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  Cidade

Fios emaranhados em postes: desordem ainda sem solução

A falta de manutenção gera poluição visual e coloca em risco a segurança da população

Daniela Curioni, especial para o Diário

 

Cada vez mais fios e cabos atravessam o horizonte. O olhar urbano já se habituou ao emaranhado de fios, que polui a paisagem. O perigo dos postes sobrecarregados, além da fiação exposta e solta, colocam em risco a segurança da população. Além disso, a poluição visual prejudica a paisagem de uma cidade conhecida pelo seu potencial turístico.

 

É só dar uma volta pela cidade, principalmente pelos bairros: é fácil perceber que o problema é recorrente em várias regiões. No Centro Histórico, o processo de fiação subterrânea já foi realizado, mas apenas no lado par. A mudança para a rede subterrânea, porém, não é apenas estética: tem um papel fundamental para garantir a segurança das pessoas.

É o que afirma o engenheiro eletricista Mario Mendes. Segundo ele, as redes subterrâneas são muito mais eficientes, principalmente porque não sofrem as interferências do ambiente externo. O que dificulta a instalação é o fato de o quilômetro da fiação subterrânea ser muito mais caro do que a aérea.

- Nos lugares que já possuem as instalações subterrâneas, as boas experiências evidenciam que as vantagens de adotar o sistema superam os obstáculos - disse.

A situação tem deixado a população receosa e confusa, pois nem todo mundo consegue identificar quais são os fios que podem provocar um choque ou não. A universitária Luciana Mota comenta ser constante ver fios soltos nas ruas e calçadas.

- A cidade está praticamente largada no que diz respeito à fiação. Além da poluição visual, é um risco para a população. Parece que a qualquer momento esses fios vão cair e causar um curto. A quantidade de fios caindo no meio da rua ou ao alcance da mão, é inacreditável. Parecem "gatos" malfeitos, só que legalizados. Parece uma cidade remendada - disse Luciana.

O engenheiro eletricista alerta para os perigos.

- Existem alguns cabos que, mesmo não fazendo parte da rede elétrica, estão energizados e podem dar choque, sim. O crescimento das redes de telecomunicações foi grande na última década, o que colaborou para o ‘inchaço’ dessas ligações. A fiscalização precária permite até “estoques” de cabos no alto dos postes, à espera de futuras utilizações, isso sem mencionar os que não servem para mais nada, mas foram deixados ali mesmo em vez de serem retirados pelas empresas. A confusão de fios, além da questão estética, prejudica o sistema de distribuição e compromete os postes e as próprias instalações com o seu peso - alerta o engenheiro.

 

FISCALIZAÇÃO

Como funciona a utilização dos postes

Segundo informações da Aneel, o uso de pontos em postes é regulamentado por uma resolução. Segundo o texto, de 2014, as prestadoras de serviços de telecomunicações não podem ocupar mais de um ponto de fixação em cada poste. E, no caso de fusão de empresas, elas devem notificar a modificação em até 180 dias. A distribuidora de energia elétrica deve cobrar, de cada prestadora de serviço, apenas o valor correspondente a 1 (um) Ponto de Fixação por poste, exceto no caso de inviabilidade técnica, situação na qual se deve cobrar por todos os Pontos de Fixação ocupados no poste.

De acordo com a Enel Distribuição Rio, companhia responsável pela infra-estrutura dos postes,  existem duas Resoluções sobre o assunto: a Resolução Conjunta ANEEL/ANATEL 001/1999 de 04/2014 e a Resolução Normativa ANEEL 797/2017.

Segundo a legislação são permitidos até cinco pontos por poste. Sendo quatro para empresas de telecomunicações e dados e um para a Enel. As empresas autorizadas a colocarem fios e cabos, são as que possuem contrato de compartilhamento e projeto aprovado para uso dos postes.

A companhia explica que as ações para retiradas de irregularidades têm amparo nas Resoluções acima citadas, Norma Técnica de Compartilhamento da Distribuidora de Energia Elétrica e cláusulas contratuais.

Fios sem identificação são retirados, diz Enel

Sobre a quantidade de fios enrolados  e de sobras de fios sem nenhuma utilização, a Enel informou que os cabos e equipamentos sem identificação são retirados durante as regularizações das equipes da Enel. Quando há identificação, a distribuidora envia uma notificação à empresa responsável com prazo de 30 dias para correção. Todas as empresas que possuem contrato de compartilhamento foram informadas por meio de notificações, comunicados e nos fóruns realizados sobre as ações de regularização que estão acontecendo, sendo, portanto, necessária a adequação urgente dos ativos nos postes.

Como ação preventiva, a Enel Distribuição Rio disse está enviando mensalmente comunicados a todos os clientes com a programação das localidades onde as equipes atuarão. Para os cabos e equipamentos sem identificação, a retirada é imediata, mas nos casos das empresas que possuem contrato e tem os equipamentos identificados, estas têm 30 dias para corrigir após notificação da Enel.

Empresas dizem que fazem manutenção

Apesar da população apontar os cabos de telecomunicações como os principais causadores da bagunça, as empresas informaram que realizam os serviços de manutenção. 

Em nota, a NET informou que obedece a rígidos padrões de segurança na operação de sua rede e possui uma rotina de manutenção e adequação do cabeamento nas ruas das cidades. Além disso, a empresa  disse que segue os padrões técnicos da concessionária de energia elétrica, responsável pelo aluguel dos postes.

A Oi informou que mantém um programa permanente de manutenção da sua rede e solicitações de reparo podem ser realizadas pelo canal de atendimento 10331.

Até o fechamento da edição, as outras empresas procuradas pelo jornal não retornaram o pedido de esclarecimento feito pela reportagem.



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