Edição: domingo, 07/01/2018
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Gilberto Pinheiro
COLUNISTA

 

 

FOGOS E ROJÕES - prejudiciais às saúdes humana e dos animais. É preciso pôr fim com novas leis  

Todo final de ano a mesma coisa: o espocar de fogos nas praias, cidades interioranas e capitais de todo Brasil, comemorando o Réveillon, como se tudo fosse se modificar para melhor e, por isso, razão de tanto barulho, sem se preocupar com o próximo.  Parece simulação de  um ataque ou bombardeio de tanques e aviões em insanas guerras, afinal, o barulho é semelhante.  As prefeituras, infelizmente, não se sensibilizam para acabar com isso, com raras exceções, chegando, inclusive, a liberar verbas para tais festividades, alegando lucro e progresso para as cidades, atraindo turistas.   Só se pensa em dinheiro e pouco importa a saúde humana e dos animais.

O erro se repete e as autoridades permanecem tácitas, silenciosas,ausentes de vontade para pôr fim aos shows  pirotécnicos e barulhentos - não interessa contrariar para não perder votos e a demagogia prevalece.  Muitos humanos ainda estão presos aos grilhões do atraso, não percebendo o óbvio, o prejudicial à saúde humana e animal.   Nada contra a comemoração em datas especiais, todavia, precisamos ponderar e entender que os rojões prejudicam demais a saúde de doentes internados em hospitais, de pessoas que não suportam barulho,  além dos animais que sofrem desesperadamente com esta forma incompreensível de comemoração que ultrapassa o limite do bom senso.

AUDIÇÃO DOS ANIMAIS - superior a dos humanos muitas vezes - eles ouvem até o infrassom

Está na hora de parlamentares criarem leis que proíbam definitivamente o espocar de fogos em todo o Brasil.  No caso dos animais, são os que mais sofrem com esta balbúrdia.   A audição deles é muito maior que a nossa. Enquanto o ouvido humano tolera no máximo  20 mil Hz, os cães ouvem em média 50 mil Hz e os gatos 65 ml Hz.  Qualquer barulho que não incomode tanto os humanos, para os animais é algo absurdo, haja vista a sensibilidade sonora que eles têm.  E não se limita a cães e gatos. Pássaros também são muito sensíveis ao barulho dos fogos, assim como os morcegos que são capazes de ouvir o ruído provocado por um fio de apenas 0,5 milímetro de espessura em pleno voo rasante. Imaginem o barulho dos rojões em relação à fauna?  Todos eles, que vivem em centros urbanos, sofrem em demasia. 

INFRASSOM - os animais ouvem o que humanos não são capazes de ouvir

Os animais ouvem, inclusive, o infrassom, o que é incapaz aos humanos.  À luz dos fatos, imaginem o quanto é prejudicial aos animais  o barulho ensurdecedor  provocado pelos fogos em datas comemorativas, principalmente, as festas de ano novo?  
Em tais datas comemorativas muitos animais ficam sozinhos em casa, pois os seus tutores viajam, deixando-os à mercê da sorte e eles não sabem se defender do barulho.  Muitos  fogem e outros se matam, tamanho desespero, além da morte súbita causada pelo insólito medo.  
Os rojões estão cada vez mais potentes, algo que beira a irracionalidade.  Que prazer há em soltar um morteiro ou algo semelhante produzindo barulho?

FOGOS DEVERIAM SER SILENCIOSOS - haveria mais beleza e civilidade

Pode-se  e deve-se comemorar o Réveillon ou passagem de ano com fogos, desde que sejam silenciosos.  O ser humano precisa evoluir, entender que barulho é algo primitivo, nocivo à saúde humana e de toda a fauna.   As crianças recém-nascidas sofrem muito com tamanha aberração.   É preciso deixar de lado o individualismo e pensar no bem-estar do próximo, ou seja, no próprio ser humano e nos animais, afinal, não são os rojões que serão responsáveis pela  mudança do ruim para melhor,  pelas frustrações e derrotas do ano que está no fim,  mas a mudança íntima de cada um, melhorar-se, aperfeiçoar-se para saber viver em coletividade, entendendo que somos limitados e o direito de um termina onde começa o do próximo. O restante é artificialidade, egocentrismo,&nb sp; viver o momento como se fosse o último, dispensando as regras de boa convivência e educação.  Em síntese, fogos de artifício sim, mas sem provocar barulho ou algo que beira a estupidez e, por que não dizer, à irracionalidade.

Gilberto Pinheiro
jornalista, palestrante em escolas, universidades
sobre a senciência e direitos dos animais

Somos o coração, a alma, a voz dos animais



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