Edição: segunda-feira, 04/12/2017
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  Política

Na próxima quinta-feira o prefeito de Manaus Arthur Virgílio estará no Rio

O Rio, enfim, conhecerá o Prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, e sua visão de " Políticas Públicas " , que elevaram a cidade de Manaus ao topo das melhores administrações do Planeta, de acordo com o Banco Mundial ( BIRD ).

‘Se vencer prévias, serei candidato mais forte que Alckmin’, diz Arthur Virgílio

Fonte – Portal 360 - Foto- Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB-AM), deve enfrentar o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) nas prévias que definirão o candidato tucano à Presidência da República em 2018.

Os 2 conversaram na útima sexta-feira (1º.dez) por telefone. Alckmin teria aceitado disputar a vaga em votação que será realizada em março do ano que vem.

“O Geraldo concorda com as prévias. Me disse, inclusive, que se dependesse só dele saía até primárias, ou seja, qualquer pessoa poderia chegar e votar”, disse o prefeito em conversa com o Poder360 na tarde do último sábado (2).

Virgílio sabe da dificuldade para derrotar o correligionário nas eleições internas, mas está confiante quanto às chances de chegar ao Palácio do Planalto se romper essa barreira.

“Já ouvi que acham muito difícil eu vencer as prévias, mas muitos concordam que eu seria um candidato até mais forte do que ele seria. Eu concordo”, afirmou.

O prefeito disse ainda que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso errou ao propor uma aliança em torno de Alckmin para evitar as prévias no partido. De acordo com Virgílio, o PSDB estaria perdendo uma oportunidade de mostrar ao Brasil suas propostas para 2018.

“Sem as prévias] estaríamos varrendo esse programa do PSDB pra baixo do tapete. Não estaríamos olhando nos olhos da nação. Vamos ter algum tempo, alguns meses para olhar nos olhos da nação, falando pra ela o que a gente é, pra ela dizer pra gente o que ela viu de errado no PSDB, para fazer uma catarse”.

O prefeito defende o afastamento dos tucanos de partidos como PMDB e PP e pede renovação das alianças políticas para as eleições do ano que vem. “Não é bom para o partido, não é bom para o país nós nos juntarmos ao PMDB, ao PP também. Temos de buscar um outro arco de alianças”. 

Leia trechos da conversa com o prefeito de Manaus:

PRÉVIAS NO PSDB

“O governador me ligou ontem (1º.dez) e aceitou as prévias. O Geraldo concorda com as prévias. Me disse, inclusive, que se dependesse só dele saía até primárias, ou seja, qualquer pessoa poderia chegar e votar. Mas como não é possível, faz as prévias mesmo. Nós vivemos uma crise muito grande no partido e eu vejo aí uma grande possibilidade de nós purgarmos o partido de tantos pecados, tantos equívocos e erros na frente da sociedade. Foi uma boa conversa.

Eu disse que considero estranho ele ser candidato a presidente e, como tudo indica, o futuro presidente do partido. Ele disse que não esperava aquilo. Foi uma solução que foi proposta e aceita sem entusiasmo. Eu disse ao governador que as coisas vão ficar até mais fáceis com ele como presidente do partido. Porque sei que ele não vai usar a máquina. Ficamos de conversar na próxima 6ª (8.dez) em Brasília.

Nós vamos fazer uma disputa respeitosa, mas dura. Vamos discutir todos os temas. Seja qual for. Não tem nenhum que escape. Tenho certeza que vamos (PSDB) ocupar um bom espaço. Um espaço que hoje está nas mãos do Bolsonaro. A gente vai poder realmente discutir economia, discutir o que interessa para o país. A questão ética que é fundamental”.

‘SOU MAIS FORTE QUE O ALCKMIN’

“Ouço de algumas pessoas que eu tomei uma atitude acertada e que as prévias vão sacudir o partido. Já ouvi que acham muito difícil eu vencer as prévias, mas muitas concordam que eu seria um candidato até mais forte do que ele seria. Eu concordo. Concordo que é uma tarefa hercúlea vencer essas prévias e concordo que eu seria 1 nome mais fácil de levar se vencer essas prévias. Eu acredito nisso.

Já fui muito criticado, como todo homem público, mas nunca ninguém disse que eu era cabotino. Então não é cabotinismo. Eu acredito sinceramente que as prévias arrancam com o favoritismo dele [Alckmin], mas, se porventura, eu derrotar esse favoritismo e convencer as pessoas de que eu sou mais viável nas eleições, vou ter um voto de confiança.

Eu sou um candidato mais viável e muito melhor para enfrentar o Lula, pelo conhecimento que eu tenho de Lula. Sou PhD em Lula. Fiz oposição a ele por 8 anos. Eu sei como é enfrentá-lo. Enfrentá-lo de verdade. Conheço os pontos fracos dele, sem insultá-lo. Não preciso falar da família, não preciso de nada disso. Basta mostrar que ele orquestrou, organizou uma corrupção que tomou conta do Brasil e impediu que o Brasil estivesse como o Chile no clube de países desenvolvidos.

Quanto aos apoios, as pessoas virão com o tempo. Eu não comecei buscando apoio de deputado, senadores, presidente de diretórios. Eu quero basicamente a lista de militantes. Quero depositar o peso maior dentro da militância. Quero dizer que eu acredito na maioridade deles. Acredito que eles não são joguete de ninguém. Acredito que são as pessoas que vão preferir falar a silenciar”.

