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Princesa D. Isabel, Petrópolis e Nossa Senhora de Fátima

Daniela Curioni – especial para o Diário


 No dia 13 de maio, celebraremos dois eventos muito importantes: a assinatura da Lei Áurea, abolindo a escravidão dos negros no Brasil, em 1888, e a primeira aparição de Nossa Senhora, na cidade de Fátima, em Portugal, no ano de 1917.

A historiadora e autora de vários trabalhos sobre a Princesa Isabel, Maria de Fátima Moraes Argon (foto) conta um pouco sobre a Lei Áurea e a ligação entre a princesa, a cidade Imperial.

Princesa D. Isabel e Petrópolis

A ligação da princesa D. Isabel era muito forte com Petrópolis. A relação começou na infância, quando aqui passava largas temporadas no palácio de verão construído por seu pai, D. Pedro II. Cresceu acompanhando o desenvolvimento de Petrópolis, desfrutou das belezas naturais que tanto a encantavam, participou da vida social, política e religiosa e contribuiu para o progresso do município.

Ela passou a sua lua de mel em Petrópolis, na residência do visconde de Ubá, prédio hoje ocupado pela Universidade Católica de Petrópolis. É comum encontrarmos em sua correspondência a descrição dos passeios que fazia pela cidade e seus arredores, como este que fez em companhia do marido, o conde d’Eu, da irmã, D. Leopoldina, e do cunhado, o duque de Saxe: “Fomos pela estrada União Industria alem da cascatinha de Bulhões, fomos até Samambaia. De tarde saímos nós quatro pelo antigo caminho de Minas e voltamos pela rua Joinville.” (19 de dezembro de 1864).

Mesmo em suas viagens ao exterior, Petrópolis era sempre lembrada: “O país [Alemanha] que atravessamos é muito bonito, tem algumas partes que me lembraram Petrópolis” (29 de abril de 1865).

No dia 1º de outubro de 1874, em um dos seus passeios matinais, D. Isabel faz uma série de reflexões e apresenta suas ideias a D. Pedro II visando, segundo ela, ao melhoramento e engrandecimento de Petrópolis. Sugere obras no palácio e na casa dos semanários e finaliza: “E onde pôr todo esse barro? Estabelecer uma fábrica de tijolos. Creio que a mania da época: a dos projetos vai ganhando-me. Não creia porém que tenha o menor desejo de estabelecer eu uma olaria!”

A princesa participava da vida social e religiosa de Petrópolis, visitava amigos, oferecia jantares, saraus e bailes, frequentava as atividades de lazer “[...] e de tarde passamos pelo Passeio Público, aonde toda a diplomacia jogava ou assistia ao croquet” (5 de novembro de 1874). Colaborava com as instituições de caridade e apoiava vários projetos nas diversas áreas como, por exemplo, a Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo, inaugurada em 22 de janeiro de 1871, destinada à educação das meninas órfãs e desvalidas. Teve papel relevante na obra da Catedral São Pedro de Alcântara. Entre outras coisas, fez a doação de um terreno para a construção do Grupo Escolar D. Pedro II, hoje Colégio D. Pedro II.

A sua ideia de realizar uma exposição hortícola e agrícola em Petrópolis, a primeira do gênero realizada no Brasil, foi importante na divulgação dos produtos e na ampliação do mercado, trazendo benefícios para a economia local. Graças ao sucesso da iniciativa, a Associação Hortícola e Agrícola de Petrópolis encomendou um pavilhão para abrigar as exposições, e a cidade ganhou o seu Palácio de Cristal, que é, até os dias de hoje, grande atrativo.

Um dos seus últimos gestos de amor e dedicação a Petrópolis ocorreu em 1920, um ano antes de sua morte, por ocasião da criação de um alto imposto territorial pelo prefeito Oscar Weinschenk. Ela fez a seguinte declaração:

“Quanto ao imposto que me cabe pagar, pagá-lo-ei muito gratamente, desde que ele resulta em benefício da formosa cidade de Petrópolis, a que amo e a que estou ligada por tantas recordações imorredouras. A oferta de cinco mil contos pelo meu parque, esse lindo recanto da risonha cidadezinha, berço de meus filhos, a fim de que os seus compradores o dividam em lotes e os vendam para novas construções, não quero aceitá-la eu. O meu patrimônio pode e deve passar sem esse aumento, mesmo porque eu me não sentiria satisfeita de saber que fora com o sacrifício da beleza de Petrópolis que esses cinco mil contos me haviam vindo às mãos. É de há muito pensamento meu doar o parque à cidadezinha de meus amados filhos. Se o vendesse, como realizar esse bom e antigo desejo? Não, meu leal e nobre amigo, acho acertado pagar o referido imposto. Pagá-lo-ei enquanto viva. Depois goze Petrópolis, inteiramente, o seu formoso parque. Se a doação deixa de ser feita desde já, é que com o pagamento que eu deva fazer do grande imposto, muito mais concorro para as melhorias da querida cidade de meus filhos”.

