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  Colunistas
Gilberto Pinheiro
COLUNISTA

 

 

O MAL QUE AS CHARRETES CAUSAM AOS CAVALOS
câncer de boca, fratura na coluna, patas, rompimento de vértebras são alguns dos malefícios causados a eles
Gilberto Pinheiro

A gente vive nesse mundo frenético, correria em tempo integral e esquece, muitas vezes, de pensar na vida, o quanto ela é importante para todos nós, sem desconsiderar a natureza, consequentemente, a fauna e flora. Parece que não temos tempo para pensar e sentir no coração o que outros podem estar sofrendo e quando afirmo outros, refiro-me, em especial, aos animais, que  são verdadeiros escravos, trabalhando intensamente sob as piores condições e intempéries, puxando carroças e  charretes.  Precisamos abrir nosso coração e lembrar que os cavalos, assim como todos os animais mamíferos, aves, peixes, cetáceos são seres sencientes, ou seja, sentem dor, fome, têm consciência, emoções e sentimentos como todos nós.  O ser humano precisa elevar seus sentimentos, crescer como um todo ou integralmente, uma trilogia corpo, m ente e espírito e entendo que este é um dos grandes desafios do novo milênio. Quem ama, respeita a vida dos animais!

CULTURA SE MODIFICA - charretes já tiveram seu tempo.  Agora, é indispensável a mudança, usando carrinhos movidos à bateria ou combustão 

Heráclito, filósofo pré-Socrático,  afirmava nos idos dos tempos que a vida é um constante devir.  O que é agora, se modifica logo após. A impermanência é parte integrante da vida, agente permanente da mudança.   À luz dessas sábias e simplificadas palavras, afirmo enfaticamente  que embora a tração animal seja um tipo de veículo que vem de longo tempo, não é sábio estagnar naquilo que não traz benefício à vida.  Precisamos relativizar o que entendemos como "cultura"em relação ao tempo em que o ser humano vive.    A tração animal ou carroças e charretes tiveram seu início no Brasil na época da colonização,  chegando à  época  imperial e estabelecendo-se nos dias de hoje.  Naqueles ve lhos e ultrapassados tempos não havia outro tipo de veículo a não ser a tração animal.   Nos dias de hoje, este tipo de veículo é desnecessário, haja vista que há tração motora, ou carros elétricos que substituem muito bem as charretes, evitando o sofrimento dos cavalos. 

OS FALARES COLOQUIAL E FORMAL DAQUELA ÉPOCA DIFERENCIAM-SE DOS FALARES DOS DIAS DE HOJE 
   
Enfatizo que  cultura se modifica com o tempo como destaquei acima.   Por exemplo, o vestuário utilizado na época em  que os Imperadores Pedro I e Pedro II, barões, viscondes, a nobreza e o povo se vestiam é diferente dos dias de hoje;  os falares coloquial e formal daqueles velhos tempos, diferenciam-se dos falares dos dias de hoje; o contexto arquitetônico do século XIX é diferente do contexto arquitetônico dos dias atuais.   Assim nada é permanente e a cultura se modifica.  Por que insistir com charretes?  Petrópolis é uma cidade linda, onde nasceu minha família e possui lugares maravilhosos para serem visitados, além do Museu Imperial.       

Petrópolis, embora seja uma cidade linda e tradicional não pode ficar à mercê desse pensamento que a afasta do progresso.   No momento em que a sociedade tem consciência do sofrimento dos cavalos, provocado pela tração animal ou charrete tem o dever de modificar seu entendimento.   Alegar charrete comouo  tradição e cultura é desprezar o conhecimento, anular o bom senso, fazer pouco da relação homem x animal.  À medida que estudamos evoluímos e quem evolui não subestima um ser senciente.    Faz-se mister lembrar que ninguém é dono de um animal - é tutor, com a intrínseca responsabilidade de cuidar bem dele.  Além das leis proibitivas ao uso e subjugação dos animais, explorando-os para fins econômic os  ou afins, é preciso haver compaixão por eles.   Ninguém tem o direito de explorar um animal, seja ele qual for!  Precisamos modificar esta mentalidade de subjugação animal.

