Edição: terça-feira, 13/02/2018
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  Geral

Motoristas e usuários fazem balanço após primeiro mês de Uber

Aplicativo de transporte individual começou a funcionar em janeiro em Petrópolis e Teresópolis

Philippe Fernandes - phfernandes@diariodepetropolis.com.br

 

No dia 12 de janeiro, o aplicativo Uber, usado para o transporte individual de passageiros em diversas cidades do mundo, se colocando como uma alternativa aos táxis, passou a funcionar também em Petrópolis. O serviço chegou com protestos e apreensão por parte dos taxistas, que defendem a regulamentação do serviço; e expectativa por parte dos usuários, por conta dos preços mais em conta. Após um mês, quais foram os resultados da Uber e os efeitos no serviço de táxi? O Diário ouviu condutores de táxi e da Uber, além de usuários, para um balanço sobre o início das atividades para o aplicativo.

Entre os motoristas de táxi, a avaliação geral é de que o prejuízo foi maior em corridas mais longas. Os motoristas que trabalham no Terminal Rodoviário Governador Leonel Brizola, no Bingen, foram os que mais sentiram os efeitos do início do serviço alternativo.

- Na Rodoviária, a queda foi grande, de mais de 50% no movimento. Aqui no Centro, não sentimos tanto. As corridas para bairros mais distantes desapareceram, mas conseguimos ter bons resultados nas corridas para lugares mais próximos do Centro, compensando um pouco – disse César Luiz Cabral de Melo, representante do ponto localizado na Rua Dr. Porciúncula, e cujos veículos revezam o ponto final com a Rodoviária do Bingen.

Em outros pontos do Centro, o diagnóstico é semelhante. No ponto localizado no começo da Rua Paulo Barbosa, outros fatores para a queda no movimento são levados em conta. O incêndio no supermercado Extra, em julho do ano passado, causou um prejuízo muito maior para os taxistas que atuam no local. Isso porque os pontos localizados nas regiões próximas precisam disputar um número menor de passageiros, já que a clientela do antigo mercado se dispersou.

- Quando o Extra pegou fogo, a nossa queda foi de mais de 40%, porque o fluxo de pessoas diminuiu. Agora, com a cegada do Uber, até achávamos que teríamos uma queda maior, mas não nos afetou tanto. Na verdade, o movimento já tinha diminuído por outros fatores, como a crise econômica – afirmou o taxista Nunes Henrique Nicolay.

Antes mesmo da chegada da Uber à cidade, os taxistas se movimentaram para enfrentar a concorrência com o aplicativo Táxi Net Petrópolis, que oferece descontos de 30% nas corridas, tanto com dinheiro quanto com cartão de crédito.

Uber: viagens em distâncias curtas compensam

Por outro lado, motoristas que trabalham na Uber estão satisfeitos com o primeiro mês de operação do aplicativo na cidade. É o caso de Marcello Lanzetti. Petropolitano e morador da cidade, ele trabalhava com a Uber no Rio de Janeiro, já que o aplicativo não operava na cidade. Com a chegada da Uber, ele pôde fazer as corridas no seu município de origem – e o movimento superou as expectativas.

- Já trabalhava pela Uber no Rio, e passei a ficar em Petrópolis quando o aplicativo começou a funcionar aqui. No começo, achei que seria fraco, mas a procura está melhor do que imaginei no início. O forte da Uber aqui são as viagens pequenas. Trabalho muito, 10, 12 horas por dia, e consigo ganhar no montante, pela quantidade de corridas realizadas – disse Lanzetti, que passou a trabalhar na cidade cinco dias após o começo das operações.

Entre a novidade e a tradição

A chegada da Uber na cidade trouxe uma nova perspectiva para os usuários, que viram no aplicativo uma forma de gastar menos para os deslocamentos diários. Este foi o caso de Kika Zarlotti. O primeiro contato que ela teve com o aplicativo foi há cerca de um ano, quando estava viajando na Bahia. Depois disso, ela passou a utilizar o serviço no Rio, cidade que visita periodicamente; e em Petrópolis, onde reside.

- Moro no Meio da Serra, e tenho um apartamento no Rio. Lá, sempre uso a Uber, e não tenho do que reclamar, e passei a utilizar aqui também, desde o primeiro dia de funcionamento. No começo, era mais complicado, havia poucos carros e eles demoravam um pouco para chegar. Agora, no entanto, tem bastante carro, inclusive de madrugada. E os motoristas vão para qualquer lugar, não há restrição. Aprovo totalmente o serviço – afirmou Kika.

Apesar de a Uber surgir com preços mais baixos, alguns clientes preferem a tradição do táxi e a proximidade com os taxistas. É o caso da revisora Jaíra Maia, que prefere se deslocar com os taxistas que ela conhece há mais de 20 anos.

- Tenho receio de usar a Uber. Só ando com os taxistas que já conheço, há mais de 20 anos, me sinto mais segura. Prefiro pagar um pouco mais e ter essa comodidade – disse Jaíra.

 
 Taxistas querem regulamentação

 

 Os taxistas, no entanto, ainda aguardam a regulamentação da Uber em Petrópolis. No mês passado, a Câmara aprovou indicação legislativa do vereador Luiz Eduardo da Silva, o Dudu, que indica a necessidade da regulamentação. A proposta, no entanto, não tem força de lei, uma vez que projeto desta natureza só pode ser apresentado pelo Poder Executivo. Segundo os taxistas ouvidos pelo Diário, a concorrência já é uma realidade e o que eles querem não é a extinção da Uber, mas um conjunto de regras que coloque os dois serviços em pé de igualdade.

- Defendemos a regulamentação porque pagamos muitas taxas para poder trabalhar, e eles não pagam nada. Acho que a Uber deveria ser cobrada ou, então, não haver o pagamento destas taxas para nós também. Desta forma, poderíamos cobrar um preço menor pelo serviço prestado – disse Nunes Henrique.

 



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