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  Diário Comunidades

Moradores do Caxambu atingidos pela enxurrada reivindicam obras

Natália Rodrigues natalia.rodrigues@diariodepetropolis.com.br  - Foto Alcir Aglio


 Cinco meses após a cabeça d’água que atingiu a região da Estrada das Três Pedras, no Caxambu, moradores cobram consertos que ainda não foram realizados no bairro. O incidente que deixou um rastro de destruição ocorreu no dia 3 de março. Até hoje famílias desabrigadas buscam receber o aluguel social.

Uma dessas famílias é do André José Ribeiro da Costa, 48 anos, agricultor e proprietário de duas casas que foram atingidas pela enxurrada. Em uma delas, onde vivia sua irmã com a família, foi parcialmente levada pelo rio.

- Perdi muita coisa naquela chuvarada, vivíamos da plantação que foi toda destruída. O que eu tinha na minha casa foi levado pela água, caixas plásticas que estavam no quintal para transportar as verduras, três caixas d’água e muitas outras coisas – contou.

André relatou que foi impedido pela Defesa Civil de retornar para casa. Na época, sua família foi cadastrada para receber o aluguel social o que acabou não acontecendo até o momento. Além disso, o morador que ficou viúvo recentemente aguarda os consertos prometidos nas margens do rio.

- Ficaram de fazer um muro de contenção e limpar o rio, mas nada foi feito, prometeram aluguel social para nós e não recebemos. Minha esposa faleceu sem realizar o sonho de voltar para casa. Estamos arrumando o que podemos por conta própria, fui um dos mais afetados e deles não estamos recebendo nada. Algumas pontes foram construídas para casas mais abaixo, no meu caso tive que arrumar o trecho do rio e improvisar uma ponte para poder atravessar para a lavoura - falou.

A cuidadora de idosos Dhienifa Aguiar Ribeiro da Costa Moisés é filha do Sr. André e fala sobre as dificuldades que a família tem enfrentado desde quando a cabeça d’água caiu na região.

- Com a interdição da nossa casa, tivemos que ir para outro lugar. Pago R$500,00 de aluguel, por mais que economizemos, gastamos por mês somando ainda luz e água cerca de R$ 800 à R$ 900, fora comida e outras coisas. Meu marido e meu pai trabalham, mas a renda está curta. Tenho dois filhos, precisei sair do emprego para cuidar deles, não tenho quem olhe, minha mãe era quem cuidava para mim, mas ela faleceu há dois meses – disse.

Dhienifa explicou que procurou a Defesa Civil para tentar liberar a construção na antiga casa, e assim fugiria do aluguel.

- Fui à Defesa Civil e falaram que a casa não estava interditada, então íamos retornar para lá, mas fomos avisados que não podemos. Até hoje estamos aguardando solução sobre o aluguel social e a construção de muro para poder ajeitar nossa casa, mas não tenho tanta esperança que vamos conseguir. Se não fosse os moradores se juntarem, acho que a rua ainda estaria descalçada – contou.
 

Iluminação e saúde também preocupam

Claudete das Graças de Oliveira, é uma ex-agente de saúde que mora na área e relata que desde sua aposentadoria, há quatro anos, nenhum profissional foi designado para atender a população da região das Três Pedras.

- Fui agente durante 12 anos, desde quando me aposentei não teve nenhum agente de saúde nessa área. Na minha época eram dois profissionais para atender a demanda da população. Moro aqui há 42 anos, quando precisam batem a minha porta e ajudo no que posso, mas necessitam de acompanhamento na saúde – falou.

 Além disso, ela acredita que somente os reparos desde o ponto inicial da enxurrada seria a solução.

- Acho que tinham que começar a consertar desde onde começou o incidente, porque quando chove vejo da minha casa o tanto de água que desce pela rua. Puseram manilhas, mas tinha que endireitar a situação do rio, melhorou, mas a água ainda escorre por rua abaixo, entra na casa dos moradores. O certo seria construir muros de contenção nas margens do rio, porque sem isso, a chuva vem e carrega sempre mais um pouco de terra e leva os canteiros de horta - disse.

Outra queixa é em relação à iluminação pública, um trecho da estrada está no escuro.

- Estamos sem luz no poste há meses, parece pouco, mas quando as pessoas chegam do trabalho, escola ou faculdade tem que andar essa parte em uma total escuridão. Um funcionário esteve olhando isso, mas não fez nada – relatou a aposentada.

Procurada pelo jornal, a Prefeitura disse que o plano de resposta pós-chuva para o Caxambu prevê R$ 2,9 milhões para obras de recuperação, construção de oito muros de contenção, sistema de drenagem, desobstrução de ruas e galerias, limpeza de córregos, calçamentos e aplicação de asfalto.

Desse total, R$ 1,6 milhão já foram aplicados em obras como dois muros que já ficaram prontos na localidade Três Pedras e calçamento em cerca de um quilômetro em Três Pedras. O ponto mais crítico em que via de paralelepípedos foi danificado agora está asfaltado. O mesmo aconteceu próximo à igreja Santa Isabel, onde também foi construída uma rede de captação de águas pluviais e outros pequenos muros.

Ainda estão previstas a construção de outros muros de contenção e de sistema de drenagem no bairro, tanto em Três Pedras quanto no Mata Banco, assim como desobstrução de galerias na Rua Aurélio Pires e Santa Isabel.

Sobre a iluminação pública, o Caxambu já teve 267 pontos de luz consertados desde fevereiro. O Departamento de Iluminação Pública vai solicitar que a Vitorialuz cumpra as ordens de serviços em aberto para o bairro.

A Secretaria de Assistência Social incluiu 10 famílias vítimas da chuva do início de março no Aluguel Social pago pelo município. Destas, uma é moradora do bairro Caxambu. A Secretaria ressalta que o município possui um teto de inclusão de até 400 famílias no benefício e todos já estão sendo utilizados. Novas famílias serão incluídas à medida que as atualmente inscritas forem alocadas em outros imóveis.
 



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