Edição: segunda-feira, 14/05/2018
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  Política

Pré-candidato, Flávio Cavalcanti Júnior defende reformas

 

Filho do apresentador de TV colocou seu nome à disposição do PPS para concorrer à Câmara

Philippe Fernandes

Cansado de protestar contra o atual estado de coisas do Brasil apenas através das redes sociais, o publicitário Flávio Cavalcanti Júnior - filho do comunicador que fez história na televisão entre as décadas de 1960 e 1980 - decidiu contribuir de outra forma: se lançou como pré-candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Morador de Petrópolis, Cavalcanti se filiou ao PPS e defende um conjunto de reformas, que ele considera fundamentais para que o Brasil possa sair da crise e avançar.

- Eu presto alguns serviços de consultoria, realizo palestras onde explico os problemas da radiodifusão, que é a minha área, mas estou aposentado, colocando meus protestos e minhas reflexões nas redes sociais. Um dia, um amigo me perguntou: “Você protesta tanto, porque não vai lá e faz?” Respondi que deveria combinar com 50 mil eleitores e ele respondeu: “Mas aí você precisa trabalhar. Em casa, só postando, não contribui”. E eu topei o desafio – declarou.

Além de se apresentar como uma alternativa contra os políticos tradicionais, Flávio Cavalcanti Júnior tem uma pauta definida que pretende defender: destravar o país com uma política mais moderna. Na prática, isso significa, na visão de Cavalcanti, trabalhar pelas reformas, principalmente a política.

- Temos que fazer a reforma política. Todo mundo fala que é importante, mas ninguém faz. Alguém precisa ir para o Congresso e trabalhar nisso. Eu quero despertar e provocar essa discussão. Não faz sentido o Brasil ter 28, 30 partidos. O Estado dá muito dinheiro para os partidos, que ficam correndo atrás da grana. Precisamos discutir o voto distrital a sério, nem que seja apenas o misto. Isso reduz custos, pois o candidato não precisará percorrer todo o Estado, e o eleitor vai conhecer o eleito – acredita.

Ele também defende a reforma da Previdência, com o objetivo de garantir a sustentabilidade do regime.

- Se os números que o governo apresenta são reais, e eu acredito que são, a Previdência vai quebrar. E isso é um fenômeno que acontece não apenas a nível nacional, mas também nas previdências estaduais e em outros países, como a França e a Grécia. Temos que encarar isso, e como eu não tenho ambições maiores, não quero ser presidente, governador, quero contribuir para participar e debater esses temas  – declarou.

Outra proposta no conjunto de reformas estruturais é a revisão do pacto federativo, descentralizando as verbas do governo federal e distribuindo para que os municípios possam realizar investimentos.

- Precisamos soltar o país das rédeas do governo federal. O Estado brasileiro é dono de 80%, 90% dos recursos do país. Esse dinheiro deveria ir diretamente aos municípios. Ninguém mora no governo federal, as pessoas vivem nas cidades – argumenta.

Olhar voltado para Petrópolis                    

O pré-candidato do PPS destaca que o deputado federal tem limitações para resolver os problemas do município e que o seu papel será “ver o que Brasília pode fazer para melhorar o Brasil”. No entanto, seu olhar estará voltado para duas cidades: Petrópolis, onde reside, e o Rio de Janeiro, onde tem amigos e contatos.

“Em Petrópolis, a primeira coisa, a questão mais óbvia, é enquadrar e resolver a questão da subida da serra, que está estrangulada” – Flávio Cavalcanti Júnior, pré-candidato a deputado federal

- Em Petrópolis, a primeira coisa, a questão mais óbvia, é enquadrar e resolver essa questão da subida da serra, que está estrangulada e precisa de uma intervenção federal forte, potente, afinal, se trata de uma concessão. O que está acontecendo? Ninguém sabe direito. O fato é que a primeira coisa que eu vou ver é esse problema, que não se restringe a Petrópolis. No mais, vou começar a ouvir os meus amigos, e pretendo me reunir também com o prefeito Bernardo Rossi, para entender as demandas, fazer um filtro e não enganar. Não adianta dizer que vou resolver todos os problemas, se não tenho condições para isso – destacou.

A escolha pelo PPS

Após tomar a decisão de ser pré-candidato, vem o dilema: qual partido escolher? Flávio Cavalcanti Júnior procurou o Partido Popular Socialista, que, com o passar do tempo, caminhou da esquerda para o centro democrático. Liderado nacionalmente pelo deputado Roberto Freire, o PPS tem como principais nomes no Rio a ex-deputada Denise Frossard; o deputado estadual Comte Bittencourt e o pré-candidato a governador, Rubem César Fernandes. Os prefeitos de duas das maiores cidades do Estado também são do partido: o de Campos, Rafael Diniz; e o de São Gonçalo, José Luiz Nanci.

- Acho que a convergência tem que excluir radicais à esquerda e à direita e unir boas idéias de centro-esquerda e centro-direita. Busquei um partido de centro e vi que o PPS era um partido que não tinha problemas éticos, não tem deputados envolvidos em escândalos. Isso é uma coisa maravilhosa, você não precisa explicar para as pessoas o porquê de estar filiado – elogiou.

Interesse pela política vem de longe

O contato de Flávio Cavalcanti Júnior com a política começou desde cedo: aos 17 anos, sem remuneração, ele foi oficial de gabinete no primeiro mandato do prefeito Paulo Gratacós. A partir daí, ele foi tomando gosto pela política e, desde jovem, já pensava em entrar para a vida pública.

- O meu pai queria que eu trabalhasse em algum lugar, tivesse alguma experiência e falou com o Gratacós para ver se eu poderia trabalhar com ele, mesmo sem receber salário, sem estar nomeado. E comecei a trabalhar como oficial de gabinete. Basicamente, atendia telefone, fazia os atendimentos. Depois, ele foi cassado [pela ditadura militar] e havia uma expectativa [frustrada pelo AI-5] de que haveria eleição para governador em 1970, e havia um movimento para que ele fosse candidato. Rodava o Estado com ele, nos fins de semana, assistindo discursos, a campanha etc. Gostava muito daquilo e acabei ficando apaixonado pela política – disse.

Apesar da vontade de entrar para este outro campo, ele recebeu um alerta do pai, que acabou servindo como uma lição.

- Uma vez meu pai disse algo que me deixou incomodado, mas ele tinha toda a razão: “Primeiro, você tem que ser profissional de alguma área. Tenha êxito na sua carreira e depois vá para a política”. E explicou, dizendo: “O teu nome é Flávio Cavalcanti. A pessoa que votar em você vai votar em mim, porque você ainda não tem história pessoal para contar”. Na época fiquei triste, mas ele tinha razão – lembra.

E assim ele fez: após trabalhar no poder público, ele auxiliou o pai na produção dos programas de TV. Depois, se tornou o diretor regional do SBT em Brasília. Além de cuidar da operação local do canal na capital federal, ele representava a rede de televisão no Congresso Nacional, passando a circular no Parlamento e ter contato com os congressistas e o mundo político. Após essa experiência, Cavalcanti foi convidado para ser o diretor executivo da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). No total, foram mais de 30 anos atuando na área da radiodifusão em Brasília.



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