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  Colunistas
Gilberto Pinheiro
COLUNISTA

 

 

DESCARTES E GANDHI - quem estava com a razão sobre a vida animal?
 
Há  uma frase de Gandhi emblemática e que serve de  reflexão para toda a sociedade mundial em relação aos animais.  Disse ele tempos atrás:  a grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados.   Particularmente, concordo com essas palavras sem restrição alguma.   Quando respeitamos a vida de um animal,consequentemente, estamos prontos para viver em sociedade organizada  e hegemônica, conciliando o bom senso e as nossas atitudes, embasadas na ética e no respeito ao próximo.  E o próximo também são os animais.   Por que afirmo isso enfaticamente?
Porque é muito fácil desprezar-se a vida deles,  pela fragilidade que representa e exposição  ao iminente perigo.  A pessoa de alma grandiosa, aquela que respeita e ama um animal, certamente, compreende a vida em suas manifestações, admirando-a , além de protegê-la, entendendo seu lugar junto à sociedade.  Há um velho ditado que traz consigo o manto da íntima verdade: - " quem ama um animal, está pronto para amar seu próximo!"

E quando afirmo o próximo, não posso ser excludente, deixando de lado a vida da fauna, entendendo que o ser humano é produto de um todo e não o todo como ele supõe ser.   A conceituação antropocêntrica, desde os idos dos tempos, colocou o ser humano em patamar diferenciado, o senhor das grandes decisões e o ser mais importante do planeta. Mas, os propagadores desse entendimento, principalmente, René Nescartes ( século XVII)  por exemplo,  esqueceram que somos todos interdependentes.  O homem que trabalha no campo, produz alimento para a sociedade que compra os mesmos; a roupa que vestimos, alguém produziu e vendeu, etc.    Se a natureza não fornecesse o alimento, a água, o ar por exemplo, de que viveríamos? Por acaso, não dependemos dela?  Para que serviria a suposta superioridade se de nada ad iantaria?
Intelectualidade não significa superioridade.  

A ONTOLOGIA CARTESIANA DISCRIMINANDO OS ANIMAIS -  os reflexos de seu pensamento obtuso prejudicam até hoje a vida animal

Quando René Descartes pronunciou-se a respeito dos animais, demonstrou que sua inteligência não era tão desenvolvida, não havia sintonia perfeita entre razão, realidade  e emoção,  uma vez que entendia os mesmos como seres inferiores, espécies de objetos semoventes ou seres que se movem por conta própria, ausentes de dor e consciência. Lamentavelmente, influenciou  toda a Ciência europeia com sua retórica e ontologia distorcidas da  verdade,  o que trouxe a reboque o ranço do especismo e insofismável atraso no sentido de desconhecer e não se interessar pelos animais, estudá-los como se estuda nos dias de hoje, sem preconceito e ideias embotadas e retrógradas, representando sua época.   Hoje, é inaceitável a sociedade entender que os animais não merecem nosso respeito e compaix ão.

A CONTESTAÇÃO DE VOLTAIRE (século XVIII) -  o famoso filósofo francês criticou com ironia o entendimento de Descartes sobre a fauna 

Curiosamente, um século após, Voltaire, proeminente filósofo francês,  através de seu Dicionário Filosófico (1764),  manifestou-se contrário à ontologia cartesiana, respondendo a esse entendimento de forma simples e bastante elucidativa.    Assim se referiu - " Que ingenuidade, que pobreza de espírito dizer que os animais são máquinas privadas de conhecimento e sentimento, que procedem sempre da mesma maneira, que nada aprendem, nada aperfeiçoam.   E segue -  (...)  vê com os mesmos olhos esse cão que perdeu o amo e procura-o  por toda parte com ganidos dolorosos, entra em casa agitado, inquieto, desce e sobe escadas e vai de aposento em aposento e enfim encontra no gabinete o ente amado, a quem manifesta sua alegria pela ternura dos latidos, com saltos e carícias(...)".

Tal resposta fora bem dada, contextualizada na verdade, a "antítese" aos argumentos cartesianos que tinham como objetivo subtrair, desvalorizar a vida animal que, infelizmente, como dissera no texto acima, influenciou negativamente toda a Ciência, principalmente, europeia, chegando aos dias de hoje, ancorados no inaceitável especismo que corrói a verdade dos fatos, sempre colocando os animais em plano de inferioridade.   À luz dessas palavras, está mais do que na hora de revermos todos os conceitos retrógrados do filósofo francês e matemático que, como afirmara acima no texto, influenciou toda a Europa e até  alguns iluministas franceses  em relação à fauna em amplo espectro, considerando-a inferior.  Sem dúvida e sem subtração de valores pertinentes aos estudos que abraçava,  ele pode ter sido um grande filósofo e matemático, mas, em relação à vida, provou enfaticamente que não entendia absolutamente nada, além de insensível e arrogante.
Por isso, comparando as afirmativas desse filósofo francês e do humanista Gandhi que magistralmente registrou uma inconteste  verdade através de sucinta frase, razão do assunto em questão, posso afirmar convictamente -  Gandhi tinha toda razão!     

Somos o coração, a alma, a voz dos animais
Gilberto Pinheiro
jornalista, ex-consultor da CPDA/OAB-RJ,
Comissão de Proteção e Defesa dos Animais
da Ordem dos Advogados do Brasil e
palestrante sobre a senciência e direitos dos animais

e-mail:  pinheiro.gilberto@bol.com.br
 
 
 
 
 



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