Edição: quinta-feira, 09/11/2017
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  Serra de Petrópolis

Desalojados do Contorno vão receber R$1 mil por mês

Acordo emergencial foi firmado na tarde de ontem

Durante a tarde alguns moradores conseguiram retirar pertences das casas 

Na tarde de ontem (8) a concessionária que administra a BR-040 (Concer) firmou um acordo com as 48 famílias desalojadas devido à formação de uma cratera na comunidade da Estrada do Contorno, que fica no km 81, as margens da rodovia.  Numa reunião que aconteceu na Igreja Nossa senhora Aparecida, foi comunicado que as famílias afetadas irão receber um auxílio-moradia no valor de R$ 1.000 mensais. Ainda durante a tarde, novos deslizamentos de terra aconteceram e a cratera que tinha 30 metros de diâmetro continuava a crescer. 

Além do auxílio-moradia, que foi entregue aos moradores cadastrados ontem, também foram distribuídas cestas básicas e kits de higiene pessoal, conforme antecipado pela concessionária. Em nota a Concer anunciou que a deliberação da companhia foi tomada na véspera.

A Defesa Civil trabalhou durante o dia no local e equipes acompanharam os moradores que estavam sendo liberados aos poucos a ir até as casas e tirar os pertences mais urgentes. O secretário da pasta, Paulo Renato Vaz, que participou da reunião, disse que o encontro foi para marcar um acordo que atenda as condições emergenciais entre concessionária e os moradores.

Sobre os trabalhos da defesa ele disse que têm sido feitos em cima do risco. “No entanto, precisamos saber qual risco e esse que está sendo estudado pelos profissionais da concessionária. O laudo técnico vai sair em cinco dias”, garantiu Paulo Renato que ainda disse que o Departamento de Recursos Minerais (DRM), Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CAPRM) e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) estão ajudando.

O comandante do 15º Grupamento de Bombeiros Militares (GBM), Tenente-Coronel Ramon Camilo, que também estava no local falou que as ações do corpo de bombeiros se de limitaram ao primeiro momento. “Salvaguardamos os moradores evacuando os que estavam em casa, inclusive dois acamados e dois cadeirantes, além também das 70 crianças que estavam no colégio. Hoje apoiamos a Defesa na retirada de animais e pertences”, disse. 

Desaprovação e desespero

A reunião foi acompanhada apenas por representantes dos moradores e foi de boca em boca que ficaram sabendo da notícia. A maioria deles não aprovou.

Fernanda Pereira, morava no imóvel que foi soterrado ha três anos com a filha adolescente e o marido. Ela perdeu tudo o que tinha e para ela o prejuízo não terá retorno. “Eu já fiz uma relação de tudo o que eu tinha em casa e mandei para a Concer, mas acho que não vão me reembolsar”, afirma.

Ela não estava em casa quando o acidente aconteceu. “Estava no trabalho quando minha irmã ligou contando o que havia acontecido. Vim correndo e tinha um caminhão parado em frente a minha casa. Assim que ele saiu a casa caiu por completo. Foi Deus que segurou ele ali até minha filha se conseguir sair”.

Durante a tarde novos deslizamentos voltaram a apavorar os moradores que tiveram que deixar tudo para trás. Elaine Pereira é irmã de Fernanda e estava muito abalada. Ela contou que as casas têm novas rachaduras e que os abalos continuavam na região. Ela lamentou o pelo carro do marido que foi comprado recentemente e não pode ser retirado e ainda questionou. “O que vamos fazer com esse dinheiro? Se ele vai para pagar o aluguel vamos cozinhar em que? Dormir onde?”, diz Eliane.

Hoje as equipes Secretaria de Assistência Social cadastraram mais duas famílias e o número de desalojados subiu para 135 pessoas de 48 famílias. A secretária, Denise Quintela, disse que: “Cada família vai procurar a melhor maneira de gastar esse dinheiro. Pode ser pagando um aluguel ou ajudando os parentes onde estão ficando”.

Para a secretária o prazo é indeterminado para resolver todo o problema. No entanto, disse que os trabalhos da secretaria encerraram ontem, porque as famílias já estavam assistidas e todas têm ficado em casas de parentes. “Se a Concer não tivesse se manifestado a secretaria iria arcar, eu tinha separado tudo. 



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