Edição anterior (1218):
segunda-feira, 12 de março de 2018
Ed. 1218:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1218): segunda-feira, 12 de março de 2018

Ed.1218:

Compartilhe:

Voltar:


  Colunistas
Gilberto Pinheiro
COLUNISTA

PLEBISCITO EM PETRÓPOLIS DECIDIRÁ PELA CONTINUIDADE OU FIM  DAS CHARRETES 

Inexplicável e inesperada decisão parlamentar, surpreendeu ativistas e charreteiros - estava acertado que as charretes seriam substituídas por carrinhos elétricos.

Por que então plebiscito?

Trata-se de um assunto que já fora reiteradas vezes conversado, debatido em Petrópolis, encantadora cidade imperial que utiliza a tração animal há longo tempo, na verdade desde a época imperial, um suposto romantismo às custas do sofrimento animal, em nome de descabida tradição cultural. Ora, tradição e cultura se modificam exatamente com o passar do tempo.  Quem assim desejar ou entender que as charretes devem ser preservadas, que visitem o Museu Imperial,  local de muitas delas que ali estão, além de bem conservadas e verão de perto as que realmente transitavam nos idos do século XIX.  Sugiro também  que vistam-se de acordo com as roupas da época do Império e comuniquem-se através da mesma linguagem coloquial daqueles saudosos tempos, vivenciando a época da Corte Imperial com sua pompa e indefectível glamour. 

DUAS CORRENTES ANTAGÔNICAS - os que defendem a manutenção das charretes (vitórias) e os que defendem o fim da exploração dos equinos

 Há duas correntes antagônicas em relação às charretes - os conservadores, entendendo que atrai o turista e, portanto, favoráveis à permanência das mesmas e os de vanguarda, contextualizados nos ativistas que entendem que os animais não podem mais continuar a ser prejudicados, para manter uma tradição sem sentido e que prejudica os equinos, nada acrescentando de útil à cidade.

CARRINHOS ELÉTRICOS SUBSTITUIRIAM AS CHARRETES - esta foi a decisão acordada entre defensores dos animais e charreteiros   

 Inesperadamente, mudou-se a regra do jogo, optando pelo plebiscito.  Com todo respeito, mas quem aprova a utilização das charretes puxadas pelos infelizes cavalos, não sabe o quanto eles sofrem.  Lembro que eles são sencientes e, sendo assim, nada justifica a exploração.  Cultura, tradição se modificam naturalmente. Temo pela continuidade das charretes, um atraso injustificável em nome da insensibilidade e pouco caso em relação à vida dos equinos.  O  plebiscito ocorrerá no mesmo dias das eleições em nosso país.

Lembro-me bem que no governo passado, na gestão do prefeito Rubem Bomtempo,  fora acordado entre autoridades locais, ativistas petropolitanos o fim da tração animal, ou seja, a não mais utilização das charretes que seriam substituídas por carrinhos elétricos. Era questão de pouco tempo a mudança cultural.  Qual a razão da mudança repentina e discricionária por parte dos parlamentares petropolitanos?
Por que modificar o que já estava acordado entre defensores dos animais e charreteiros?

PLEBISCITO - infeliz ideia

Sugerir plebiscito é infeliz ideia e erro de entendimento dos parlamentares locais, tirando  a responsabilidade das costas,  deixando a decisão à mercê do povo petropolitano que, possivelmente, desconhece o sofrimento animal.  A cidade tem outras formas atrativas para sensibilizar turistas, visitando-a.  Petrópolis tem uma população estimada em 298 mil pessoas e 244 mil eleitores.   Será que os moradores de Petrópolis sabem que em diversas cidades interioranas que também exploravam charretes, não mais são assim?
Será que o povo que irá decidir sobre a continuidade ou não das charretes conhece a legislação que ampara e protege os animais?  Conhece, por exemplo, o artigo 225 da CF/88 1º / VII e a lei Federal 9605/98 art.32?
Os políticos da cidade conhecem essa legislação?

CHARRETE É CONSIDERADO MAUS-TRATOS AOS ANIMAIS - pesam em média trezentos quilos, além  do peso do condutor e  passageiros

Ora, uma charrete de porte médio pesa em torno de trezentos quilos, além do condutor e passageiros, superando, portanto, os  quatrocentos kg.  Os cavalos ficam à mercê desse trabalho exaustivo durante seis horas diárias, debaixo de sol a pino e chuva periódica. Isso é pior que maus-tratos - é crueldade e precisa ter fim!
Não adianta alegar-se que os animais são bem cuidados,  tendo tratamento médico veterinário de dois em dois meses, baias adequadas, etc.  Isso é um sofisma, esconde a verdade dos fatos, dribla a razão em nome de um saudosismo barato, um bucolismo sem sentido  e que tem cheiro de mofo.   É preciso evolução, entender que os animais não são nossos escravos, seres servis, estando à disposição da espécie humana para sua utilidade como melhor lhe aprouver.  

Concluindo, como jornalista, palestrante em escolas e universidades sobre a senciência e direitos dos animais, ex-articulista da Amaerj - Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro e também ex-consultor da CPDA/OAB-RJ, lamento profundamente a inaceitável e desproposital decisão política local, subjugando a vida animal, desprezando o bem-estar deles, através de um inoportuno  plebiscito para não se comprometerem e assim ficarem bem com os eleitores.  Não será demagogia? 
-Tenho dito!

 

Gilberto Pinheiro
jornalista, palestrante em escolas
universidades sobre a senciência
e direitos dos animais

 

e-mail: pinheiro.gilberto@bol.com.br
Somos o coração, a alma, a voz dos animais
Gilberto Pinheiro



Edição anterior (1218):
segunda-feira, 12 de março de 2018
Ed. 1218:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1218): segunda-feira, 12 de março de 2018

Ed.1218:

Compartilhe:

Voltar:


Casando com Estilo








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior