Edição anterior (1211):
segunda-feira, 05 de março de 2018
Ed. 1211:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1211): segunda-feira, 05 de março de 2018

Ed.1211:

Compartilhe:

Voltar:


  Cidade

Novos usos para antigas estruturas

A importância da subutilização e readequação de espaços ociosos

Daniela Curioni – especial para o Diário

 

Caminhar pelo Centro Histórico de Petrópolis é uma viagem ao passado. A história e a arquitetura predominante do século XIX, combinadas com o clima ameno, tornaram Petrópolis uma das cidades mais importantes no cenário turístico do país, no entanto, algumas paisagens podem revelar um presente carregado de descaso. É o caso de imóveis abandonados, com fachadas históricas que vem se deteriorando com o tempo.

As formas apresentadas pelas cidades refletem as organizações sociais, as estruturas políticas, econômicas e ainda o modo de vida dos seus habitantes. No mesmo sentido, a morfologia da cidade é desenhada e construída a partir de necessidades, de vontades e de decisões políticas e econômicas. Dessa forma, a história da cidade é constantemente transformada.

Os casarios da cidade sentem o peso dos anos e poderiam ter mais investimento em restauração. O grande desafio atual é convencer os proprietários de que os prédios devem ser restaurados e podem, sim, ter ocupação mista, com o comércio convivendo com moradias entre outras subutilizações.

Os motivos desses abandonos são vários: o proprietário já morreu, há litígio com herdeiros, falta de pagamento de IPTU, não tem como comprovar através de RGI a titularidade, o proprietário não tem condições financeiras de realizar a restauração, falta de parcerias público /privado, enfim, são inúmeros os impedimentos.

O resultado da atitude é a insegurança por parte de moradores que convivem próximo a esses locais praticamente abandonados.

Segundo o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), a responsabilidade pela preservação dos bens tombados é do proprietário, cabendo ao Iphan prestar consultoria, analisar, aprovar projetos, fiscalizar e acompanhar intervenções.

NOVOS USOS

Especialistas passaram a pensar mais do que simplesmente na melhoria do imóvel, mas também na readequação do uso desses espaços ociosos.

Usar casarões antigos, que em geral têm ambientes amplos, é desfrutar do marketing politicamente correto da preservação. Essa é uma forma crescente de ocupação de imóveis antigos em várias cidades. Além do retorno de marketing proporcionado pela ocupação do prédio, a utilização estanca o processo de deteriorização do imóvel.

Em um breve passeio pelas ruas da cidade, é possível identificar prédios e casarões abandonados que sofrem com o processo de degradação.


 Para o Arquiteto Adriano Arpad (foto), responsável pela Arqgom Arquitetura e professor/coordenador pedagógico do curso de Arquitetura da Universidade Estácio de Sá, a ideia não é começar a construir tudo do zero, mas saber reutilizar as estruturas já existentes e às vezes pouco adaptadas para a realidade do nosso século.

Em 2015, o arquiteto realizou um projeto para transformar os 66.800 m²  da antiga Fabrica D. Isabel em um complexo multiuso. Para isso, foi feito um estudo de requalificação do local. A projeção previa diversas atividades, tanto para o setor privado quanto para o poder público. O projeto foi realizado pelo arquiteto, mas a iniciativa foi do Sindicato do Comércio Varejista de Petrópolis, Arte (Associação da Rua Teresa), com o apoio da Firjan.

- A proposta apresentada incluía, além da revitalização estética do espaço, um Centro de Convenções com arena multiuso, um hotel, para atender o público que frequenta a Rua Teresa. O projeto também previa a construção de um Centro Administrativo, que concentraria a maioria dos órgãos públicos, um estacionamento com grande capacidade para carros e ônibus de turismo. Até mesmo a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), com estação na antiga fábrica, foi planejada, recorda o arquiteto.

A Prefeitura informou que o projeto original está sendo readaptado pelo Departamento de Urbanismo para suprir novas demandas que surgiram desde a elaboração do projeto original.

Além da antiga Fabrica D. Isabel, Adriano Arpad lembra, que quando passamos pela Rua Washington Luís por exemplo, nos deparamos com a enorme fábrica São Pedro de Alcântara, que fazia parte do antigo pólo têxtil da cidade.

- Em grande parte está abandonada, mas os órgãos de conservação conseguiram manter em boas condições a fachada, e hoje, serve apenas como estacionamento. Pouco para tamanha estrutura em meio ao coração do centro histórico da cidade. Temos que encontrar um destino de ocupação/utilização economicamente viável para esse tipo de espaço, disse Adriano.

Para o arquiteto, o problema que os imóveis antigos e fechados enfrentam primeiramente é a deterioração, mas mesmo em bom estado de conservação ele causa um prejuízo para a cidade.

- um espaço que não está funcionando, de certa forma, ele degrada a cidade. A cidade perde vitalidade, perde esteticamente e perde economicamente.  Estudos afirmam que nas ruas que tem mais pessoas passando, tem mais dinheiro circulando, comenta.

 - Um dos casarões mais lindos da cidade, a casa Franklin Sampaio, localizada em uma área nobre do Centro Histórico poderia ser um atrativo a mais para a cidade, tendo algum tipo de utilização pública ou privada, disse Adriano.

Segundo informações do Iphan, houve procura por parte de duas instituições interessadas em recuperar a Casa Franklin Sampaio, mas as negociações ainda estão em fase de planejamento dentro das próprias instituições. 

- Acho que o caso mais emblemático de deterioração é do prédio histórico onde funcionava o Banco do Brasil, localizado na Rua do Imperador, exatamente por pertencer a um banco, acrescenta o arquiteto.

Adriano ressalta que esses são só alguns poucos exemplos de espaços ociosos. Muitos outros casos semelhantes podem ser observados pela cidade.

 O arquiteto destaca a importância da participação um profissional qualificado para o reaproveitamento desses espaços. Uma vez, que um dos objetivo do especialista é preservar a ambiência urbana da cidade.

O Conselho Municipal de Tombamento Histórico, Cultural e Artístico informou que está notificando os responsáveis pelos imóveis em estado de abandono ou deterioração para tomar as devidas providências de recuperação, uma vez que estes espaços têm valor inestimável para a história e o turismo de Petrópolis. ?

 

 



Edição anterior (1211):
segunda-feira, 05 de março de 2018
Ed. 1211:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1211): segunda-feira, 05 de março de 2018

Ed.1211:

Compartilhe:

Voltar:


Casando com Estilo








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior