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  Serra de Petrópolis

 

Vitor Garcia - vitorgarcia@diariodepetropolis.com.br

Artes – Robson Albergaria – Henrique Moter – Foto Alcir Arglio

 


 Quem utiliza regularmente a Serra de Petrópolis, se depara com diversos problemas em praticamente toda a extensão da rodovia. A começar, próximo ao Km 101, os motoristas encontram uma informação um tanto enigmática: “Pedágio: você paga, você vê resultados”. Esperando por uma pista ideal para o fluxo de veículos, as constantes rachaduras e buracos, poucos metros após o pedágio, já mostram aos condutores que os resultados não são os que todos esperavam.

Após constantes reclamações dos usuários que trafegam pelo local, a equipe do Diário de Petrópolis foi à BR-040 e fotografou as condições do piso nos trechos entre os quilômetros 83 e 101 de descida e entre os quilômetros 101 e 83 de subida. Em praticamente todos eles, o piso está rachado e a pista apresenta muitos buracos.

Logo no início da descida, no Km 83, sentido Rio de Janeiro, os motoristas já encontram aberturas na pista e a água da chuva infiltrada nesses locais, crateras no acostamento e sinalizadores, como “olho de gato” apagados. No Km 84, próximo ao Viaduto do Papagaio, grandes buracos e fissuras se estendem até o Km 85, que possui diversos remendos na pista.

As rachaduras continuam no quilômetro 86, seguindo depois do Km 88 ao 100. Os trechos com menor quantidade de aberturas estão localizados nos quilômetros 97, 98 e 99, próximos ao pedágio. Já, os grandes buracos se estendem do Km 87 ao 94, onde diversos acidentes foram registrados ao longo do ano.

- No dia 29 de dezembro, em poucas horas eu vi oito acidentes no Km 94. A má conservação da pista pode ser garantida como o principal problema da via. Nesse dia, enquanto um homem parou o carro no acostamento para socorrer um outro que tinha acabado de sofrer acidente, veio um outro veículo e bateu no dele. Hoje mesmo, antes de vocês chegarem para fazer a matéria, tinha acontecido mais um acidente aqui – disse o vendedor Romildo Gonçalves, de 48 anos.

O seu companheiro de trabalho, Marcos Antônio, de 48 anos, afirmou ver diversos acidentes, em virtude da falta de conservação da pista.

- São muitos acidentes. Trabalho aqui há 30 anos, e infelizmente já até me acostumei a ver acidente todos os dias – contou.

 

Curva do prejuízo

Apelidada por comerciantes da região como “curva do prejuízo”, o Km 93 da BR-040 é assunto quase todos os dias para o vendedor Robson Souza.

- O bom de alguns trechos da BR-040 é que ninguém morre. Porém, os prejuízos são bem elevados. Em um ano de trabalho por aqui, já vimos e ouvimos de tudo. Os buracos são os principais causadores dos acidentes. O ruim é que as pessoas pagam o pedágio, e recebem uma pista totalmente abandonada para trafegar. Se hoje eu pudesse dar uma nota ao serviço prestado pela Concer, com toda a certeza receberiam um “zero”.

Outros problemas foram constatados ainda na pista de descida. Entre eles, guard rail quebrado no Km 87, obra inacabada no Km 88, com um precipício à direita da pista sem a devida proteção, além da obra inacabada no Km 92.

Nos quilômetros 100 e 101, a pista não apresenta problemas, como os registrados nos anteriores. O retorno, para a pista de subida, é feito no Km 102.

 

Subida da Serra permanece com problemas


Avaliada por muitos motoristas como o maior cenário de abandono na Serra, a pista de subida apresenta diversas rachaduras do quilômetro 101 ao 83, com exceção nos Kms 97 e 84. Os pontos mais críticos são encontrados nos trechos 96 e 89. Enquanto isso, os buracos precisam ser desviados em quase toda a subida. Os únicos locais em que o condutor poderá ficar mais tranquilo são os quilômetros 95, 90 e 83. Em contra partida, os piores trechos estão localizados nos Kms 97, 96, 89, 88 e 86.

