Edição: segunda-feira, 06/11/2017
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  Saúde

Diabéticos estão há meses sem fitas para medição de glicose
O problema afeta tanto o Centro de Saúde quanto o Hospital Alcides Carneiro

Leticia Knibel - leticia.knibel@diariodepetropolis.com.br

 

Diabéticos da cidade que dependem das fitas medidoras de glicose estão enfrentando dificuldades para conseguir o material junto ao Instituto da Criança, da Mulher e do Adolescente, mais conhecido como Centro de Saúde. Localizada na Rua Santos Dumont, a unidade está desde outubro sem o material para distribuição aos pacientes.

Um dos afetados pelo problema é o senhor Antônio Carlos de Oliveira, que desde setembro já estava com dificuldade em obter o total necessário de fitas de medição.

- Na última vez que recebei o material, veio apenas metade das fitas. Eu preciso usá-las três vezes ao dia e, normalmente, os potes vêm com 100 fitas de medição de glicose. Já no mês passado, não havia material disponível no Centro de Saúde. Os funcionários tentam nos ajudar, mas ficam de mãos atadas, sem ter o que fazer – explica Antônio. Ele ainda ressalta que várias pessoas estavam esperando para recebê-las no dia em que sua esposa foi à unidade buscar os potes.

Há 20 anos Oliveira precisa lidar com a doença e faz medições diárias para aplicação de insulina NHP e Regular. Ele, que é deficiente visual, ainda ressalta a falta de respeito aos pacientes e o constrangimento que passam em situações como essa.

- Desde o início do ano a unidade apresenta problemas para entregar regularmente os potes com as fitas. E, apesar de já ter entrado em contato com o secretário de saúde e com o prefeito, até o momento não obtive resposta – conclui.

Já no Hospital Alcides Carneiro, a situação não é diferente. Há quatro meses a senhora Maria José Neves Soares está sem acesso aos potes de medição de glicose, sendo obrigada a comprá-los. Ela faz a retirada no HAC e afirma que, quando questionados, os funcionários afirmam não saber quando receberão o material.

Ela precisa medir pelos menos duas vezes ao dia a glicose, que é muito alta, para aplicação de insulina na dose ideal. Sem acesso as fitas distribuídas gratuitamente, Maria José precisa da ajuda de familiares para comprar os potes que custam, em média, R$ 56.

Já uma senhora de 65 anos, que preferiu não se identificar, contou que há três meses está tendo que comprar os potes com as fitas de medição, já que o Hospital não está realizando as entregas. Ela precisa fazer a medição de glicose três vezes ao dia para poder tomar a quantidade certa de insulina, porém, sem o material, fica difícil saber a dosagem adequada do medicamento.

A pacientes trata a diabetes há oito anos e relata ainda que a unidade de saúde sempre apresenta irregularidade na entrega e, no momento, nem as seringas para aplicação da insulina possui para entrega aos pacientes.

O problema faz com que a paciente precise comprar o pote com as fitas todos os meses, tendo um custo de R$ 78. Infelizmente, o material só vem com a metade das fitas necessárias para a medição diária e a senhora precisa de ajuda da família para realizar a compra mensal.

Questionada sobre as reclamações dos pacientes, a prefeitura informou que a compra foi realizada após o processo de licitação para a escolha do fornecedor. O município aguarda a entrega do material na próxima semana para regularizar o estoque.



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