A TRAÇÃO ANIMAL OU CHARRETE LEVA SOFRIMENTO AOS CAVALOS - é impossível que a sociedade não saiba disso

Muitos cavalos morrem extenuados em vias públicas de tanto trabalharem, puxando charretes, uma crueldade sem limites.  Além disso, o cabresto provoca inflamações na boca, câncer, rompimento de vértebras, patas, desvios na coluna, enfim, uma sucessão de absurdos por causa de "tradição e cultura".  Isso não pode continuar!  É preciso entender que os animais são protegidos pelo artigo 225 da CF/88 1º / VII e leis infraconstitucionais, tais como a Lei Federal 9605/98 - Lei de Crimes Ambientais - artigo 32 e outras leis estaduais e municipais.  Não há desculpa!   O que é indispensável é que as autoridades cumpram a sua parte, informem com qualidade ao povo de nosso país, pondo fim à crueldade animal, pois nada se justifica por causa deste miasma cultural, ou seja, charrete ou carroça. 

AS CHARRETES ESTÃO PROIBIDAS EM DIVERSAS CIDADES BRASILEIRAS - é preciso definitivamente proibir a tração animal em todo o Brasil

As charretes estão proibidas em algumas capitais como Florianópolis,  Rio de Janeiro (Paquetá), Curitiba, Recife, além de alguns países, como Israel, Índia, etc.  Por que então persistir com a tração animal em Petrópolis se há bons exemplos, utilizando carrinhos elétricos nas citadas cidades?  

Para melhor exemplificar, a Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, mantinha a tradição e cultura das charretes.  Nós, libertadores dos animais, conseguimos pôr fim a este sofrimento e hoje os ex-charreteiros usam carrinhos movidos a combustão, um modelo parecido com carrinho de golfe.  E não houve prejuízo à economia local e os trabalhadores estão muito satisfeitos.  O exemplo ou paradigma serve para Petrópolis!

CAVALOS CONSOMEM  EM MÉDIA 40 LITROS DE ÁGUA DIARIAMENTE - são palavras de estudiosos sobre equinos

Muitas pessoas não sabem, mas os cavalos consomem em média 40 litros de água por dia, variando com a quantidade de alimentos que ingerem e seu peso.  Na verdade, um cavalo adulto pesa em torno de 400 quilos, podendo variar para bem mais e tem expectativa de vida de 25 anos.  Sinceramente, eu não acredito que por mais bem que seja tratado um animal utilizado como tração animal via carroça ou charrete haja essa preocupação, fornecendo-lhe bastante água. assim como  alimentação balanceada, médicos veterinários à disposição, baias de qualidade e horas necessárias de descanso.  Eles ficam à mercê da utilização como transporte.  Como  há tempo hábil para cuidar deles como merecem? Onde há reservatório de água para eles?  Vamos acabar com a tração an imal e deixá-los viver livres.  Em Petrópolis são em média 14 charreteiros e algumas dezenas de cavalos que podem e devem viver livres no curral construído pela prefeitura. Lembro que cabe ao Poder Público zelar pelos animais. NÃO é favor - é lei!

Portanto, não há um porquê para que o problema não seja resolvido!
O conhecimento, o bom senso, a compaixão pelos animais estão bem acima do poder econômico ou sobrevivência de charreteiros que, à luz da boa vontade dos governantes, podem evidentemente substituir as charretes pelos citados carrinhos elétricos, popularmente conhecidos como " tuck tuck".   Basta querer resolver o problema e a vida se tornará harmoniosa e todos viverão em paz, charreteiros e cavalos livres.  E que seja assim daqui para frente!


Gilberto Pinheiro
jornalista, palestrante em escolas, universidades
destacando a senciência e direitos dos animais


 Somos o coração, a alma, a voz dos animais
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