LULA E PT

“Eu não vou precisar insultar o Lula como o prefeito de São Paulo fez e faz. Aquilo é de uma vulgaridade absurda e além do mais não é sincero. Quando eu era líder da oposição ao Lula o Dória não fazia isso. Ele era muito bonzinho, fazia festas no sítio empresarial para Dilma, para o Lula. Eu nunca preciso acusar o Lula de bandido, de ladrão, safado, não preciso de nada disso.

O que eu vou dizer pro Lula, entre outras coisas, é que ele é o responsável pelo Brasil não ser hoje um país como o Chile e ter sido admitido no clube de países desenvolvidos. Ele é responsável, porque ele não fez as reformas, ele não fez nenhuma concessão para manter aquela popularidade que é falsa. A gente vai ver ao longo dessa eleição que é uma popularidade falsa. Ele atrasou o país. Pensou sempre na próxima eleição. Pensou sempre nessa hegemonia que se casa com o sistema de corrupção que foi montado.

Os corruptos eram desorganizados. O Lula veio e organizou a corrupção. Ele montou um esquema que no fundo tinha uma ideia político por trás, que era ele, Lula, e o PT elegerem quem eles quisessem, como fizeram com a presidente Dilma, que nunca tinha sido candidata a nada. Então ele não só atrasou as reformas, impediu que o Brasil se tornasse um país desenvolvido, como por outro lado praticou a coisa mais subdesenvolvida do mundo que é você montar um esquema de corrupção pra dominar o Brasil. Isso difere a corrupção do PT. Saíram da época do corrupto avulso, e entraram na época do corrupto organizado. Só faltou fazer sindicato”.

‘NÃO É BOM NOS JUNTARMOS AO PMDB’

“Eu falei para o Geraldo e ele não demonstrou discordar que daqui pra frente não haverá mais eleições em que o determinante será o tempo de eleição. Esse modelo de o candidato fazer concessões, acertar participações no governo em troca de tempo de televisão, essa maldição do tempo de eleição, que ajudava muito os candidatos, mas atrapalhava o governo, eu por mim, não estou nem um pouco preocupado com isso.

Eu vou propor que nós estabeleçamos um outro arco de alianças. Por exemplo, nós não saímos do PMDB? E queremos voltar agora para essa história? E numa hora que a gente percebe que o PMDB tem todo direito de lançar seu candidato? Não é bom para o partido, não é bom para o país nós nos juntarmos ao PMDB, ao PP também. Temos de buscar um outro arco de alianças. Esquecer essa maldição de tempo de TV”.

JOSÉ SERRA, FHC E AÉCIO NEVES

“O José Serra é um querido amigo. Não sei o que ele pensa, mas o fato de ele ser paulista talvez o tolha um pouco de falar. Ele próprio vai definir.

Ao Aécio Neves, a minha recomendação  é que ele não protagonize mais nada. Que ele simplesmente perceba que é a hora dele mergulhar, cuidar da vida jurídica e não insistir em protagonizar uma cena que não lhe pertence.

Em relação ao presidente Fernando Henrique, ele é a principal referência política que eu tenho no Brasil. Mas uma pessoa falível, como eu e você somos. Uma pessoa de carne e osso que, a meu ver, errou quando disse que a solução para pacificar o PSDB seria a eleição do Geraldo Alckmin.

Parece que teria ganho influência a ideia de uma unidade do partido em torno do Geraldo para ser o candidato a presidente da República. Ora, eu tenho a impressão de que se o partido seguir essa ortodoxia, o Geraldo perde a eleição [para a Presidência da República].

O partido com ele, comigo, não ganha a eleição se simplesmente no dia 9 [de março de 2018] chegar lá com candidato definido. Estaríamos varrendo esse programa do PSDB pra baixo do tapete. Não estaríamos olhando nos olhos da nação. Vamos ter algum tempo, alguns meses para olhar nos olhos da nação, falando pra ela o que a gente é, pra ela dizer pra gente o que ela viu de errado no PSDB, para fazer uma catarse.

Sem isso, o partido pode primeiro se tornar irrelevante e depois desaparecer do mapa. Então, acho acho que houve um erro nisso [evitar prévias para definir candidatura à Presidência da República].

O movimento será de baixo pra cima desses 3 [Aécio, Serra e Alckmin], e não de cima pra baixo. As pessoas tem de ser humildes, estarem prontas para ouvir a opinião dos militantes e ouvir a opinião da nação. Ela tem de opinar sobre nós”.

‘PARTIDO ESTÁ PIOR QUE PMDB E PP’

“Hoje, a nação não gosta do PSDB. O partido está pior que o PMDB, que o PP. Pior porque era o partido da esperança, o partido da seriedade, o partido que teve 48,5% dos votos à Presidência da República em 2014, o partido que tinha saído com uma proposta de realmente fazer alguma coisa nova na política.

Se a gente quiser ser mais exato, a gente diz que o PSDB, hoje, pode até em números ter uma rejeição parecida com a do PMDB, o que é lamentável. Mas, na verdade, dentro da alma do eleitor, dentro da alma do brasileiro, o PSDB está deixando uma cicatriz maior do que a dos demais partidos.

Achavam que conosco era seriedade, organização da economia, era a certeza de governo, que a corrupção seria punida pelo governante. Mas o PSDB se mostrou muito parecido com os outros partidos. Começou a entrar gente que não devia ter entrado. Teve gente que entrou e saiu. O PSDB virou motel. Alta rotatividade.  Precisamos retomar aquele espírito da origem ou viraremos, primeiro, um partido irrelevante, e segundo, um partido que vai desaparecer”.

 



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