Edição: segunda-feira, 05/03/2018
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Gilberto Pinheiro
COLUNISTA

A AGRESSIVIDADE ATÍPICA DOS ELEFANTES - quando ainda filhotes presenciaram a morte de seus pais por caçadores cruéis e desumanos 

 Eles percebem e sentem muito mais que imaginamos.  Sim, os elefantes são paquidermes que têm extrema sensibilidade e percepção do que está ao redor.  Além disso, memória prodigiosa, portanto, não esquecem facilmente o que ocorre com eles, caso, por exemplo, maus-tratos ou vivenciarem a morte de alguns de seus pares, principalmente, por caçadores inescrupulosos e desumanos.  Depois da descoberta da senciência dos animais, ficou bem mais fácil entender a vida e a reação  dos animais em situações diferenciadas frente a qualquer adversidade ou até mesmo quando são bem tratados por algum ser humano.  A senciência dos animais não pode mais ser descartada pela sociedade contemporânea, modificando assim o entendimento, respeitando a vida da fauna existente, inclusive, preservando-a da crueldade humana. 

 

O fato que irei descrever ocorreu na África do Sul, um convite à reflexão de todos nós para que tenhamos respeito a vida de todos os animais.   Trata-se de um fato atípico:
normalmente, os elefantes são animais dóceis, sendo nômades e caminhando em grupo, em busca de alimentos e praticamente não têm predadores, tendo em vista o seu porte elevado, sendo animais que pesam em média cinco toneladas e atingem os quatro metros de altura.  São herbívoros, alimentando-se de folhas e frutas e pacíficos. Comunicam-se entre si com diversos sons diferentes, conhecidos como bramidos.

A REBELDIA - destruição de fazendas pelos elefantes  

Certa vez, manada de elefantes invadiu uma fazenda produtiva de alimentos herbívoros, não para se alimentarem,mas destruindo tudo à frente, agindo com extrema rispidez e agressividade. Mas, não parou por aí.   Posteriormente, as cenas de destruição repetiram-se  diversas vezes e ninguém entendia o porquê e a razão.  Os fazendeiros ficaram estupefatos, haja vista não entenderem a agressividade desses animais, considerados, como afirmei acima, dóceis.  Alguma coisa estava errada.  Assim, procuraram biólogos, zoólogos, pedindo-lhes ajuda, para que não mais ocorressem destruições, levando-lhes prejuízo e perigo iminente às suas vidas.  

BIÓLOGOS E ZOÓLOGOS -  estudando o comportamento arredio dos paquidermes

Os próprios biólogos e zoólogos estranharam o comportamento dos elefantes, pois não é normal tanta agressividade, sendo eles pacíficos por natureza.  A reação dos animais demonstrava que  havia algo que incomodava-os muito e precisava ser esclarecido, pondo fim à reação atípica.   Resolveram então entrar nas matas africanas e por lá permaneceram aproximadamente vinte dias, analisando os detalhes, tirando fotos, filmando o dia a dia deles, acompanhando-os de perto.  Era preciso desvendar o enigma que provocava reações agressivas.    Depois de muito analisarem, concluíram que eram animais de pouca idade e deles se aproximaram  aos poucos, acariciando-os, ganhando a confiança de cada um.
Isso demandou algum tempo, afinal, os animais demonstravam ódio contra os humanos. Por isso, a dificuldade na aproximação.  Mas, conseguiram lograr êxito e ganharam a confiança de todos eles, conduzindo-os para uma reserva. O amor e respeito foram indispensáveis para a mudança de comportamento.

O PORQUÊ DE TANTA REBELDIA E AGRESSIVIDADE -  viram de perto os pais serem mortos por caçadores

Curiosamente, todos eles já tinham sido estudados por  parte de pesquisadores de universidades e também por eles mesmos em tempos passados,  percebendo uma identificação no corpo de cada um.  Através disso, descobriram que quando filhotes presenciaram a morte dos pais por caçadores cruéis e insensíveis, matando-os impiedosamente para a retirada do marfim,haja vista a grande aceitação comercial do mesmo, principalmente, na Ásia.   Então, cresceram com tal lembrança na memória, deixando-lhes um rastro de sofrimento e ódio contra humanos.  Realmente, os elefantes têm memória prodigiosa e estava então revelada a razão de tanta agressividade.   Passaram a ser tratados na reserva com toda atenção, carinho e proteção de guardas ambientais e voltaram à normalidade, vivendo tranquilos c omo é de praxe na família elephantidae. O fato aqui descrito ocorreu há aproximadamente dez anos e, inclusive, cito-o em palestras educativas nas escolas e universidades.   Lembro que tais peculiaridades de sentir, ter consciência, sentimentos e emoções são provas insofismáveis da senciência dos animais e, por isso, precisam ser protegidos, respeitados, merecendo viver livres em seus  habitats naturais.  Por isso, podemos afirmar enfaticamente - eles sentem muito mais que imaginamos.   

Gilberto Pinheiro é jornalista,
palestrante em escolas, universidades
sobre a senciência e direitos dos animais

Chegará um dia em que os homens verão o assassinato de um animal como agora veem o de um homem.
Leonardo da Vinci

Somos o coração, a alma, a voz dos animais 



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