Edição: segunda-feira, 04/12/2017
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  Economia

Lapidação pode ser retomada em Petrópolis
Setor já empregou mais de 3 mil pessoas na cidade, mas foi praticamente descontinuado

 

Philippe Fernandes

 

Setor que chegou a gerar mais de 3 mil empregos diretos em Petrópolis, nas décadas de 1970 e 1980, pode começar a ser retomado: a lapidação. No auge, a cidade teve 30 e 40 empresas. No entanto, a turbulência econômica nas décadas de 1980 e 1990, que trouxe a hiperinflação e, posteriormente, a paridade entre o valor do real e do dólar, fez com que várias empresas fechassem. Atualmente, a cidade tem apenas quatro empresas do setor, mas entidades setor estão se articulando para viabilizar a atração de novos investimentos.

Investir no setor pode ser um bom negócio: a lapidação tem um faturamento anual de U$S 6,5 bilhões, com possibilidades de expansão e investimentos. Nos estados do Rio, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Bahia, Pará e Tocantins, onde a produção está concentrada, há cerca de 3,9 mil empresas de lapidação joalheria, artefatos de pedras, folheados e bijuterias. Destas, 99% são empresas pequenas. E o futuro do segmento é promissor, uma vez que a demanda é crescente, mas a produção está caindo.

O diretor do Sindicato dos Lapidários de Petrópolis, João Carlos Fabre acredita que a retomada é possível, por conta da tradição que a cidade já teve no setor.

- Hoje, somando a lapidação com a marmoraria, temos apenas cerca de 300 empregos no município. No auge, tivemos 400, 500, até 700 funcionários em cada empresa de lapidação, joalheria ou bijuteria. Petrópolis foi um polo da lapidação e, por isso, estamos tentando reconstruir, levantar o setor na cidade – afirmou, lembrando que a produção era diversificada: no primeiro distrito, a produção era de diamante; e nos distritos, principalmente nas regiões de Araras, Itaipava e Pedro do Rio, havia a lapidação de esmeraldas, ametistas e cristais.

Segundo ele, a queda a lapidação em Petrópolis aconteceu, entre outros fatores, pela abertura repentina do mercado. As empresas não estavam preparadas para o novo momento, e empresas estrangeiras tinham mais estrutura e tecnologia para trabalhar. Além disso, os diamantários – pessoas que negociam os diamantes com as empresas – não tinham como comprar o material bruto e vender para os lapidários, pois a margem de lucro era muito pequena.

Com este cenário, a mão de obra de qualidade que a cidade formou ao longo do tempo se dispersou. Hoje, há petropolitanos trabalhando com a atividade nos EUA, na Rússia, na África e até na Zâmbia.

Fabre acredita que será difícil retomar o ápice de 30 anos atrás, mas aos poucos, a retomada será possível.

- Acredito que podemos retomar isso. Vamos tentar conversar com empresários e todos os atores envolvidos. Esta é uma indústria que agrega bons salários, valor e arrecadação para o município – acredita João Carlos.

Audiência pública será realizada

O tema atraiu o interesse não apenas dos profissionais envolvidos no setor, mas também do poder público. Na última semana, o vereador Reinaldo Meirelles (PP) afirmou, no plenário da Câmara, que está fazendo articulação para buscar o fomento da lapidação em Petrópolis. Meirelles visitou o município mineiro de Coromandel, que fica na divisa com o estado de Goiás. A cidade, de pouco mais de 28 mil habitantes, tem como principais atividades o garimpo e a lapidação.

A ideia de Meirelles é aplicar a experiência dos profissionais de Coromandel na reimplantação do setor em Petrópolis, e trazer integrantes da Cooperativa dos Garimpeiros da Região (Coopergac) para uma audiência pública em Petrópolis, em fevereiro de 2018.

- Estive em contato com a Coopergac e com o vereador Dário Machado, que é integrante da cooperativa. Ele me recepcionou e explicou como está o mercado na região. Pelo que eu pude perceber, a maior dificuldade de Petrópolis hoje é o nosso maquinário, que, além de estar defasado, está parado. Acredito nesta retomada, pois o mercado é muito promissor – disse Meirelles.



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