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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

PARA FICARMOS MAIS SATISFEITOS COM A POLÍTICA

Observando a cena política brasileira, não podemos deixar de constatar o grande desalento dos eleitores em relação aos políticos e ao universo político em geral. Em muitos artigos anteriores vimos chamando a atenção para a participação dos cidadãos nas iniciativas de trabalho cívico em suas comunidades, ruas e bairros. Em nosso sistema representativo há um fator fundamental que integra o diálogo entre o eleitor e o político escolhido para representar seus interesses – sejam os mais locais, sejam os interesses de âmbito estadual ou nacional: os partidos políticos.

A política molda nossas vidas. Por isso, precisamos de bons políticos e também, gostemos ou não, de bons partidos políticos. É a lição que a História nos ensina. No passado, os partidos não eram “sociedades” no sentido que hoje atribuímos. Pode-se dizer que eram mais facções da população em torno de algumas lideranças pessoais. Assim, aprendemos que os aristocratas que dominavam o Senado na antiga Roma assassinaram Julio Cesar, representante da força populista dos plebeus, em escalada crescente de poder. Da mesma maneira, o olhar do historiador contemplou em Constantinopla, no auge do império bizantino, os chamados “verdes”, de um lado, e os “azuis”, de outro, disputando desde as corridas no hipódromo até a influência junto aos Imperadores.

O desenvolvimento organizado da partidarização veio com a instalação do regime republicano nos Estados Unidos da América. Com ele tivemos o pluripartidarismo para acomodar as diferentes maneiras de se pensar em fazer política. Com efeito, em países de democracia amadurecida, verifica-se a existência de dois, três ou quatro partidos que acolhem os diferentes políticos que, resguardadas suas diferenças pessoais, tem uma plataforma comum e um modo organizado de se dedicarem à vida pública. Aliás, a vida partidária já é, em si própria, um aprendizado para a composição de interesses particulares sob o guarda-chuva de um partido que vise o interesse público maior.

Não é, infelizmente, o que assistimos no Brasil. Aqui, vemos mais de trinta partidos constituídos em tese para atender o desejo válido de cidadãos participarem da vida econômica, social e política. A maioria, porém, atua na prática como um verdadeiro balcão de negócios, um desvirtuamento imoral e, em muitas ocasiões, também ilegal, como estamos fartos de ver no noticiário. Não é de se estranhar, portanto, que isto nos tenha levado à crise que vivemos em nossa jovem democracia.

Juan Linz, grande cientista político do século XX, já se manifestava sobre a necessidade dos partidos se entenderem como os maiores guardiões da democracia, o que, na prática, implica em uma série de ações. A primeira destas ações seria a constante preocupação com seus quadros, especialmente, a emergência de políticos sem compromisso com a democracia, fáceis de serem identificados por suas alocuções rejeitando as regras do jogo político, questionando a legitimidade dos oponentes, encorajando a violência, a divisão radical entre as pessoas e a restrição as liberdades civis dos oponentes.

Não podemos, porém, limitar a preocupação com as pessoas. Os partidos não podem tolerar grupelhos com convicções extremistas e antidemocráticas – “autênticos”, “ala jovem radical”, ou como queiram se denominar – infiltrando-se entre seus membros corretos só porque se se dizem possuir uns tantos milhares de votos, mas que apenas querem fazer um atalho em sua corrida pelo poder.

Também os partidos devem atentar para as alianças que pretendem fazer com outros partidos de propostas absolutamente divergentes. Nitidez dos políticos e partidos é o que o eleitorado quer ver.

Dito isto, a capacidade de superar disputas de egos, de adesão a salvadores da pátria e construir alianças transparentes para o público, fundadas em interesses elevados, é um ponto importantíssimo. O presidencialismo de coalizões que o Brasil vem praticando foi o mesmo caminho pelo qual trilharam no passado recente Hitler, na Alemanha, e Chávez, na Venezuela – que foram legitimamente eleitos para, em seguida, começarem a destruir sistematicamente as instituições democráticas.

Para os partidos é fundamental saber trabalhar as importantes preocupações de nível nacional e, também, aquelas que afetam o núcleo mais próximo de cada eleitor, o nível local. Partidos devem também defender aspirações das comunidades e bairros nas suas propostas de ação. Lembremos que os eleitores vivem na cidade e tem cuidados e desejos em relação a ela. Se não houver esta disposição de parte a parte – o eleitor, de lutar pelo que quer, e os partidos de representar interesses coletivos – a política ficará esvaziada.

Um caso que se configura típico em nossa cidade é a anunciada construção de 700 moradias no chamado Sítio das Freiras, na Estrada do Caetetú. Esse é um terreno sensível do ponto de vista ambiental, sem capacidade de acolher esta concentração absurda de residências que certamente o levariam a se tornar uma espécie de "Chapadão" local. Aliás, todo o trecho da União e Indústria, do Posto 2 até o fim do retão de Itaipava, já está um caos em matéria de trânsito. Isto acontece porque no passado não foi exigido das incorporadoras a contrapartida devida para implantação de inúmeros projetos que aumentaram a densidade habitacional da área. O recente transbordamento do Rio Piabanha evidenciou o quanto ainda necessitamos de melhorias básicas na infraestrutura dessa área.

Enfim, esta “causa do bairro” oferece boas oportunidades para políticos, candidatos a políticos e seus partidos defenderem a sociedade perante autoridades locais. Partidos poderiam trabalhar e propor soluções alternativas visando o atendimento de expectativas manifestadas por lideranças comunitárias. É o trabalho que se espera de bons partidos e bons políticos.

Eleições gerais se aproximam. Vamos levar em conta as lições da História, analisar quem se apresenta e apoiar aqueles que realmente façam por merecer e reúnam as condições necessárias para defender os interesses legítimos do eleitor.

 
 
 
 


 

 


 
 



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