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  Colunistas
Gilberto Pinheiro
COLUNISTA

NÃO PODEMOS COMPARAR A SENCIÊNCIA DOS ANIMAIS COM A SENSIBILIDADE DE ALGUMAS PLANTAS 

as plantas não sentem dor, como muitos supõem.  Elas não possuem sistema nervoso 

Quando dou ênfase à senciência dos animais em meus artigos assim como nas palestras ou preleções  educativas, certamente, estou ancorado em proficientes e dedicados estudos fiéis à verdade e à luz de fontes fidedignas. É a minha rotina diária para levar ao público leitor e estudantes a melhor informação sobre o assunto em questão.   Como se diz popularmente "não caí de paraquedas".   Sou idealista e não abro mão dessa prerrogativa.   Gosto de sentir-me útil à vida e encontrei este caminho que me faz bem.  Os animais merecem meu respeito, considerando-me, portanto, uma das vozes na defesa deles.

Mas, em meu labor diário, sempre encontro alguns que ensejam questionar-me sem embasamento algum, tentando confundir-me, ou desmerecer-me. As críticas sempre são válidas desde que construtivas e embasadas. Mas, nem sempre é isso que encontro pela frente.
O fato  mais recente ocorreu na semana passada, quando eu ministrava palestra numa escola do grande Rio de Janeiro.  Normalmente,  além dos alunos, sempre participa algum professor, observando meu desenvolvimento, o que considero perfeitamente saudável.    

Para  minha surpresa, em determinado momento, um professor interrompeu-me, não acreditando nos estudos do ilustre neurocientista dr. Phillip Low e sua laboriosa equipe, responsáveis pela senciência animal, resolveu questionar-me.   Por questões éticas, abstenho-me de informar o nome dos colégios e respectivos professores, pois não há necessidade disso e não pretendo depreciar instituição de ensino e docentes, afinal, ninguém é obrigado a conhecer assunto específico, principalmente, ao que me dedico com tanta seriedade.  Para melhor exemplificar, nomearei o primeiro professor como  X e o segundo como Y.

A INTERVENÇÃO DOS PROFESSORES  "X"  E "Y"  EM MINHAS PALESTRAS

O professor X interrompeu-me, afirmando peremptoriamente:  a senciência dos animais não passa de "crença ideológica", pois não há comprovação científica. E, além do mais, se assim fosse, "as plantas também sentiriam dor", uma vez que elas têm sensibilidades.   Possivelmente, o incauto professor desconhecia naquele momento  os estudos neurocientíficos sobre o alusivo assunto.  Simplesmente, respondi-lhe que meus argumentos são consolidados nas pesquisas de neurocientistas canadenses, alguns deles professores titulares em universidades como a Stanford nos EUA e pesquisadores do MIT - Massachussets Institute of Technology.   Além do mais, as pesquisas demandaram tempo e foram apoiadas e  subscritas pelo físico e cosmólogo Sthepen Hawken, pela seriedade do trabalho de seus  colegas pesquisadores. 

Também, a título de maiores esclarecimentos, sugeri ao ilustre professor que consultasse a Declaração de Cambridge que daria informações mais profundas sobre o assunto em questão.  Mas, ele não gostou e continuou a fazer o contraponto, fazendo alusão " ao sofrimento das plantas, verduras,  um absurdo imensurável, afirmando que a alface "sente dor". É difícil convencer a quem não deseja conhecer a verdade.

DIONÉIAS, GIRASSÓIS E ALGUMAS OUTRAS PLANTAS  POSSUEM SENSIBILIDADES, MAS NÃO SENTEM DOR
plantas não possuem sistema nervoso, não possuem células nervosas, consequentemente, não sofrem

Disse-lhe que  tanto a alface quanto as demais verduras, plantas, legumes, frutos, frutas,  não possuem sistema nervoso, muito menos células nervosas, consequentemente jamais sentirão dor.  O que ocorre é que  algumas plantas  possuem sensibilidade mais acentuada por causa da necessidade de sobrevivência.  Mas, não sentem dor, quando arrancadas ou cortadas, como muitos supõem.  Dois exemplos de grande notoriedade são as dionéias e os girassóis.    A primeira é uma planta carnívora, natural de áreas pantanosas e por necessidade de nitrogênio, atraem moscas, devorando-as para seu alimento. O solo pantanoso é pobre neste elemento químico, por isso, estas plantas atraem determinados insetos. 

No caso dos girassóis, quando em fase de desenvolvimento, o lado que recebe menos luz cresce, inclinando o caule em direção ao sol.  Depois de adultas e florescerem, param de segui-lo, posicionando-se para o leste.  Obedecem a um ciclo cicardiano, uma espécie de relógio biológico que todos os seres vivos possuem, regulando o tempo e as necessidades vitais para cada ser, no caso senciente ou não.  Portanto, a sensibilidade que as plantas possuem não subscrevem que sentem dor -  apenas, necessidade para suas vidas se desenvolverem.

O professor Y  também interrompeu-me em outra ocasião, quando eu ministrava palestra numa escola famosa no Rio de Janeiro, há dois anos e meio para alunos do terceiro ano do ensino médio.  Quando eu menos esperava, disse-me ele, afrontando-me: "professor" Gilberto, o senhor não acha que com tantos assuntos importantes no Brasil o senhor falar de animais não é um fato irrelevante e secundário,  uma vez que temos outras prioridades?
Eu respondi-lhe que se eu me calasse frente a uma verdade, estaria cometendo um grande erro, deixando de levar importante conhecimento à turma, pois o saber não ocupa espaço e um erro não justifica outro.  Ele não gostou e, mais à frente, replicou:  a senciência dos animais  é algo  tão polêmico quanto o aborto, disse-me o descontente professor. Sinceramente, parecia uma provocação.

Respondi-lhe à altura - não há polêmica.  São assuntos diferentes e a prática do aborto é crime contra seres indefesos.  Mais uma vez ele não gostou da minha resposta, calando-se, pois a turma deu um sorriso irônico, olhando para ele.  Vejam, prezados(as) leitores, às vezes surgem críticas negativas e posicionamentos de ideias absurdas de onde menos imaginamos.  Questionar é muito válido, todavia, com embasamento, conhecimento de causa e não foi isso que aconteceu. 

Concluindo: as plantas não sentem dor e não têm as mesmas sensibilidades dos animais e humanos.   Alimentarmo-nos com verduras, legumes, frutos, frutas  faz bem à saúde, além de poupar a vida animal.    O assunto não é polêmico.  O que existe é desconhecimento, desinteresse e má vontade, afinal, mudança de paradigmas pela libertação animal  demandará tempo, pois ainda não é prioridade nas escolas e preocupação das autoridades constituídas.   Como sempre afirmo - o especismo ainda  possui fortes raízes e para eliminá-lo somente o conhecimento por parte de toda a sociedade contemporânea.  Um dia, se Deus quiser, será bem diferente, pois depende muito da evolução do ser humano para entender que os animais são sencientes e merecem respeito.  Em rel ação às plantas, às matas, enfim, às manifestações vivas da natureza é dever de todos nós protegê-las,  para que haja vida em abundância na Terra e desenvolvimento sustentável, a fim de atender a nossa e futuras gerações. O que falta é conhecimento e boa vontade, nada mais que isso.

Gilberto Pinheiro
jornalista, ex-consultor da Comissão
de Proteção e Defesa dos Animais
da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil
e palestrante em escolas, universidades
sobre a senciência e direitos dos animais      


 

Somos o coração, a alma, a voz dos animais
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