Edição: domingo, 15/04/2018
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  Cultura

O audiovisual na cidade de Petrópolis

Yuri Lima yuri.lima@diariodepetropolis.com.br

 A história do rock petropolitano será contada em um documentário: aspecto cultural do município registrado em vídeo

A história da produção audiovisual em Petrópolis é muito rica e mostra inúmeras perspectivas sobre a cidade. Um exemplo disto são as produções do jornalista César Nunes que, em um período de 40 anos, registrou a passagem do tempo na Cidade Imperial nos cine jornais. O tempo passa e a produção passa a ser executada pelas novas gerações, novas ideias assumem a posição dos clássicos, registrando o presente, se inspirando na cidade e fazendo florescer novas formas de enxergar a nossa comunidade.

Colégio Estadual Dom Pedro II


 Desde o ano de 2008, o Colégio Estadual Dom Pedro II (CENIP) é o local do Ensino Médio Vocacional Profissionalizante em Produção de Áudio e Vídeo (EMI-AV). O curso forma profissionais, já no ensino médio, com o objetivo de desempenhar atividades relacionadas ao audiovisual. Conversamos com Elaine Mayworm, professora do curso e coordenadora de produção da Mostra Audiovisual de Petrópolis, que falou um pouco sobre o EMI.

- O curso é de duração de três anos, contêm as matérias do ensino médio e matérias de formação profissional, como roteiro, artes cênicas e produção de vídeo. Para ingressar no EMI é necessário que o aluno inicie a partir do primeiro ano pois nos baseamos em projetos e há a necessidade de aprender passo a passo durante os períodos – informou.

Atualmente, além da formação de profissionais, o curso também é um dos organizadores da Mostra Audiovisual de Petrópolis, que atualmente está chegando a sua nona edição.

- O curso é um dos realizadores da Mostra Audiovisual de Petrópolis. Pelo evento, já fomos indicados três vezes ao Prêmio Guerra-Peixe de Cultura. Inicialmente a Mostra foi feita pelos professores e alunos e atualmente tem outros parceiros, algo que fez com que o evento tivesse uma proporção ainda maior – disse.

Atualmente o EMI participa da criação de curtas com a temática referente à tolerância religiosa. O projeto é uma parceria entre Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) e da Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH) e prevê curtas feitos por colégios de todo o estado.

- Atualmente estamos trabalhando junto à Seeduc e o SEDH para falar sobre a tolerância religiosa. Concluímos um curta de uma sequência de quatro que estão em produção – informou.

Além do tema tolerância religiosa, o EMI está em fase de discussão em relação a outro programa que será executado pelos alunos. Trata-se de uma série de curtas relacionados à Copa do Mundo.

- Atualmente estamos debatendo em relação ao nosso próximo projeto, que será sobre a Copa. A idéia é a criação de um documentário com os jogadores que já ganharam Copas do Mundo. Vamos fazer entrevistas, agora estamos aguardando informações sobre investimento – disse.

O curso está no aguardo de informações relacionadas ao transporte e estrutura, que também será do governo estadual. A professora afirma que os projetos de tolerância religiosa e sobre a copa do mundo são desempenhados por alunos de todos os períodos do EMI, primeiro ao terceiro ano do ensino médio.

Além disso, Elaine afirma que existem muitos alunos que estão atuando no mercado de trabalho e fazendo formação superior relacionada ao audiovisual. Como é o caso do da cineasta Laís Diel, que atualmente estuda cinema na UFF e têm curtas premiados, Bruno Pavão, que é estudante de comunicação na PUC-RJ, Wesley Francisco, que é editor de vídeo na rede Globo, Vitor Mattos, da Rede Petrópolis de Televisão.

- Para mim foi sensacional, eu sou apaixonado pelo curso e me deu muita bagagem para que eu pudesse conquistar coisas bacanas no mercado de trabalho. Além da experiência foi bem bacana, vou levar para vida. Foi muito importante para minha formação, eu adorei. Faria tudo de novo, estudaria os mesmos três anos porque foi uma experiência incrível – declarou Vitor Mattos.

No Diário nós temos dois profissionais formados no curso do EMI, trata-se dos jornalistas Vítor Garcia e Bruno Freittas.

- Eu diria que o EMI me ajudou bastante em minha vida acadêmica. Desde pequeno queria cursar comunicação, mas o EMI me despertou o gosto e me deu a base para que isso fosse possível. Os professores são extremamente atenciosos, e a relação que se estabelece com eles é de pura amizade, o que facilita muito no aprendizado. Muito do que vejo na faculdade agora, eu já tive a chance de ver no ensino médio, e isso é um grande diferencial. O EMI me fez ver na prática o quão positivo é o ensino em tempo integral – afirmou Bruno Freittas.

Alguns apoiadores do curso e da Mostra, que foram citados por Elaine, são Aline Castella (Cine360º), Beatriz Ohana (Canal Quimera e Cine Pagu), Diana Iliescu e o secretário de cultura Leonardo Randolfo. Todos trabalham pela cultura da cidade seja por intermédio de cineclubes e ações voltadas para o tema, tal como debates, além de produções cinematográficas.

Para maiores informações sobre a Mostra Audiovisual de Petrópolis acesse www.mostrapetropolis.com.br.

Documentário conta a história do rock em Petrópolis

Além do EMI, existem iniciativas independentes que buscam retratar a cidade em vídeo. Este é o caso da obra produzida pelo jornalista Roberto Oto, que atualmente é professor e coordenador do curso de jornalismo na Universidade Estácio de Sá. Junto com Erika Vogel e o cineasta Grégori Bastos, estão produzindo o documentário intitulado “O som por trás da neblina”, que conta a história do rock em Petrópolis.

- O documentário é sobre como e por que o rock`n roll se difundiu em Petrópolis. É um filme que trata de um aspecto cultural da cidade - informou.

Segundo o jornalista, o nome do documentário é a referência entre um aspecto da cidade com a história do rock que, para ele, é algo que ainda não é conhecido pelo público.

- O nome do documentário é porque temos uma história velada, desconhecida, encoberta pelas características mais comuns da cidade. Quem relaciona Petrópolis ao rock? Mas a relação existe e é muito interessante - informou.

O documentário mostra toda a trajetória dos músicos independentes na cidade. Com entrevistas exclusivas, a ideia é compreender como o estilo musical se relaciona com a história de Petrópolis. Para Oto uma das curiosidades é que o estilo musical não é algo contemporâneo. “Voltamos aos anos 1960 para encontrar as origens do rock na cidade - declarou”.

Roberto Oto tem experiência no jornalismo local para ele o documentário é um novo rumo para sua carreira.

- Na área do audiovisual, minha experiência está, sobretudo, no campo do jornalismo ambiental. Nesse contexto produzi reportagens, institucionais e documentários. "O som por trás da neblina" é uma nova aventura tanto pessoal quanto profissional - declarou.

O trailer da produção já pode ser encontrado nas mídias sociais como o Facebook e o YouTube. Neste momento, o documentário está em fase de edição.

- Praticamente todas as entrevistas foram gravadas, uma pequena parte do filme foi editada e um teaser foi lançado - disse.

Atualmente, “O som por trás da neblina” não tem uma data de lançamento oficializada. Isto se dá por alguns empecilhos que a produção encontra.

- Falta tempo e recursos financeiros. Será que mais alguém precisa disso também? - falou.

O trailer do documentário do jornalista Roberto Oto pode ser encontrado no Youtube e pela página www.facebook.com/osomportrasdaneblina.

 



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