Nessa “brincadeira” em tentar manter o veículo em bom estado, os motoristas não estão conseguindo vencer. Como conseqüência, o lavrador José Fernandes de Andrade, de 62 anos, que faz o transporte de suas mercadorias pela via, ressalta o valor gasto na manutenção do veículo.

- É a pior estrada que eu já vi. Além de pagar o pedágio que é muito caro todas as vezes que tenho que subir ou descer a Serra, ainda tenho que separar a cada dois meses, cerca de R$ 3 mil para o conserto do caminhão. Por mais que o pedágio fosse mais caro, e a estrada estivesse em boa conservação, ainda iria sair mais barato do que ter que gastar com pedágio e logo em seguida com a manutenção. Sem contar também, que outro grave problema é a falta de acostamento na pista de subida – disse.

Para Elias Marcos da Silva, comerciante da região há 25 anos, ao longo do tempo, as reclamações não pararam de crescer em seu estabelecimento comercial.

- As pessoas vêm porque precisam, pois não encontram alguma alternativa. As condições da pista estão péssimas, nem um pouco favoráveis ao motorista.

Diretora de uma auto escola, Lilian Santos Silva, de 45 anos, utiliza a Serra de Petrópolis de segunda a sábado, e não admite o valor atual que o pedágio está sendo cobrado (R$ 12,40 – automóvel).

- Não está valendo nem R$ 5. A manutenção que tenho que fazer é muito mais rápida que o normal. Excesso de buracos, falta de iluminação e pedágio caríssimo. A cada dois meses, gasto uma média de R$ 300 para o conserto do veículo, como suspensão, borracha, entre outros – disse.

 

Constantes acidentes

Durante o ano de 2017, diversos acidentes foram registrados na BR-040. Além de problemas como alta velocidade, óleo na pista e imprudência no trânsito em alguns casos, outros foram provenientes dos buracos na via.

Natural do Rio de Janeiro, João Ricardo dos Santos, de 39 anos, foi uma das vítimas de um acidente na subida da Serra. Na ocasião, ele e outras quatro pessoas estavam vindo a Petrópolis visitar os avós, quando o veículo rodou na pista.

- No dia 12 de abril do ano passado, estava subindo próximo ao túnel, quando rodei com o carro na pista. Na ocasião, além de óleo espalhado pelo trecho, ainda havia desnível, buracos e rachaduras. Acabamos colidindo em uma mureta, e ninguém ficou ferido. Após chegar o socorro, mais a frente eu me lembro de ter outro veículo que tinha acabado de bater, provavelmente por causa do estado em que se encontrava a pista. Próximo ao carro que havia colidido havia muitas aberturas na pista – contou.

Para o carioca, a reforma da Serra precisa ser feita com o máximo de urgência.

- As placas de concreto precisam ser trocadas. Não tem como consertar colocando asfalto, pois continuará irregular. É necessário um recapeamento onde é asfalto – concluiu.

 

Recuperação de pavimento

Questionada pelo Diário, a Concer, empresa que administra a via, afirmou que a campanha de recuperação de pavimento ocorre ininterruptamente, já tendo, no trecho da Serra de Petrópolis, atuado nos kms 82, 83, 87, 91, 94, 95, 96 e 97 (sentido Juiz de Fora) e ainda nos kms 85, 88, 92, 93 e 94 (sentido RJ).  A recuperação do pavimento flexível (CBUQ) também prossegue e, na semana que vem, atuará entre Três Rios e Levy Gasparian.

Em relação ao Contorno, onde uma casa de três andares ficou completamente soterrada, após um deslizamento de terras que formou uma cratera de 30 metros de diâmetro no Km 81, a concessionária informou que prosseguem as análises dos laudos e a assistência às demandas remanescentes das famílias da comunidade.

 


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