos de assédio sexual (2), ato obsceno (2), calúnia (17), constrangimento ilegal (10), dano (51), difamação (33), tentativa de feminicídio (6), feminicídio (1), homicídio doloso (5) e importunação ofensiva ao pudor (22).

Estupro

Um dos índices que mais chamam a atenção é com relação ao grande número de estupros registrados nas delegacias policiais da cidade. Em 2017, aconteceram 118 casos, 61% a mais do que em 2016. A média do ano passado foi de 10 casos por mês. Em 2018, a média continua a mesma. Foram registrados 31 casos no primeiro trimestre deste ano, sendo 13 em janeiro, 7 em fevereiro e 11 em março.

Perfil das vítimas

De acordo com o Dossiê Mulher, pouco mais de metade das vítimas (51,3% do total) tem entre 30 e 59 anos. Outras 30% são jovens, com idade entre 18 e 29 anos. Pessoas com idade até 17 anos correspondem por outros 11,3% dos casos - 7,9% são meninas de 12 a 17 anos, e 3,4% têm de zero a 11 anos. Outras 5,4% são idosas.

A maioria das vítimas atacadas é solteira (49,1%). No entanto, mais de um terço das pessoas que sofrem algum tipo de violência é casada ou vive junto com seu companheiro ou companheira. Do total, 9,8% das mulheres agredidas são separadas; e 3,6% são viúvas. Em sua maioria, as mulheres atingidas têm ensino fundamental incompleto (36,6%).



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