Edição: domingo, 15/04/2018
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Gilberto Pinheiro
COLUNISTA

A INDIFERENÇA DAS AUTORIDADES NA ÁREA DE EDUCAÇÃO 

Escolas precisam ministrar a disciplina "a senciência e direitos dos animais" . É preciso insistir no assunto  para fenecer a indiferença

A indiferença em relação à defesa e direitos dos animais por parte de autoridades brasileiras subscreve a má vontade e o especismo reacionário, algo incompreensível nos tempos atuais, quando prevalecem o saber e a informação qualificada.  É algo que fere a sensibilidade, o senso de ética e justiça, tudo aquilo de bom que precisamos preservar para o bem da vida em sua totalidade. A impressão que causa é que não vale a pena "perder tempo" com os argumentos dos ativistas na defesa da fauna, algo surreal e extravagante, compromisso de "gente que não tem o que fazer".  Infelizmente, essa é a dura realidade que enfrentamos.  O tempo passa, e pouco é modificado, com leis muitas vezes inócuas, brandas, apenas para dar satisfação à sociedade.  .

O ESPECISMO TRAZ A REBOQUE O MITO QUE OS ANIMAIS SÃO DESPREZÍVEIS
Desde os primórdios dos tempos há entendimento que os animais são vidas inferiores - o especismo tem raízes profundas na insensibilidade 

Desde os primórdios dos tempos, criou-se o mito que animais são seres inferiores e nascem para servir à Humanidade como melhor lhe aprouver.
A ontologia cartesiana é uma das maiores referências negativas em relação ao fato.   Estão no mundo para servir ao ser humano e nada mais que isso, concedendo salvo-conduto àqueles que desejam utilizá-los como tração animal, alimentação, serviços pesados, caça, divertimento, etc...
Tais conceituações atravessam o túnel do tempo, fomentando a indiferença  em relação a esses seres vivos e sencientes, salvo, raras exceções!
A resistência por parte de autoridades responsáveis pela Educação no país  causa-nos estranheza, entendendo que não há tempo hábil nem professores para ensinar o que precisa ser ensinado, esquecendo que os que conhecem o assunto esperam uma singular oportunidade para tal objetivo. 

CAUSA PROTETIVA AOS ANIMAIS 
Até quando precisaremos insistir que é fundamental ensinar-se nas escolas sobre o alusivo assunto?

Os referidos estudos assim como as leis protetivas aos animais  precisam ser ensinados amplamente nas escolas, faculdades para modificarmos o que precisa ser modificado.  Mas, escolas, em boa parte delas, não abrem as portas para tais objetivos, talvez um entendimento como se fôssemos tolos, sujeitos sonhadores, distantes da realidade. Ensejo lembrar que as conquistas sociais surgiram através da insistência de idealistas sobre assuntos específicos,  convencidos da imperiosa necessidade de mudanças de valores culturais e científicos, através do responsável entendimento e da informação qualificada, tarefas dificílimas que exigem  educação nas escolas na formação de futuros cidadãos e cidadãs bem informados e respeitadores à vida como um todo.

 Imaginem, por exemplo, a Ciência e os pesquisadores:  se não houvesse insistência,  acreditando em nobres ideais para melhorar a qualidade de vida, não haveria tecnologia moderna e cura para determinadas doenças, antes consideradas incuráveis.  E isso ocorre em todos os campos da pesquisa científica pelo bem da evolução da vida como um todo.  E a senciência dos animais advém dessa metodologia científica e proficientes estudos por parte de neurocientistas trabalhando incansavelmente, descobrindo que os animais possuem todos  os substratos indispensáveis à formação da consciência.  Por que não podemos ensinar aos alunos essas novas descobertas? Qual a razão para o impedimento?

MEIO AMBIENTE - é preciso inserir na disciplina sobre meio ambiente os estudos relacionados à senciência e direitos dos animais 

É preciso educar nas escolas sobre a causa protetiva aos animais e não é possível que haja resistência por parte dos responsáveis pela Educação nos estados e municípios brasileiros  É  indispensável interagir com os palestrantes, saber ouvi-los, traçar metas e metodologia  de ensino e, inclusive, inserir na grade escolar  e, em especial, na disciplina inerente ao meio ambiente que trata da fauna e flora, como ocorre em alguns países mais avançados que o Brasil.   Faz-se mister sair da inércia para a ação, modificar paradigmas em relação à causa protetiva aos animais, cientes que  estamos em tempos em que prevalecem o bom senso, a civilidade e a inteligência, à luz de novos conhecimentos que não podemos abrir mão.  Vida é para ser preservada e tudo deve ser feito para tal fim, afinal, a evolução é indispensável na formação de sociedades mais avançadas, justas, pacíficas e respeitadoras à vida animal.  

À luz dessas palavras, cito Albert Einstein que no decurso de sua vida acadêmica, não apenas como laborioso e singular cientista, mas como professor que deixou um legado de conhecimentos exemplares à Humanidade em seu livro Como Vejo o Mundo.  Tratando-se de assunto específico alusivo à Educação, determinado momento  afirma com ênfase e singularidade as seguintes palavras:  "não basta ensinar ao ser humano algo específico, uma vez que poderá tornar-se uma máquina repetitiva. É preciso muito mais - é indispensável que se desperte o senso do que é belo e vale a pena ser empreendido para que o ser humano encontre o seu verdadeiro espaço junto à sociedade em que vive, prevalecendo o que seja grandioso e altivo em sua alma."

Eu complemento, entendendo que devemos incentivar as virtudes  para que o homem encontre a elevação, ciente que os animais são dignos de nosso respeito e compaixão, pois sentem como todos nós.  Deixemos de lado a indiferença; é necessário deixar o coração se manifestar.  Assim, haverá grandeza da alma e o mundo precisa de mais amor.  Os mestres são reformadores e o mundo não pode prescindir da ajuda deles, educando sempre, abrindo janelas para a luz do conhecimento surgir.    

Gilberto Pinheiro
jornalista, palestrante em escolas, universidades
sobre a senciência e direitos dos animais

e-mail: pinheiro.gilberto@bol.com.br            
Somos o coração, a alma, a voz dos animais



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