Assinatura da Lei Áurea

Há cem anos, no dia 13 de maio de 1888, a Princesa Imperial Regente D. Isabel saiu de Petrópolis para assinar, no Paço da Cidade, a Lei Imperial n.º 3.353, conhecida como Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil. É dela o relato feito a D. Pedro II, que se encontrava na Europa bastante adoentado:

“Também foi com o coração mais aliviado que perto de uma hora da tarde partimos para o Rio, a fim de eu assinar a grande lei, cuja maior glória cabe a Papai que há tantos anos esforça-se para um tal fim. Eu também fiz alguma coisa e confesso que estou bem contente de também ter trabalhado para ideia tão humanitária e grandiosa. [...] 4 ½ embarcávamos de novo e em Petrópolis novas demonstrações nos esperavam, todos estando também contentes com as notícias de manhã de Papai. Chuva de flores, senhoras e cavaleiros armados de lanternas chinesas, música, foguetes, vivas. Queriam puxar meu carro, mas eu não quis e propus antes vir a pé com todos da estação. Assim o fizemos, entramos no Paço para abraçarmos os meninos e continuamos até á Igreja do mesmo feitio que viemos da estação. Um bando de ex-escravos faziam parte do préstito armados de archotes. Chuviscava e mesmo choveu, mas nessas ocasiões não se faz caso de nada”.

Nossa Senhora de Fátima

O Padre Agnaldo Andrade dos Santos, da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, conta a história de uma das santas que despertam maior devoção popular,  tanto em Portugal quanto no Brasil. Nossa Senhora de Fátima é celebrada no dia 13 de maio, data de sua primeira aparição na cidade portuguesa, segundo relatos de três pequenos pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta.

Por volta de meio-dia eles brincavam pelo campo, quando pararam para rezar o terço e viram um clarão bem similar ao de relâmpagos, acharam que ia chover e por isso se recolheram para ir embora, foi quando viram um segundo clarão em cima da copa de uma árvore (chamada azinheira) e em seguida viram Nossa Senhora de Fátima. Assustados, quiseram correr, mas Nossa Senhora logo os tranquilizou e pedindo que não tivessem medo, pois ela vinha do Céu.

O pároco conta que segundo relato dos próprios pastorinhos, a visão era de uma “Senhora mais brilhante que o Sol” e que em suas mãos pendia um Rosário. Serena e tranquila, ela disse às crianças: “Vim para pedir que venhais aqui seis meses seguidos, sempre no dia 13, a está mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Em seguida, voltarei aqui ainda uma sétima vez.”nAs três aparições aconteceram sete meses seguintes conforme o prometido. Antes de ir embora, Nossa Senhora de Fátima ainda ressaltou: “Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo, e o fim da guerra.”

Trono de Fátima

O Presidente da Congregação Mariana, Agnes Dalzini, conta que o Trono foi idealizado pelo Frei João José, e inaugurado em 1947. O projeto arquitetônico é de Heitor da Silva Costa, que tem como sua obra mais famosa o Cristo Redentor. A imagem de Nossa Senhora de Fátima foi esculpida em Pietrasanta, na Itália, pelo escultor Enrico Arrighini.

Em um plano circular, Nossa Senhora é envolvida por sete colunas que representam os dons do Espírito do Santo: Piedade, Temor a Deus, Entendimento, Conselho, Sabedoria, Fortaleza e Ciência.

Sob o monumento, uma cripta de 10 metros de diâmetro abriga a capela onde ocorrem missas no dia 13 de cada mês em homenagem à Santa. Neste dia, uma procissão sai do Teatro Mariano e segue até o trono, onde é celebrada a fé e a devoção a Nossa Senhora de Fátima. A procissão acontece sempre às 19h30, quando a data cai entre segunda e sábado, e às 10h30, se for domingo.



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