Edição anterior (1190):
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
Ed. 1190:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1190): segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Ed.1190:

Compartilhe:

Voltar:


  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

INFORMAÇÃO E PENSAMENTO POLÍTICO?

Ao discutirmos a história da evolução do pensamento político em artigos anteriores, passamos por quase 5 séculos de concepções diferentes, com alguns pontos em comum entre elas, que derivam de características peculiares às sociedades antigas: economias agrárias ou comerciais, guerras territoriais, administração das cidades, papel do cidadão, profissionalização do exército, crenças, religiões e temas similares.

Como se viu, estas ideias estão registradas em antigos textos. Trouxemos como exemplos a Bíblia, a Ilíada de Homero, a República de Platão e a Política de Aristóteles, além das ideias seminais de Confúcio, recolhidas por seus discípulos no Analectos e as obras do filósofo chinês Mozi, que não é bem conhecido, mas, em tempos atuais, quando vemos a China como potência de primeira grandeza, merece ser mais estudado. Já cabe aqui um pequeno sumário destes primeiros séculos – do oitavo ao quarto AC – especialmente naquilo que eles tem de mais permanente e atual.

O primeiro ponto a ser destacado é a preocupação comum em todos os textos citados com algum aspecto do conceito de “Ordem” – e sua aplicação nas sociedades. Vimos que ela pode ser uma ordem absoluta, autocrática, irrecorrível, como a de Deus na Bíblia, por exemplo, ou, ainda, algo mais "democrático", como as assembleias de deuses do Olimpo, permeadas de idas e vindas nas tomadas de decisões. A questão da Ordem e como mantê-la nas sociedades humanas, os limites da autoridade legal, o monopólio legal da violência, o poder democrático ou o absolutista, são elementos que estão na essência de toda a discussão política até nossos dias.

O segundo ponto comum a destacar é a desigualdade perene de direitos entre cidadãos ao longo de todo este período. Há que se dizer que mesmo nas sociedades ditas “democráticas” segundo o conceito original clássico havia discriminação – pois não se atribuíam quaisquer direitos aos escravos, estrangeiros, algumas pessoas (segundo suas castas), sem falar, dentro de uma mesma classe, da diferença de tratamento entre homens e mulheres.

Um ponto interessante de divergência nos textos já trazidos aqui é a distinção da abordagem quando se fala nos encarregados de manter a ordem. Nos textos orientais há ênfase na necessidade de uma formação específica para os encarregados em manter a Ordem, tarefa especial atribuível a um grupo seleto de pessoas. Por outro lado, nos escritos ocidentais, vemos a orientação mais voltada à formação e ao aperfeiçoamento filosófico e cultural das pessoas, ao seu desenvolvimento e à possibilidade de diversidade de opiniões no campo político.

No oriente, a uniformidade, a busca de apenas "uma certeza" é predominante. Lembrei aqui quão ilustrativa foi a imagem que a TV mostrou recentemente dos 2.300 delegados do Partido Comunista Chinês elegendo por unanimidade o seu líder Xi-Jinping para exercer por mais um período (agora de duração indeterminada) o poder supremo da República e do Partido.

Não é de se admirar, portanto, que com o passar do tempo a expressão individual no Oriente perca bastante peso em relação à coletiva, contrariamente ao que observamos no Ocidente, onde as manifestações individuais, não só na política mas também na arte, na filosofia, nos esportes, etc., são bem mais expressivas. Vou dar outro exemplo. Para quem acompanhou a abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing e de Londres. Nos primeiros milhares de artistas em elaboradas coreografias executadas à perfeição. Nos segundos, ícones individuais cantando ou em performances, como James Bond, a Rainha da Inglaterra, etc. Há milhares de anos de opções culturais por trás de tais inocentes manifestações.

É fácil constatar que, se colocarmos em polos opostos de uma escala, de um lado a “Autoridade” e, de outro, a “Liberdade”, veremos que neste intervalo encontraremos países que representam diferentes graus de restrições à liberdades individuais. Quanto mais a “Autoridade” é presente e abrangente, mais “vigiado” é o indivíduo. Inúmeros estudos importantes como "O Despotismo Oriental", de Wittfogel, caracterizam esta "opção" – o quanto uma sociedade abre mão da liberdade para ter a tranquilidade da Ordem, definida por uma determinada autoridade e exercida sempre sob forte repressão.

Cai-se então, naturalmente, na questão do estado de direito onde prevalece a regra da lei em contraposição a estados totalitários que em nome do "bem coletivo" arbitram o quê, em sua própria visão, convém para todos. Nestes últimos é muito comum ouvir que os fins justificam os meios, ou seja, restrições à liberdade individual, promoção forçada de igualdades são etapas de um caminho em direção a um nobre objetivo, e, portanto, devem ser obedecidas.

No século XXI a contraposição acima é incabível. O caminho político tem que ser percorrido com liberdade, com abertura, compartilhamento de informação, participação na vida política e livre adesão às propostas. Cada vez fica mais claro que a omissão no exercício da cidadania e as restrições à livre circulação de informações que caracterizavam as sociedades do passado levam à implantação de uma ordem aberrante, fascista e que destrói o que de mais peculiar qualifica o ser humano. 



Edição anterior (1190):
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
Ed. 1190:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1190): segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Ed.1190:

Compartilhe:

Voltar:


Casando com Estilo








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior