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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

POPULISMO

As três ideologias predominantes ao longo do século XX foram o Liberalismo, o Fascismo e o Comunismo.

Quem analisa política frequentemente se depara com o termo “Populismo” aplicado no sentido pejorativo, como uma forma de fazer política eivada de falsidades para conquistar eleitores com promessas impossíveis de serem cumpridas ao longo do tempo. São propostas do tipo: “Comigo no governo os remédios custarão um real...”, “A moradia será de graça para todos...”, “Todo mundo se aposentará aos 50 anos de idade e assim criaremos mais empregos...” – e afirmações deste gênero que iludem o eleitor.

Devemos observar ainda que o termo também pode definir uma ideologia própria, como se vê entre os Peronistas, na Argentina, no sentido de que este belo discurso vise o nobre fim de governar voltado para as prioridades populares.

É algo bem antigo no mundo, sendo apontado pelos gregos como um câncer que corrói a democracia ou, na Roma antiga, um crime cuja pena era o banimento da República, tendo sido mesmo a causa do assassinato de Julio Cesar, tido como um populista manipulador das massas plebeias.

O termo “Populismo” em suas acepções mais nobres é usado para caracterizar governos com forte engajamento popular na tomada de decisões. É uma variante do “assembleísmo” ou do “basismo” (“... vamos consultar nossas bases...”). Na prática, a ação fica estagnada pela excessiva preocupação de levar tudo à discussão de todos.

Uma outra forma de emprego deste termo, atualmente muito comum, é atribui-lo a regimes onde um líder forte e carismático governa com frequente apelo a plebiscitos e consultas diretas à população. Estes visam sempre obter uma chancela ou “voto de confiança” para medidas não raro questionáveis sob a ótica da boa gestão de recursos públicos. Normalmente tais medidas são aprovadas mais pela habilidade do líder carismático vendê-las embrulhadas em belas palavras do que pela exequibilidade que possam ter. Estes governantes se colocam como possuidores de poderes especiais para que possam agir livres de condicionantes legais. Um exemplo é o Presidente (ou, melhor dizendo, Ditador) Nicolás Maduro, da Venezuela, que diz receber ordens de seu falecido antecessor Hugo Chavez, que a ele se apresenta sob a forma de um passarinho. Quando a isso se acrescentam pitadas de leninismo, como a apropriação de poderes despóticos, as ações são justificadas para “eliminar o jogo das elites”, “acabar com as reações dos inimigos do povo”, etc., sempre no intuito de explorar antagonismos reais ou potenciais.

Como uma ideologia – conjunto de normas e visões sobre a natureza do homem e como ele deve se organizar em sociedade – o Populismo não é tão dogmático quanto outras ideologias, tais como o Nazismo, o Fascismo, o Comunismo ou o Liberalismo. Isto o faz conviver bem e ser usado como prática política, instrumento de tomada do poder por adeptos de todas estas ideologias.

No Brasil atual, temos o populismo de direita (como o que apresenta o candidato Bolsonaro e está se tornando muito comum em regimes europeus do leste, onde campeia um forte nacionalismo) e populistas de esquerda (como se apresenta o candidato Haddad, ligado a ideias mais distributivistas de riquezas inexistentes ou palavras de ordem da esquerda internacional, como direitos de minorias levados a extremos, que podem enfraquecer bases em que se ampara a coesão social (pois antes de ser mulher, negro, LGBT ou o que seja, as pessoas são iguais, como cidadãs).

Sem níveis aceitáveis de alinhamento no plano de valores não ocorre a coesão social que deve presidir uma sociedade democrática.

O Populismo explora a terceira dimensão da retórica aristotélica – a do Pathos – o falar coisas agradáveis aos ouvidos alheios e com isso seduzir pessoas para suas propostas. Não se trata do Ethos – a autoridade do conhecimento de quem enuncia os temas, tampouco do Logos – a lógica da argumentação com predomínio da razão. O populismo busca a empatia, a simpatia, o poder encantatório das palavras e da forma de, com elas, conquistar as multidões para causas que podem ser boas, mas irrealizáveis.

O populismo se constitui em um dos grandes perigos para as democracias. Os cidadãos devem sempre desconfiar dos acenos que indiquem caminhos sem sacrifícios para mundos idealizados, prometidos com base em riquezas inexistentes, mas que surgirão caso se apliquem reformas radicais no funcionamento da sociedade. Os arautos destas mistificações querem desprezar o fato que o mundo no qual vivemos é o resultado de um lento progresso evolutivo, alcançado com muito esforço e participação de todos e não “presente” que receberemos de um líder qualquer.



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