Edição: segunda-feira, 13/11/2017
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Gilberto Pinheiro
COLUNISTA

 Lawrence Antony e a gratidão dos elefantes (Senciência Animal)

A gratidão é um raro sentimento em muitas pessoas  nos dias de hoje - a falibilidade humana não permite tal reconhecimento e elevação.    Todavia, o mesmo não ocorre em animais, sempre agradecidos aos que os  protegem, permitindo-lhes viver em segurança, distantes da crueldade de muitos humanos que insistem em persegui-los e maltratá-los.    Basta observarmos as reações deles em momentos específicos e teremos a certeza de que a vida é maravilhosa, não apenas privilegiando a espécie humana, mas aos animais não humanos também. Um bom observador percebe que eles amam como todos nós.  Na verdade, o amor não tem fronteiras e o sentimento de bondade  não é específico somente  em corações  mais espiritualizados.   Os anima is como todos nós sentem alegria,  tristeza, têm consciência, demonstram ternura imensurável  quando bem tratados.  Na verdade, os animais "falam" com o doce olhar, sendo agradecidos ao amor a eles dispensados.  

E, para melhor exemplificar a referida questão, destaco um fato realmente atípico, quando se trata de gratidão animal.   Tudo começou com Lawrence Antony, escritor sul-africano que amava os elefantes, dedicando sua vida à proteção  dos mesmos que ficavam à mercê e sob a mira de armas pesadas de  caçadores  cruéis nas savanas africanas.  Inclusive, tem-se notícia que ele resgatou muitos animais do Zoológico de Bagdá, após a invasão dos EUA ao Iraque em 2003.  

Vivia  quase que diariamente ao lado deles, estudando o comportamento,  fotografando-os,  filmando-os,  sempre tratando-os com imenso respeito e amor, como se fossem seus verdadeiros irmãos e amigos.  De sua experiência com esses animais, surgiu o livro O Encantador de Elefantes, de sua autoria que virou best-seller em todo o mundo.    Era sua grande paixão protegê-los dos predadores humanos, estar sempre com eles e, a intimidade era tanta, que pareciam “dialogar” à luz da mesma sintonia.   Para ele, era missão superior cuidar desses animais.

 

 Tal contato durou muitos anos, assim como a alegria desse convívio harmonioso que lhe fazia bem à alma.  o bem conspirava a favor e os elefantes eram sua segunda família.  Mas, nem sempre o sol brilha e, aos 62 anos, Lawrence  falecera repentinamente.  Ele que estava constantemente com os elefantes começou a fazer falta aos animais, inquietos com a sua  inesperada ausência.  Pareciam "perceber" que algo grave tivera acontecido.  

Depois de esperarem alguns dias pelo grande amigo ausente, resolveram marchar em direção à casa dele, dividindo-se em dois grupos,  saindo de locais diferentes, caminhando 21 km.  Depois de 2 dias de marcha, chegaram à residência do amigo e lá ficaram parados em absoluto silêncio, também por 2 dias, sem se alimentarem. Pareciam saber da morte do grande amigo. O olhar dos paquidermes era de total consternação e tudo conspirava a favor da mais íntima tristeza.  Eles perceberam que o amigo tivera morrido - a senciência se manifestara fortemente.

A esposa de Lawrence comoveu-se profundamente com a presença deles,  pois reconhecia nos animais a gratidão, o agradecimento pela proteção durante anos a fio a eles dedicados.  Depois de 2 dias, os grupos partiram silenciosamente em direção  ao seu habitat e jamais retornaram.   Despediram-se do amigo para sempre com olhar sofrido, uma ferida aberta em cada coração naqueles elefantes comovidos e saudosos.        

COMO EXPLICAR O FATO DE OS ELEFANTES CHEGAREM À CASA DO AMIGO?                   

Isso é senciência animal, percepção, sensibilidade aflorada, pois quando há total empatia entre humanos e animais os mesmos percebem o que ocorre com aqueles que os protegem, sabendo se estão tristes, alegres, doentes ou na iminência de morrer.  Com a ausência, os pensamentos se interligaram e chegaram à casa do grande amigo.     Em nosso lar, quando temos um cãozinho, um gato, eles também sabem quando estamos felizes ou tristes.  Já percebeu, amigo(a) leitor(a) que quando você sai de casa e retorna mais tarde, seu cão parece adivinhar quando você irá retornar?   Há um estudo muito interessante sobre o alusivo assunto denominado "Campos Mórficos" sob a responsabilidade do cientista inglês Rupert Sheldrake  explicando o fenômeno, mais ou menos semelhante à tel epatia entre animais e humanos, no caso específico.   Não há coincidência - a senciência dos animais é insofismável realidade.  Inclusive, ele tornou-se pesquisador no Institute of Noetic Sciences nos EUA e seus estudos são muito respeitados.

Creio que a sociedade mundial precisa valorizar mais a vida de  da fauna existente na Terra. Nada mais justifica a exploração, a subjugação, os maus-tratos, enfim, tudo que prejudica os animais.   Lawrence Antony, o grande encantador dos elefantes, é um exemplo a ser seguido e que precisa ser lembrado nas escolas, universidades, em todos e quaisquer lugares como referência na defesa dos animais, agregando conhecimento.  Os animais merecem viver livres e felizes como todos nós também assim desejamos.   Depende apenas da mudança de nossas atitudes e educação elevada - por isso, o bem precisa ser amplamente divulgado, inclusive, em prol da vida animal.

Somos o coração,  a alma, a voz dos animais
Gilberto Pinheiro



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