Edição: segunda-feira, 05/02/2018
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  Tecnologia

Falta de qualificação: entrave para empresas de tecnologia

Líderes do núcleo empresarial do Quitandinha esperam retomada da Faeterj, para formar mão de obra

Philippe Fernandes

 

A ausência de mão de obra qualificada é o principal entrave para as empresas de tecnologia da informação localizadas no Parque Tecnológico da Região Serrana. Apesar de o mercado ter começado a ser reaquecido, desde agosto do ano passado, faltam profissionais com os requisitos necessários para preencher as vagas. A afirmação é de Marcelo Carius, um dos líderes do Núcleo Empresarial do Quitandinha (NEQ).

Em entrevista ao Diário, quando traçou as metas e os objetivos do parque tecnológico para o ano, Carius destacou que a atividade do mercado começou a ser retomada em agosto do ano passado. Com isso, as empresas estão com demanda para a contratação de novos profissionais. No entanto, a crise que atingiu o Governo do Estado prejudicou o atendimento da Faculdade de Educação Tecnológica do Estado do Rio (Faeterj), responsável pela formação de boa parte dos profissionais da área.

- No final do ano passado, a gente passou por uma situação complicada. Precisamos contratar, no Núcleo Empresarial, 65 pessoas. Recebemos mais de 800 e-mails e não conseguimos chamar ninguém, porque ninguém tinha a mão de obra especializada que nós precisávamos. O CPTI (Centro de Educação Profissional de Tecnologia da Informação, da Faeterj) infelizmente forma menos profissionais, porque o Estado sucumbiu.

 

De acordo com o empresário, atualmente apenas a Faeterj e o Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica), localizado no Centro Histórico, formam desenvolvedores de softwares na cidade.

- Se não fosse o Cefet, eu nem sei se iria contratar estagiários ou funcionários. O mercado voltou a aquecer. A nossa maior dificuldade está em achar os profissionais com experiência necessária e que viva na cidade, seja formado aqui – destacou.

A superação de crise e retomada da Faeterj, no entanto, pode estar próxima. O empresário disse ao Diário que o poder público está sensível a esse problema. Em uma reunião no parque tecnológico, o deputado estadual Gustavo Tutuca (PMDB-RJ), garantiu que irá fazer gestões junto à Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia. Além disso, há uma expectativa de um “respiro” nas contas estaduais, em função do acordo de recuperação fiscal fechado com a União.

- O poder público está sensível, nós estamos pressionando e ficamos satisfeitos com a última reunião. Há um indício de mudança. Vamos aguardar para ver se o que foi combinado será resolvido nos próximos meses - disse.

Perspectiva de crescimento para 2018

Quando se trata das perspectivas para o ano de 2018, o líder do Núcleo Empresarial do Quitandinha é otimista. Ele espera que o grupo receba o dobro de empresas, em relação às que participam atualmente das atividades.

- O nosso balanço do ano de 2017 foi muito positivo. Conseguimos reestruturar o grupo empresarial, fortalecer as firmas. Outro ponto importante foi que a Alterdata, empresa nacionalmente conhecida e que emprega 1,4 mil pessoas, aceitou o desafio de liderar o grupo. Com isso, começamos a modificar o processo de aprendizado. O balanço foi superpositivo, ganhamos força. Acredito que, em 2018, a gente dobre o número de empresas participantes - afirmou. 

Uma das novidades deste ano é uma aceleradora, no sistema de “coworking”, que vai auxiliar empreendedores que precisam de apoio logístico, financeiro e jurídico.

Carius destacou, ainda, que o grupo deverá atuar em duas frentes basilares neste ano.

- O fortalecimento das empresas acontecerá através dos projetos, e, com isso, gera-se força financeira. Além disso, vamos fortalecer o conhecimento dos empresários, para que eles possam crescer mais rápido - destacou.

Com o objetivo de se preparar para este novo momento, o Parque Tecnológico contratou um consultor estratégico, que está levantando as potencialidades e montando um documento para o desenvolvimento de todo o ano.

- As reuniões estão sendo muito produtivas. Isso mostra que a gente vai entrar em um modelo mais profissional. Esse consultor vai coordenar o nosso trabalho, pois, muitas vezes, os empresários não conseguem dedicar tanto tempo ao associativismo. Ele terá a visão externa e conseguirá atrair estrategicamente outras empresas – afirmou.

Expansão

Quem passa pela sede do Parque Tecnológico da Região Serrana, na Rua Afrânio de Mello Franco, no Quitandinha, não vê mais a marca do “Petrópolis – Tecnópolis”, que ficou conhecida desde que o espaço foi criado, em 1998. Vinte anos após a inauguração do espaço, o grupo não quer mais ficar restrito a Petrópolis, passando a prospectar a expansão para outras cidades da Região Serrana. Com isso, o Parque Tecnológico ganhou uma nova marca, que simboliza esse novo momento: “SerraTec”.

- No Conselho Gestor, estrategicamente, se entendeu que, para que as outras cidades também pudessem compor o Parque Tecnológico da Região Serrana, precisávamos ir além do nome da cidade. Por mais que Petrópolis seja o município mais desenvolvido da Região Serrana, precisávamos de algo para agregar toda a região. Após a vinda da Alterdata, que é de Teresópolis, queremos motivar que outras empresas, de outras regiões, também venham. Queremos fazer reuniões, e que esse movimento seja fomentado. Por isso, essa nova marca, abraçando todas as cidades - destacou.



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