Edição: domingo, 03/12/2017
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  Economia

Cheques ou cartão: qual melhor forma de pagamento?

 Especialista explica vantagens e desvantagens para os consumidores

Leticia Knibel - leticia.knibel@diariodepetropolis.com.br

 O Banco Central divulgou no último dia 27 de novembro uma alteração no sistema de compensação de cheques. A medida prevê que a compensação dessa forma de pagamento, independente do valor, deverá ser feita em um dia útil, inclusive os de menos de R$ 300, cujo prazo atual para compensação é de dois dias úteis.

 A nova medida estabelece ainda o prazo de 180 dias para que bancos e a Centralizadora da Compensação de Cheques (Compe) se adéquem ao novo sistema.

 Para o Banco Central, com a redução de cheques em circulação no mercado e a facilidade proporcionada pelo sistema tecnológico de processamento de dados, “a existência de mais de uma faixa de valores para compensação deixou de ser necessária”.

No entanto, mesmo com as mudanças oferecidas pelo BC, ainda resta ao consumidor uma antiga dúvida: qual a melhor forma de pagamento, com cheque ou cartão de crédito/débito?

O economista e professor, Ralph Santiago Leal de Camargo Rodrigues, explica vantagens e desvantagens dos pagamentos feitos com cheques e cartões.

 Segundo o especialista, como o cheque é uma ordem de pagamento à vista é possível negociar desconto com o vendedor. Além disso, Ralph ressalta que pessoas, lojas e empresas não são obrigadas a receber cheques. Apenas as cédulas e as moedas do real têm curso forçado.

- Segundo o Banco Central os principais motivos de devolução de cheques são: cheque sem fundo; conta encerrada; prática espúria; cheque sustado ou revogado em virtude de roubo, furto ou extravio de folhas de cheque em branco, entre outros. Dessa forma, considerando a segurança tanto da empresa como do consumidor, o cheque apresenta tais desvantagens – destaca o economista.

Outro ponto negativo é que o cheque está entrando em desuso, já que o pagamento com cartão tem mais segurança e praticidade tanto para os consumidores quanto para os comerciantes, conta Ralph. “Atualmente, até mesmo compras de pequenos valores são efetuadas por cartão. A prática de pagamento com cheque ainda é realizada em alguns casos como, por exemplo, a mensalidade da academia de ginástica. No entanto, mesmo nessas situações o cartão vem substituindo o cheque”.

Questionado sobre o porquê algumas pessoas ainda optam por usar o cheque, o especialista explica que talvez seja por falta de informação, pois o cartão é mais seguro, prático e cômodo.

Já com relação as vantagens e desvantagens do uso dos cartões de débito ou crédito, Camargo conta que o que se recomenda para quem utiliza essa modalidade de pagamento tenha maior controle e planejamento das finanças pessoais. Ou seja, registrar seus recebimentos e suas despesas a fim de não gastar mais do que ganha. Ele sugere ainda a utilização de uma planilha para controle do uso do cartão e, ainda poupar ou aplicar recursos para eventuais imprevistos.

- A desvantagem é justamente os juros proibitivos tanto do cheque especial quanto do cartão de crédito. Por isso, disciplina e planejamento são fundamentais. Atenção também para as pequenas despesas – destaca o especialista.

O presidente da CDL Petrópolis (Câmara de Dirigentes Lojistas), Luiz Felipe Caetano da Silva e Souza, afirma ser inegável que os cartões de crédito se popularizaram como meio de pagamento substituindo os cheques. No entanto ele alerta para o perigo do descontrole por parte dos consumidores e lembra que é fundamental para os lojistas que ainda vendem com cheque consultar os bancos de dados da CDL para se prevenirem da inadimplência.

Dicas para evitar dívidas no fim do ano

Ralph Camargo orienta os consumidores gastar o dinheiro durante o período do Natal de forma consciente, sem esquecer as despesas do início do ano.

- Nesse período, a maioria das pessoas recebe o 13° salário. O que é ótimo para as finanças pessoais, mas é importante priorizar a quitação das dívidas assumidas anteriormente, justamente para não gastar com pagamento de juros. Além disso, o consumidor deve ser consciente nesse mês já que existem despesas típicas da época de Natal e do início do ano.

O economista ainda ressalta que é fundamental pesquisar os preços dos produtos, já que as variações podem ser significativas. “E, sobrando algum dinheiro pode-se pensar inclusive em uma aplicação financeira; títulos de renda fixa como CDBs, títulos do Tesouro Direto, poupança, etc. Fazer o tempo trabalhar a ser favor e não contra”, conclui Ralph.

Dados sobre pagamentos com cheque

De acordo com a Compe (Centralizadora da Compensação de Cheques) do Banco Central, o pagamento por meio de cheque apresentou redução nos últimos 10 anos em todo o país. Os dados revelam que em 2007, a média diária (em quantidade) de transações envolvendo cheques no penúltimo trimestre do ano (entre agosto e outubro) foi de mais de 18 milhões, resultando em operações no valor de R$ 12.748 milhões no mesmo período.

Já em 2017, os dados da Compe revelam que mais de seis milhões de operações diárias foram realizadas entre os meses de agosto e outubro deste ano. Já o montante em reais registrados foi de R$ 9.847 milhões.

Ou seja, quando comparados os anos de 2007 e 2017, percebe-se que houve uma redução de 67% nas transações diárias de cheques no mercado. Já os valores dos pagamentos caíram para R$ 2.891 milhões, ou seja, um total de 22% a menos no período acima citado.

Dados sobre pagamentos com cartões

Assim como os dados referentes ao uso de cheques, o Banco Central também divulga tabelas com informações sobre pagamentos feitos com cartões que, de acordo com as estatísticas, têm crescido cada vez mais entre os consumidores.

Em 2008 (ano base de registro das transações), o valor total dos pagamentos feitos com cartões de crédito foi de R$ 220 bilhões. E com os de débito somaram R$ 107 bilhões.

Já em 2016, as estatísticas apresentam aumento nas transações feitas tanto com cartões de crédito quanto de débito, com o total de R$ 674 e R$ 430 bilhões, respectivamente. Ou seja, fazendo um comparativo dos valores gastos em pagamentos com cartões de débito nos anos de 2008 e 2016, houve um aumento de 301,8%. Já com relação aos cartões de crédito, o Banco Central registrou um acréscimo de 206,3% no mesmo período.

 

 



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