Disque entulho
segunda-feira, 17/07/2017
Voltar

Moda verde: o consumo sustentável de roupas e acessórios

O novo conceito ganha espaço entre empresários e consumidores petropolitanos

Leticia Knibel -Especial para o Diário

 
 

A moda representa mudança. Uma constante experiência de novas tendências culturais que afetam não só o mercado, mas também o comportamento das pessoas. A moda é viva e cheia de personalidade. Porém, a cada renovação, surgem novas formas de consumo. Em um momento tão delicado, o impacto no meio ambiente causado pela constante destruição dos biomas resultou em novas alternativas para a produção e comercialização de peças na indústria têxtil.

Dentro desse contexto, o conceito de moda sustentável se destaca por ganhar mais espaço tanto para pequenos quanto para grandes produtores do setor. A especialista em moda do Firjan, Nathalia Coelho, explica que moda sustentável é aquela que preza pela ética e respeito ao meio ambiente e a sociedade, valorizando todos os atores envolvidos nas diversas etapas dentro da cadeia produtiva. “Esse conceito sugere uma moda mais humanizada, mais justa, que demonstra transparência nos processos, sem a exploração da mão de obra e que se preocupa com a redução dos impactos ambientais e sociais em diversos níveis. Além disso, se propõe a desenvolver e produzir peças mais atemporais, funcionais e que apresentam maior durabilidade, principalmente por causa das técnicas tradicionais de costuras e práticas manuais”.

A especialista destaca que no Brasil ainda existe uma baixa representatividade desse mercado, comparando com outros países como Inglaterra e Alemanha. Mas, segundo relatório emitido pelo Sebrae em 2012, esse mercado movimenta entre R$ 270 e R$ 362 milhões por ano, uma fatia de mercado que não pode ser ignorada. “Além disso, percebemos que esse movimento vem ganhando força nos últimos anos e o avanço das inovações tecnológicas dentro do setor prometem alavancar a adoção de práticas sustentáveis nas empresas de moda”.

Na contramão do fast fashion, a moda sustentável traz consigo o ideal de qualidade mais durabilidade, além de seguir as tendências do setor com peças cada vez mais modernas. “Percebemos que existe um movimento global, uma demanda do consumidor contemporâneo que está buscando produtos que respeitem o meio ambiente e que são produzidos de forma ética e limpa. Faço questão de ressaltar que sustentabilidade não é um modismo e sim um movimento muito maior”, conta Nathalia.

Com um público cada vez mais preocupado com a preservação do meio ambiente, algumas pessoas têm agregado conceitos de sustentabilidade ao consumo do dia a dia. A especialista explica que existem algumas práticas que têm sido adotadas por consumidores conscientes, como aumento pela procura de brechós, o surgimento de novos modelos de negócios como armários compartilhados ou aluguéis de roupas, eliminando a necessidade de compra e transformando em um serviço. “Outro conceito bastante difundido é o de upcycling, que basicamente é uma nova forma de reuso de peças ou materiais que não tinham mais utilidade, coisas que talvez seriam descartadas. É a reutilização de algo que se tornaria lixo, mas que pode ser aproveitado na sua forma original sem necessidade de intervenção química, que também pode ser uma alternativa mais limpa e de baixo custo”.

A fotógrafa Ana Clara Silveira é adepta dessa tendência e conta que quando se tem uma peça de roupa que já não serve mais, ou que já não gosta, isso não a torna inutilizável. “Temos quer pensar que uma peça de roupa para ser fabricada consome uma série de recursos que não pode simplesmente ser descartada. O ciclo desse material tem que ser mais longo do que o nosso sistema tenta nos vender. Uma roupa que não serve para mim serve pra muita gente ainda e vice versa. Quando você troca ou compra uma peça usada consegue uma série de benefícios, como um preço mais acessível do que uma nova, isso representa uma reflexão sobre a necessidade de consumir e todo o processo de compra e de acumulação. Você pratica o desapego e começa a olhar para o consumo e seus bens de maneira mais humana, mais reflexiva”. A fotógrafa conta ainda que costuma realizar bazares com as amigas para venda ou troca de peças por um valor apenas simbólico. Tal prática ajuda em um consumo mais consciente da moda, tornado a utilização daquela roupa atemporal.

Nathalia explica que para agregar o conceito de moda sustentável em suas produções, as empresas podem trabalhar com matérias-primas menos poluentes, ou seja, fibras naturais ou fibras sintéticas recicladas como o de garrafa Petreciclada, obtidas de forma mais limpa. “É importante pensar na sustentabilidade desde a concepção do produto na escolha dos tecidos e do design mais funcional e atemporal, pensar na otimização dos tecidos no encaixe inteligente da modelagem evitando a geração de resíduos têxteis no processo produtivo, buscando a redução do desperdício e o uso racional de recursos. Além disso, é importante pensar nos aspectos sociais, um grave problema dentro do setor têxtil e de confecção, é preciso estabelecer uma relação não exploratória da mão de obra com remuneração mais justa”.

Seguindo esse conceito, a marca DNZ Diniz Rio já agrega em suas coleções materiais reciclados. Luis Felipe Diniz, que é diretor de Marketing e Novos Negócios da empresa, conta que fazer Moda de forma responsável e sustentável é construir uma marca alinhada com as novas demandas globais. “Já foi época que a indústria do vestuário não tinha tais preocupações. O mundo mudou nesse sentido e a indústria da moda, como uma das maiores do mundo não poderia estar de fora. E nós acompanhamos esse processo! Na coleção que está quase finalizando nas lojas agora - Outono Inverno 2017 - a gente iniciou a produção de tecidos que mesclam a fibra pura do PET reciclado. Tudo isso mantendo nosso padrão de qualidade e conforto. As fibras recicladas e as malhas que levam tais fibras agora dificilmente ficam fora das nossas coleções”, destaca Diniz.

O empresário ainda revela que o futuro da moda gira em torno cada vez mais da consciência. Cada vez menos produtos de baixa durabilidade estarão entrando no guarda roupa das pessoas. “O dinheiro passa a ter mais valor, então acredito que a médio prazo, o fator qualidade vai ser decisivo no processo de compra. E o aumento da consciência coletiva social-ambiental também. A informação está difundida e com o advento das redes sociais, o público denuncia e cobra das empresas posturas éticas e responsáveis sociais e ambientais”, conclui.



Voltar




Casando com Estilo



Topo