Edição: sábado, 07/04/2018
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Frederico Amaro Haack
COLUNISTA

OSTERHASE EM PETRÓPOLIS 

Domingo passado os cristãos comemoraram a ressureição de Jesus Cristo, juntamente a esta ocorreu a tradicional distribuição de ovos de Páscoa as crianças, mas nem sempre foi assim, atualmente são distribuídos ovos de chocolate mas no século XIX e em algumas regiões do mundo em especial na Europa é comum a distribuição de ovos de galinhas pintados à mão para as crianças, cujo simbolismo é o renascimento para uma vida plena e eterna.

É sobre esse assunto que vamos tratar nesse artigo a distribuição de ovos de Páscoa na cidade de Petrópolis antigamente.

Alemães emigrados no século XIX da regiões do Reno e do Mosel para o Novo Mundo, trouxeram para nossa cidade uma série de costumes que, no entanto, com o tempo se adaptariam perfeitamente à família petropolitana.

A Páscoa sempre teve carinhosa comemoração em Petrópolis, tanto religiosa, como profana.

Com muita antecedência, desde os velhos tempos de Stroele, Vorster, Fleischer, Jacob, Monken e tanto outros professores faziam seus pequenos alunos recordar os cânticos pascais, preparando-os para o dia do “OSTERHASE”.

“OSTERHASE” é segundo a lenda, o famoso coelho que distribui pelas crianças da cidade, na madrugada do dia da ressurreição, lindos ovos coloridos.

Já ao cair da tarde de sábado de Aleluia, começava a agitação dos meninos, preocupados cada qual em fazer num canto do terreno de sua casa, o ninho em que o coelho deveria colocar pela madrugada, os almejados ovos.

Com folhagens e, principalmente, com as flores roxas e amarelas da quaresma chamadas “OSTERBLUMEN” (flores de páscoa) cada pequeno tratava de preparar, o melhor possível, o esconderijo destinado a receber o presente do “Coelho Pascal”.

E mal a criançada ia dormir os pais, mães e irmãos mais velhos se entregavam a tarefa de vasculhar os galinheiros, apanhando os ovos e colorindo-os empregando nesse mister cascas de cebola, anilinas e papéis de cor. Usava-se ainda em muitas casas, gravar nos ovos figuras, iniciais de nomes, etc. por meio de alfinetes molhados no vinagre.

 Domingo de Páscoa, pela madrugada, os desvelos paternos e maternos completavam a cena, colocando os ovos nos ninhos preparados e espalhando ainda outros pelos recantos dos jardins e quintais.

Muito cedo, a criançada acordava e logo saia a procurar os ovos em ruidosa correria, saudando assim, o dia de Páscoa.

E na alegria das crianças estava todo o encanto da doce e suave lenda do “OSTERHASE”!

Com o tempo passando, as crianças, curiosas por natureza, descobria o segredo pascal, e via-se assim a decepção de não mais ganhar os ovos de pasca, sendo obrigado nas próximas comemorações ajudar os pais na confecção dos ovos para seus irmãos mais novos.

Havia contudo os “espertinhos” que, mesmo conhecendo o “mistério”, fingiam não sabem para continuar a fazer jus às vantagens dos acreditavam no coelho...

A propósito, recitava-se a seguinte quadrinha, assim traduzida do alemão:

Sei o que sei e bem sei

Que a galinha é o coelhinho

Mamãe é que pinta os ovos,

Coloca-os papai no ninho...

Durante mais de meio século, o quadro do coelhinho distribuidor de ovos se repetiu no seio da quase totalidade das famílias petropolitanas.

Recorda-se que houve tempo em que um ministro alemão – o conde de Arco Valley, aqui falecido em 1909 – realizava pela Páscoa, em sua residência, grandes festas para as crianças. Era escondidas, então no jardim, centenas de “OSTENRELER” para serem descobertos pela criançada dos colégios.

 Mais tarde, a tradição do “OSTERHASE”, teve sua consagração no Palácio Rio Negro, quando as primeiras–damas dos ex-presidentes Epitácio Pessoa e de Arthur Bernardes, reunindo na residência de verão, grupos de crianças pobres da cidade, fizeram a distribuição de ovos de Páscoa pelos canteiros dos jardins, onde foram encontrados pela criançada. 



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