Edição: quinta-feira, 08/03/2018
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  Chuvas

Famílias começam a voltar para casa depois da chuva

Daniela Curioni – especial para o Diário


 Com 50 famílias desalojadas e casas cheias de lama e lixo, é possível ter uma dimensão da tragédia. As cenas de mais um temporal na cidade são impressionantes.  Mesmo que todo mundo tenha conseguido sair de suas casas, fica ainda todo o prejuízo financeiro e a dor de perder tudo, ou quase tudo.  O pior, ainda, é a aflição na hora de voltar para casa e se deparar com o que sobrou.

Nos bairros Caxambu e Bela Vista, os dois mais afetados pela chuva, tem casas onde a água e a lama destruiu tudo, sendo difícil recuperar alguma coisa.  Há 27 anos moradora do bairro, Filomena Ferreira conta que nunca viu nada parecido.

- Dois rapazes da Defesa Civil conseguiram tirar minha irmã, que tem dificuldades para andar. A casa estava cheia de água e lama. Perdi praticamente tudo, contou Filomena.

Depois de dois, três ou quatro dias tentando limpar a lama e a água barrenta, não tem móvel ou eletrodoméstico que ainda possa ser utilizado. Vai tudo para o lixo. A palavra mais usada por todos depois de uma tragédia como essa é “recomeçar”.

- É preciso levantar a cabeça, sim, mas só quem passa por isso sabe a que custo. Perdemos quase tudo. É muito difícil. Por pouco não fui arrastada para dentro do rio. Espero que a Prefeitura apóie todos que estão nessa situação, desabafa Joana Darck, moradora do bairro Caxambu.

 Com a casa cheia de lama, sem água para limpar e sem energia elétrica, uma moradora que preferiu não ser identificada por medo, se recusava a abandonar sua casa, com receio de saques e furtos.

- Tenho medo de sair. Não tenho para onde levar o pouco que me restou. Se eu sair, minha casa pode ser saqueada, já vi isso acontecer antes, infelizmente é bem comum, lamentou a moradora.

Em nota, a prefeitura informou que está disponibilizando desde quarta-feira (7), dois pontos de apoio para as famílias atingidas pelas chuvas, um deles na Igreja Santa Isabel, no Caxambu, outro no CRAS de Corrêas. Nos locais a prefeitura está cadastrando os moradores que tiveram as casas atingidas e providenciando a assistência emergencial.

Descarte de lixo irregular

O lixo acumulado agravou o impacto da chuva que atingiu a cidade no final da tarde de sábado. Os moradores da cidade reclamam da coleta de lixo irregular e a falta de uma coleta apropriada para entulhos.

Com o nível dos rios em seu estado normal, ficou evidente um outro grave problema: o descarte irregular do lixo, que ficou acumulado em vários pontos onde foram registrados os alagamentos. Com as áreas secas, ficaram visíveis amontoados de garrafas, caixas, pedaços de armários, sofás, brinquedos, roupas e pedaços de madeira. A quantidade de lixo impressionou.

Desde o inicio da manhã de domingo, 140 trabalhadoresforam mobilizados para retirar mais de 560 toneladas de lama das ruas, segundo  estimativa da prefeitura.

De acordo com o Código de Posturas do município, o despejo de detritos sobre ruas e calçadas é proibido.  Para intensificar a fiscalização, a prefeitura vai enviar à Câmara de Vereadores um projeto de lei aumentando o valor da multa para até R$ 20 mil. Um fiscal também foi deslocado para atuar especialmente no flagrante e na identificação de responsáveis pelo descarte irregular.

A prefeitura informou que nos dois primeiros meses de 2018, foram coletadas 175 toneladas de lixo em toda cidade. O órgão reforça que a coleta de entulho também é frequente. Nos dois primeiros meses do ano, mais de 28 mil toneladas foram removidas.



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