Edição: sábado, 12/05/2018
Compartilhe:

  Educação

Projeto Uerê: Africanidade é o tema das aulas de artes dos alunos do Centro de Referência em Educação Inclusiva

 

Elementos da cultura brasileira que têm origem africana ganham vida através de desenhos, quadros, máscaras e bonecas de pano confeccionados pelos alunos que frequentam as aulas de arte do CREI – Centro de Referência em Educação Inclusiva João Pedro de Souza Rosa. As atividades fazem parte do projeto Uerê. Durante todo o ano os alunos terão a oportunidade de produzir peças artísticas seguindo a temática africanidade.

O CREI atende os alunos da rede municipal que se enquadram na modalidade de educação especial. Atualmente, 260 alunos estão sendo atendidos no CREI por meio do Atendimento Educacional Especializado - AEE e das atividades complementares dirigidas. Destes, 45 alunos participam das aulas de arte.

“Os alunos são muito caprichosos e encontram nas aulas de arte o encorajamento para expressar os seus talentos. No CREI os alunos da rede têm o acompanhamento de profissionais dedicados. Através do atendimento especializado, os alunos conseguem ultrapassar barreiras e o reflexo das atividades do contraturno pode ser conferido nas salas de aula, com o melhor aproveitamento pedagógico”, explica a secretária de Educação interina, Samea Ázara.

Nesse ano, a professora Beatriz Taveira, responsável pelas aulas de artes, colocou em pratica o projeto “Uerê” que tem como objetivo utilizar a africanidade como tema das aulas. Participam das aulas alunos diagnosticados com síndrome de down, autismo, baixa visão e déficit de atenção.

“A intenção é a de trabalhar a oralidade, a escrita e o próprio talento dos alunos através das atividades interdisciplinares. Nas aulas, eles são incentivados a pesquisar um tema na sala de informática e o resultado é trazido para a sala, onde serão confeccionados os trabalhos completamente manuais”, disse Beatriz.

Até o momento, os alunos já confeccionaram quadros com tecidos coloridos, garrafas decorativas, utensílios de barro, pinturas, bonecas de pano – chamadas abayomis - e até quadros feitos a partir de telhas de barro. Mas, segundo a professora, além de confeccionar as peças, os alunos aprendem o significado das peças e a origem.

“Trabalhamos as palavras oriundas da África, como por exemplo, quiabo. Construiremos o mapa da África ampliado, para que eles possam reconhecer o continente no atlas e, com papel machê, confeccionado por eles mesmos, vamos fazer máscaras e até dobraduras que representarão os animais típicos do país, como girafa e elefante”, explica Beatriz.

A intenção é de que no fim do ano os alunos possam apresentar tudo o que foi confeccionado para as famílias. “A contação de histórias que remetem à cultura africana e de lendas também faz parte desse processo. As aulas também trabalham a música e, até o final do ano, vamos ensaiar uma apresentação, com roupas típicas, para representar tudo o que foi pesquisado por eles ao longo do ano. Eles gostam muito das aulas. Se interessam, gostam da música e ficam ainda mais animados com os desenhos”, completa a professora.

Maria Eduarda Carvalho tem 14 anos e tem baixa visão. Ela afirma que ficou mais concentrada nas atividades diárias após as aulas de arte. “Eu amo as aulas. Aprendi muita coisa legal. Fico ansiosa nos dias em que tenho aula porque torço para chegar logo no CREI. Nesse ano, já aprendi muitas coisas interessantes, como por exemplo, fazer máscaras e dobradura com papel. Outra coisa que gostei muito foi de conhecer as músicas africanas”, disse.

De acordo com a diretora do CREI, Claudia Mussel, as oficinas promovem possibilidades que vão além do currículo tradicional e da escolarização. “O lúdico, os jogos estão sempre presentes. As oficinas promovem atividades que contribuem para autonomia e emancipação deste indivíduo. Acreditamos na superação e na possibilidade de nossos alunos e de toda equipe. A oficina de arte, como por exemplo, resgata a cultura, apresentando um mundo mais diversificado e rico, valorizando artistas que muitas vezes são pouco comentados ou apresentados. Além disso, a arte promove um desenvolvimento no âmbito da coordenação motora e não apenas no âmbito cognitivo”, explicou Claudia.

CREI: atendimento especializado

A oficina de artes é uma das atividades oferecidas no CREI. Participam das atividades no Centro de Referência os alunos encaminhados pelas escolas para o Departamento de Educação Especial, com justificativa para o atendimento. Os 260 alunos atendidos estão distribuídos nas oficinas de culinária, informática, ensino lúdico na perspectiva do desenvolvimento integral da criança, braile, técnica de baixa visão, orientação e mobilidade e estimulação tátil. Além das oficinas de psicomotricidade, arte, música, teatro, gastronomia, capoeira, oficina da palavra e da sala de recursos multifuncionais.

O Atendimento Educacional Especializado contribui para o desenvolvimento e melhor rendimento pedagógico dos alunos. “O trabalho desenvolvido no Centro de Referência em Educação Inclusiva João Pedro de Souza Rosa objetiva a valorização da diversidade humana em todos os seus aspectos e o ensino da arte é uma ferramenta potente para a inclusão da pessoa com deficiência em nossa sociedade”, explicou a diretora do Departamento de Educação Especial da Secretaria de Educação, Bianca Caetano.



Compartilhe:




Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior