Edição: domingo, 03/12/2017
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Gilberto Pinheiro
COLUNISTA

A BIOÉTICA ANIMAL -interligação entre as ciências biológicas e os  valores morais
Tenho  um nobre ideal e preciso insistir. A desistência seria demonstração de fraqueza, prova insofismável de inutilidade de minha vida.

Quando lidamos com vida, vem a reboque o conceito de bioética, seja ela humana, vegetal ou animal.  Entendo que há  uma interligação diretamente proporcional e indivisível entre valores morais e bem-estar e, sendo assim, não posso afiançar tal entendimento de forma diferente.  Na verdade, a conceituação ou o termo citado, surgiu através do bioquímico americano Van Rensselaer Potter, pesquisador na área de oncologia e docente na Universidade de Wisconsin, EUA.   Utilizou o neologismo criado por ele mesmo em seu artigo  Bioethics The Science Of Survival em 1970 e amplamente ilustrado no livro Bioethics, Bridge To The Future (1971), referindo-se a um novo conhecimento que teria como fim interligar as ciências biológicas aos valores morais, conceito pelo qual pode e deve ser usado também para aqueles que lidam com os animais. 

Hoje em dia, com a divulgação da causa protetiva ao reino animal, alertando a sociedade mundial que a escravidão deles não é mais admissível, tornou-se possível este entendimento, distanciando-se do antropocentrismo que conceitua animais como simples máquinas de carne e osso, sem sentir dor, nem sentimentos.  Conforme  já dissera em artigos anteriores, tal paradigma e influência da ontologia cartesiana abriu fendas profundas no solo infértil e árido do desconhecimento,  influenciando negativamente toda a ciência, principalmente, a europeia que se destacava em sua época.

É preciso que toda a Humanidade entenda que os animais têm consciência, emoções e sentimentos e não se pode mais omitir a verdade e eles não nasceram para nos servir como muitos pensam.  Aproveito o ensejo para destacar  uma realidade absurda:  frangos, galinhas, patos, pombos aprisionados em espaços reduzidos dentro de galinheiros aguardando a morte chegar, não é mais possível.  Cabe aos governantes tomar as providências, pôr fim a estes estabelecimentos espalhados pelo Brasil afora, uma vez que o abate é cruel e a legislação proíbe isso.    Aves também são seres sencientes como todos nós.

O NEFASTO ENTENDIMENTO DE CLAUDE BÉRNARD - fisiologista francês influenciado pelas ideias de René Descartes

Tanto é verdade que Claude Bérnard, nos idos de 1872 (século XIX), fisiologista e médico francês,  influenciado pelas ideias de René Descartes,  mantinha no sótão de sua casa um bioterio  com animais para fins de pesquisas laboratoriais,  sendo impiedoso com eles, utilizando-os  em suas experiências como cobaias, praticando a vivissecção sem analgesia.  Sua esposa e filha não suportando tais práticas, resolveram abandoná-lo, indo morar em Paris, criando  primeira fundação em defesa dos animais em toda a França.   Infelizmente, aqui no Brasil, animais como cobaias ainda são utilizados para testes laboratoriais e farmacológicos.  Todavia, creio que em breve tempo, haverá um fim para este desastre científico. Cientistas começam a se preocupar com a respectiva questão e o co nceito de bioética é a mola propulsora para tal mudança.  Novas tecnologias começam a surgir, como a  utilização de células embrionárias epiteliais, a nanotecnologia, utilização de placentas, enfim, possibilidades de obter-se respostas satisfatórias na cura de doenças, sem explorar a vida animal.

O progresso exige naturalmente evolução e os animais, depois da descoberta da senciência em relação a eles, não podem continuar a ser explorados em laboratórios para fins de pesquisas científicas.  Em São Paulo, testes laboratoriais para fins de cosméticos e produtos de limpeza, utilizando animais como cobaias estão proibidos, uma exceção em todo o Brasil que precisa ser paradigma em todo território nacional.

Concluindo: não importa se animais  são incapazes de resolver "questões matemáticas, não raciocinarem  como filósofos" - o que importa efetivamente é que eles sentem como todos nós.  Sendo assim, têm direito à vida com dignidade como todos nós, protegidos por leis específicas.   A bioética é uma realidade e precisa assim ser entendida.  Luto por este ideal e nada irá demover-me de assim entender como proceder na defesa de toda a fauna.  Como costumo dizer nos finais de meus artigos - somos o coração, a alma, a voz dos animais e a minha vida seria inútil se eu pensasse diferente.   
 
Gilberto Pinheiro
jornalista, pesquisador, palestrante em escolas, universidades,
articulista de sites, jornal Diário de Petrópolis sobre a Senciência
e Direitos dos Animais

Somos o coração, a alma, a voz dos animais

 



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