Edição: segunda-feira, 11/06/2018
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  Saúde

Exagero de tecnologia deixa crianças e adolescentes desconectados do mundo real

A psicóloga Clarissa Piccoli alerta para o desequilíbrio causado pelo uso constante uso da tecnologia

 Daniela Curioni – especial para o Diário

 

Os adolescente brasileiros estão passando cada dia mais tempo conectados nos dispositivos móveis. Segundo uma pesquisa realizada pela motorola, 64% dos jovens entre 15 e 18 anos checam as redes sociais assim que acordam e 55% disseram que os smartphones os deixam mais espertos e legais. A pesquisa aponta o Brasil como um do países mais conectados do mundo.

Os dados revelam que o aparelho se tornou uma extensão do corpo dos jovens, que já não conseguem imaginar como seria uma vida em que não existisse essa tecnologia.

Esse cenário traz um alerta à sociedade sobre o limite do uso das tecnologias e no que isso pode ser prejudicial às relações interpessoais, por se tratar de uma geração que já nasceu imersa a um mundo conectado 24h por dia.

Psicóloga alerta para uso excessivo de tecnologia


 Segundo a psicóloga Clarissa Piccoli Vieira (foto), se voltarmos no tempo, alguns anos atrás, era comum vermos crianças correndo nas ruas, brincando com vizinhos, primos e irmãos.

- A adolescência de dez anos atrás estava interessada em quais filmes iriam ser vistos no cinema, onde fariam lanches, qual sábado iriam à boate, se questionavam quanto a saber em qual banda tocariam, onde tal banda faria o show, qual era a banda mais famosa etc. Quem viveu essa geração e não se lembra da banda B5, muito famosa na nossa cidade? Embora com menor frequência, “estes adolescentes” já começavam a sofrer influência das redes sociais, com os sites que publicavam as fotos das festas em boates e que depois eram repostadas no famoso Orkut, que hoje já não é mais usado por ter sido substituído pelo Facebook, Instagran, entre outros – disse.

Segundo a especialista, podemos perceber que em pouco tempo o uso da tecnologia foi crescendo de maneira exponencial, e que sua influência no cotidiano das pessoas cresce tão veloz quanto. Existem várias vantagens e benefícios no uso dessas tecnologias, mas é necessário saber o quanto e como as mesmas devem ser usadas para não causarem prejuízos  

- Algumas dessas pessoas se comportam como se estivessem isoladas ou procurando se “proteger”, pelo simples fato de estarem com seus fones de ouvido, ou simplesmente de cabeça baixa olhando para tela de seus aparelhos, como se esse tipo de comportamento as afastassem dos que estão à sua volta. E dentre essas pessoas, observamos também crianças e adolescentes repetindo estes mesmos comportamentos – alerta a psicóloga.

Vício em rede social afeta química cerebral como as drogas

Estudos realizados na California State University,  demonstraram que o uso abusivo, principalmente de redes sociais, afeta a mesma área cerebral que a dependência química. Um outro estudo realizado pelo Geat (Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas) apresenta o efeito negativo quando não se obtém o resultado esperado com uma postagem em rede social, o mesmo é comparado à um vazio como o de um dependente químico sem o uso da substância.

Como exemplo, podemos pensar em um adolescente ao postar uma foto sua em alguma rede social, tem como objetivo receber curtidas e comentários. Inicia-se então o processo de verificação quase que constante, o que pode elevar seu nível de ansiedade, mas ao se deparar com curtidas e comentários é liberada uma dosagem de dopamina, neurotransmissor ligado aos mecanismos de recompensa e a sensação de prazer, que dá a este adolescente uma sensação de bem-estar e aceitação.

Porém, caso o mesmo não obtenha nenhuma curtida ou comentário, vivenciará este vazio e terá de lidar com suas frustrações.

Nomofobia: O vício pelo celular

 

O uso exagerado de dispositivos móveis como celulares, smartphones e tablets pode ocasionar no surgimento de um transtorno psicológico chamado Nomofobia, que significa, sem celular. A Nomofobia é caracterizada pelo desconforto, pela angústia, pela perda do autocontrole e pelo medo irracional que a pessoa sente diante da incapacidade de utilizar ou ter acesso a celulares ou computador, ou seja, ao mundo virtual em si.

Além disso, também é necessário destacar que muitas crianças e adolescentes se fecham em seus mundos virtuais e acabam não vivenciando seu mundo real ou encontrando dificuldades ao se depararem com o real. Em seus mundos virtuais podem se passar por pessoas que não são, podem fazer o que talvez no real não tivessem coragem, pois se sentem protegidos atrás da tela de seus aparelhos.

Especialista reforça que pais devem ficar atentos 

Clarissa explica que a preocupação vai além, no entanto, do tempo gasto. Se concentra também, na relação do usuário com esse tipo de ferramenta.

- Os conteúdos postados, acessados e visualizados, como também o tempo em que se fica conectado são pontos que precisam ser combinados e fiscalizados pelos pais, para que não haja um uso excessivo que causará problemas futuros como também para evitar que algo impróprio para idade esteja sendo acessado. Existem conteúdos que podem provocar uma série de comportamentos diferentes nas crianças e nos adolescentes - disse

"Detox digital"

A psicóloga Clarissa dá dicas para auxiliar pais na diminuição do uso exagerado de tecnologias:

• Detox Digital, um período em que a pessoa se abstém de usar seus aparelhos, que pode variar de dias a alguns meses;

• Ter bom senso e dosar o uso de tecnologias no dia a dia;

• Ficar atento as consequências físicas (privação se sono, problemas de visão, dores musculares);

• Verificar o desempenho escolar, familiar, social, se esta sendo prejudicado devido ao uso abusivo;

• Realizar atividades e encontros ao ar livre e Praticar atividades físicas regularmente;

• Criar intervalos durante a semana para se “desligar” dos aparelhos;

• Coloca-los em locais mais distantes ao dormir, e se possível desconectados da internet.

A especialista ressalta que o uso exagerado de redes sociais, ou melhor, a compulsão por redes sociais pode camuflar transtornos como: ansiedade, pânico e depressão. E para casos de maior dependência, é necessário buscar auxílio com profissionais da psicologia e ou psiquiatria. 



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