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domingo, 13/08/2017
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Doenças transmitidas por parasitas podem levar animais a óbito

Carrapatos marrons são os principais responsáveis pelo contágio da Erhlichia e da Babese

Leticia Knibel - Especial para o Diário

 

Com a proximidade das estações mais quentes do ano, as altas temperaturas são propícias para a infestação de carrapatos. A prevenção é a melhor forma de evitar problemas com os ectoparasitas que afetam cães, gatos e outros animais domésticos. Nas zonas rurais, esse tipo de ocorrência é mais comum, mas as áreas urbanas não estão livres da infestação de carrapatos, que podem ser trazidos até pelo vento.


A veterinária Priscila Mesiano explica que a doença de carrapato é caracterizada pela presença do parasita Ehrlichiose ou Babesia, dentro das células: sendo afetadas as plaquetas e hemácias, respectivamente. A transmissão é feita pelo carrapato marrom, tanto na forma adulta quanto na jovem.

 

 

- O carrapato se fixa no animal, passa algumas horas sugando o sangue do mesmo e, nessa troca, ele transmite o parasita, podendo infectá-lo com ambos os tipos. As doenças decorrentes do contágio são a Ehrlichia e a Babese, mas existem outros tipos de patologias provocadas pelo parasita. E o resultado desse contágio é grave já que, no caso da Ehrlichia, ela pode resultar em hemorragias espontâneas (como sangramento nasal, hematomas na pele, evacuação de sangue nas fezes, entre outros). Já a babesia causa anemias profundas nos animais, - explica a clínica em animais pequenos.


Também conhecida como hemoparasitose, a doença do carrapato provoca outros problemas nos pets como emagrecimento, perda de apetite, picos de febre, tristeza e dores articulares. “Esses sintomas são comuns e podem ser confundidos com outros problemas, já que podem permanecer no animal durante muitos anos, com apenas sinais brandos, sem evoluir para sintomas graves e sem explicação aparente”, conta Priscila. Por isso é fundamental o dono estar atento a qualquer mudança no comportamento do cachorro, com ou sem a presença desses sinais, já que na região serrana é muito comum esse tipo de doença.


- É importante também sempre levar o cachorro ao veterinário para avaliações periódicas e relatar se o mesmo, algum dia na vida, teve contato com o carrapato. Mesmo que tenha acontecido há anos, é possível que o pet estivesse infectado com a doença e só esteja manifestando os sintomas agora. Muitas vezes a descoberta do problema acontece por acaso, uma vez que as doenças podem ficar incubadas e assintomáticas. A detecção precoce é a melhor forma de salvar o animal, pois em alguns casos tanto a ehrlichia quanto a babese podem levá-lo ao óbito.


A jornalista Thaciana Ferrante conta que há um ano Thor, seu rotweiller, teve os primeiros sintomas da doença do carrapato. Apesar de não conviver com outros cães e não sair para a rua, o cão foi infectado e seu caso foi grave. “Moro em uma região onde há vegetação e cavalos circulando pelas vias, então é provável que o Thor tenha sido infectado por um carrapato que veio no vento”, explica. A jornalista revela que os primeiros sintomas foram tristeza, sangue nas fezes e, após os exames, recebeu o diagnóstico.


- Mesmo após ficar curado, ele voltou a apresentar os mesmo sintomas, em quadros similares, apesar de não ter sido picado por carrapatos. Na época duvidei da avaliação da veterinária, já que tomava todos os cuidados necessários para evitar que o Thor ficasse doente de novo, inclusive usando medicamentos preventivos. No entanto, ela explicou que o quadro dele se deu devido à queda da imunidade, então ele voltava a apresentar os sintomas da doença, tendo que refazer todo o tratamento, com aplicação de antibióticos e vitaminas. Na última vez que ficou doente, Thor chegou a ter hemorragias graves, incluindo sangramento nasal.


Thaciana diz que a preocupação é constante, por isso está sempre mantendo o espaço onde Thor vive limpo, aplicando produtos próprios para combate ao carrapato, além de mantê-lo saudável para evitar novas quedas na imunidade.


A veterinária destaca que o diagnóstico da doença é feito por meio de exames específicos para os tipos de parasitas transmitidos. Vale ressaltar que gatos também podem ser afetados por essas doenças. São casos raros, mas ainda assim é possível.


Os locais “preferidos” dos carrapatos são nas partes mais quentes dos animais, onde ficam as dobras: entre os dedos, dentro das orelhas, nas axilas, porém, dependendo da infestação, pode-se encontrar o ectoparasita em todo o corpo do animal.


As formas de prevenção incluem o uso de carrapaticidas, vendidos em forma de pipeta, coleira ou comprimidos de via oral, sendo estes de última geração, agindo na prevenção do contágio com o carrapato. Outra forma de evitar os parasitas é dedetizar os ambientes no qual os animais vivem, já infestado pelos mesmos. “Para quem possui gramado em casa, é importante mantê-lo aparado e evitar passear com os cães em locais onde haja foco do ectoparasita, principalmente se o animal não estiver imune”.- Em caso de contágio, o tratamento é feito por meio de medicamentos específicos para matar o parasita. No caso da Ehrlichia, usamos remédios via oral e, da babese, fazemos uma associação de medicamentos injetáveis e orais. Dependendo da gravidade da doença e do estado do animal, é necessária uma transfusão de sangue, - destaca a especialista.


Priscila conclui dizendo que alguns animais ficam com a doença crônica, onde o parasita se instala na medula óssea e, um eventualmente, a patologia pode voltar. E o cão, uma vez curado, pode também ser infectado novamente, caso haja contágio com o carrapato.



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