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Pets e humanos: uma relação de amor e cumplicidade

Para alguns casais, inclusive, os animais são considerados filhos

João Vitor Brum


 Em uma outra época, o termo “vida de cão” significava uma vida difícil, sofrida. Hoje, o jogo virou. Com produtos de beleza, inúmeros acessórios e até certidões de nascimento, os pets se tornaram parte das famílias, muitas vezes com mais luxos que muitos humanos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 44,3% dos domicílios brasileiros possuem pelo menos um cachorro e 17,7% ao menos um gato. Em todo o país, são aproximadamente 52 milhões de cães e 22,1 milhões de felinos.

Uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP) traçou o perfil de comportamento dos donos de pets e apontou as principais diferenças entre proprietários de cães e gatos.

O levantamento mostrou que a maioria dos proprietários de cachorro são casados e praticamente todos (93%) moram com mais de uma pessoa. Apenas 24% adotaram seus cães, e 44% veem os animais como filhos, número quase igual ao de donos de gato com o mesmo sentimento (45%). Além disso, 48% acreditam que os felinos entendem seu humor.

A relação de amor e cumplicidade entre pessoas e animais tem se tornado cada vez mais próxima e o tratamento especial com os bichos abrange diferentes áreas: de alimentação especial a mordomias dignas de rainha, como tardes em spas e tratamentos estéticos. Muitos veem os pets como membros da família, tratando-os com mordomias e mimos. É o caso de Júlio de Freitas e Tamara Campos, casal de professores universitários e pais do yorkshire Toddy, apelidado carinhosamente de “Pitoco”,

- Ele está conosco há um ano e oito meses, aproximadamente, quando uma conhecida de uma amiga o doou. A casa, depois da chegada do Pitoco, ficou muito mais feliz. Pesquisei muito sobre o assunto, comprei livros, revistas, etc, tudo para saber como cuidar dele da melhor forma. Já tive gatos, mas ele foi meu primeiro cachorro - contou Tamara.

Em uma ocasião, inclusive, o casal viajou e um amigo ficou encarregado de cuidar do cachorro. Por preocupação, a professora escreveu uma carta explicativa ao amigo, mas a assinou como se o autor fosse Toddy.

Confira um trecho da carta: “Sou fofo e fácil de cuidar (...). Eu sou legal, mas, às vezes, brinco e picoto meu cocozinho. Fico entediado e faço isso de birra. (...)também curto dar umas corridinhas. Pode ser que eu te puxe um pouquinho, mas me dá um puxão que eu paro de boa. Me empolgo às vezes. Tenho muita energia e ainda sou um bebê. Você entende, né?”.  

A presença do cão é essencial para Tamara, que adapta seus planos à vida do animal. - Vou dar aula em uma cidade e alugar um apartamento por um tempo, e um critério decisivo foi o lugar aceitar animais. Acabei pagando mais caro, mas não existe outra possibilidade – comentou a professora.

O amado Pitoco se tornou até motivo de briga entre o casal, contou Tamara em tom de brincadeira. - O Júlio fala que o Toddy gosta mais dele, e o pior é que ele realmente dá mais moral pra ele do que pra mim. Fico revoltada. Ele é companheiro dos dois, está sempre junto, mas gruda mais no Júlio, que joga isso na minha cara, implicando comigo – disse rindo.

Famílias comprometem até 10% da renda mensal com pets

O universo dos acessórios para animais de estimação tem se tornado cada vez mais movimentado. Brinquedos especiais, roupas e até maquiagem são vendidos nos petshops, um dos segmentos que foi na contramão da crise econômica e cresce cada vez mais no país. Em 2016, R$ 18,9 bilhões foram movimentados no mercado brasileiro, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinet). No mercado mundial, o Brasil está em terceiro lugar no faturamento do setor, atrás apenas de Estados Unidos e Inglaterra.

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todas as capitais aponta que, para cuidar de seus animais, os donos gastam uma média de R$ 189,00 por mês, valor que aumenta para R$ 224,00 em membros das classes A e B. Em famílias com renda de até dois salários mínimos, o valor pode representar até 10% do valor total.

O empresário Magnun Dias Guerra, proprietário da Pethouse, loja localizada na Rua Doutor Nelson de Sá Earp, conta que alguns clientes gastam valores estratosféricos com seus respectivos animais.

- Tenho uma cliente que possui um trabalho de proteção aos animais e gasta em média 8 mil reais por mês com ração e outros itens, mas para aproximadamente 90 bichos. Entretanto, vêm pessoas que gastam por volta de R$ 1.000,00 mensais com apenas um cachorro, principalmente aqueles que moram em apartamento, que têm mais cuidados especiais a serem tomados, como tapetes higiênicos e outros itens - contou o comerciante.

O casal Júlio e Tamara segue a tendência e não poupa esforços para dar uma vida de qualidade ao pequeno Toddy. - Nos esforçamos ao máximo para que sua vida seja a melhor possível, e ele tem mais regalias que a gente. Vamos comprar uma cestinha adaptada para levá-lo em passeios de bicicleta e uma “cadeira” específica para o carro, pois fico preocupada em deixá-lo solto. Além disso, ele tem sua própria cama (apesar de dormir na nossa, entre a gente), capa de chuva, roupinhas, entre outros – completou Tamara.  

- O que mais vejo são pessoas que têm o animal como membro da família, como um filho mesmo. Conheço alguns que não podem nem ver o bicho tomando vacina, pois ficam com pena ou têm nervoso. É uma relação de amor mútuo, um laço estreito muito legal de se ver – finalizou Magnun.

 



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