Edição: domingo, 13/05/2018
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Eleições:

Candidaturas avulsas dividem opiniões

Yuri Lima yuri.lima@diariodepetropolis.com.br

 

 

Cada vez mais presente no meio político há o debate acerca das candidaturas avulsas (independentes), que seria relacionado a necessidade de um postulante a algum cargo de se filiar a um partido político para concorrer as eleições. Atualmente, no Brasil, a constituição de 1988, no artigo 14, especifica a necessidade da filiação partidária.

Porém, aqueles que defendem as candidaturas independentes, a Convenção Americana de Direitos Humanos, popularmente conhecida como Pacto de São José da Costa Rica, pode criar precedente para os candidatos sem filiação.

Em 2016, o pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro, Rodrigo Mezzomo, tentou concorrer as eleições de forma independente. Porém, foi impedido pela justiça de participar. O político, então, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não decidiu sobre a legalidade desta forma de participação nos pleitos. Ainda assim, a decisão da corte pode mudar a forma que as eleições são feitas no país.


 Dividindo opiniões dos políticos da cidade, o Diário conversou com os pré-candidatos ao cargo de deputado federal em Petrópolis para saber quais são suas posições sobre o tema. Para Daniel Iliescu (PCdoB) (Foto), as candidaturas avulsas têm um lado negativo. Já para o pré-candidato Gastão Reis (Novo), esta modalidade é uma forma de fortalecer a democracia.

Segundo o pré-candidato pelo PCdoB, as campanhas avulsas podem ser uma forma de omitir os projetos e as perspectivas em relação ao cargo disputado.

- Um candidato que disputa a eleição representa um projeto, na prática sempre existirá um partido. Porém, nos casos das candidaturas avulsas isto fica omitido, não sabemos ao certo o que e quem aquele político defende. Qual é o projeto? Esta modalidade tira o direito dos eleitores de saberem qual é – declarou.

Além disto, Iliescu afirma que a forma que a política é feita atualmente deve ser reformulada, mas ainda assim a exclusividade das siglas é algo a ser mantido. Outro fator levantado pelo pré-candidato são os interesses daqueles que sairão como candidatos independentes.

- Se fragiliza os interesses coletivos para a defesa dos interesses individuais. Atualmente, algo que é recorrente, são os ataques as idéias de partido. Principalmente no momento de golpe que nós estamos vivendo, com o enfraquecimento da nossa democracia – afirmou.

O comunista ainda afirma que existem aqueles que têm ligação direta com seus partidos, que defendem seus interesses, que tem orgulho e se identificam com suas siglas.


 Em contraponto a perspectiva defendida por Iliescu, Gastão Reis (foto) assume que não há problemas com as candidaturas avulsas.

- Isto é algo que existem em inúmeras democracias sérias pelo mundo, como nos Estados Unidos, por exemplo. Eu não acredito que será um problema e ainda fortificará a democracia no Brasil. O problema atual é que em nosso país existem regras demais para coisas de menos- afirmou.

O pré-candidato do recém formado partido Novo, Gastão declara que com os candidatos independes poderá haver uma reformulação dos quadros de deputados.

- A verdade é que seria uma contribuição, uma forma de oxigenar o nosso parlamento. Ao fim, estas campanhas poderão aumentar o grau de democracia em que nós vivemos – disse.

Outra afirmação do economista, é que alguns partidos têm “donos” e são mandados apenas por “grupos”, sem respeitar os anseios democráticos.

- Alguns partidos, como o próprio MDB do Rio, que por anos é comandado pelo Picciani, mesmo preso. Atualmente nós temos 35 siglas, com cerca de 21 com representação parlamentar, é impossível termos tudo isso ideologias diferentes no país – declarou.

Algo que é comum entre os pré-candidatos petropolitanos é a vontade de mudança no sistema político e críticas a forma que atualmente a política é feita no país. Gastão afirmou que uma das questões primordiais seria o voto distrital. Para Iliescu deve haver uma reformulação no sistema, de forma a dar mais amplitude democrática.



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