Edição: terça-feira, 05/06/2018
Compartilhe:

  RACISMO

Racismo nos Jogos Jurídicos causa revolta

Evento está sendo realizado em Petrópolis e gerando transtornos desde a abertura

Daniela Curioni, especial para o Diário

Casos de racismos foram relatados por estudantes que participaram, no fim de semana, dos Jogos Jurídicos, evento que reuniu equipes esportivas e torcidas de faculdades de Direito do Rio de Janeiro. Os atos teriam sido praticados pela torcida da PUC-Rio, contra alunos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Católica de Petrópolis (UCP). Os episódios racistas ocorreram no sábado e domingo.

Um atleta negro teria sido atingido por uma casca de banana durante jogo de futebol de campo, no Esporte Clube Corrêas. Em outro caso, quando uma partida de handebol era disputada no Petropolitano Foot-Ball Club, um grupo de rapazes teria imitado macacos e outra estudante teria ainda sido chamada de “macaca”.

Os casos de injúria racial são recorrentes. Com o objetivo de tentar minimizar a agressão, um grupo de alunos criou há um ano a campanha “Jogos Sem Racismo”, para fazer com que este crime não aconteça.

- Nossa torcida sempre sofreu muito com isso. Um grupo de alunos se uniu e resolveu fazer a campanha “Jogos sem racismo”. A ideia do movimento é fazer com que todos possam desfrutar de um ambiente esportivo livre das estruturas racistas. Foi muito constrangedor, é lamentável que esse tipo de atitude ainda ocorra - disse Luiz Cavalini, aluno de Direito da Uerj e membro do coletivo negro da faculdade.

A UCP, que teve um atleta negro vítima de racismo, disse em nota  que não participa da organização do evento e que nenhum aluno procurou a universidade para fazer qualquer reclamação sobre este assunto. A UCP ressaltou que repudia toda e qualquer forma de racismo, seja contra seus alunos ou qualquer pessoa.

De acordo com o movimento “Jogos Sem Racismo”, a Liga Jurídica Estadual determinou punições à delegação da PUC. No primeiro momento, com multa de R$ 500 e suspensão da torcida em um jogo. Mas, com a reincidência, o título de campeão geral foi retirado da PUC e a delegação da universidade está suspensa por um ano, ficando afastada dos Jogos Jurídicos Estaduais de 2019.

Em nota, o diretor da Faculdade de Direito da UERJ, Ricardo Lodi Ribeiro, disse que  se solidariza com as suas alunas e os seus alunos que foram vítimas de atos de racismo e que exige, considerando ser a prática criminosa, que sejam amplamente investigados e, assegurado a ampla defesa, sejam os culpados exemplarmente punidos. A Universidade relatou que diversos professores do Departamento de Direito da PUC-Rio já se manifestaram indignados pelos atos.

- Tal postura altiva e corajosa, que não nos surpreende, dada a tradição democrática do seu corpo docente, nos dá ânimo para crer que a prestigiosa instituição, diante do seu inabalável compromisso com o Estado de Direito e com a inclusão social, saberá adotar todas as providências exigidas pela gravidade do episódio - disse.

Atléticas se pronunciam

Em nota a Associação Acadêmica Atlética Imperial de Direito de Petrópolis, disse que repudia e não tolera, em nenhuma hipótese, qualquer tipo de racismo, ou discriminação, seja ele dentro ou fora das quatro linhas, em função ou não de um evento esportivo.

Em relação ao episódio ocorrido, a Atlética disse que está apoiando seu atleta em todas as ações cabíveis, dentro do que o próprio atleta achar necessário para a resolução do ocorrido. A associação ressalta que foi realizada reunião entre os dirigentes das Atléticas, a fim de tratar sobre o ocorrido. e que a Liga Universitária, com base no estatuto que rege a competição, tomou as ações administrativas cabíveis em relação à todos os fatos noticiados, apurando a veracidade destes e aplicando as sanções cabíveis.

A Atlética de Direito da Uerj declarou repudiar totalmente os fatos ocorridos, dizendo que estava ainda apurando mais informações para, fora do âmbito criminal, analisar a punição a ser aplicada aos responsáveis. O DCE da PUC informou que está “apurando o ocorrido, buscando relatos de quem estava no evento”, antes de se manifestar publicamente.

PUC Rio cria comissão

A PUC-Rio informou que após tomar conhecimento, pelas redes sociais, sobre atos de racismo possivelmente ocorridos durante os jogos jurídicos, a Vice-Reitoria para Assuntos Comunitários e o Departamento de Direito da PUC-Rio decidiram constituir uma Comissão Disciplinar para averiguação das informações e, caso confirmada a veracidade, a apuração e individualização das responsabilidades de membros do corpo discente. A Comissão terá prazo de quinze dias para elaboração de relatório.

A universidade ressalta que Permanece fiel ao pioneirismo na promoção da diversidade e da igualdade racial, pois foi a PUC-Rio o berço dos pré-vestibulares comunitários para negros e carentes, a primeira instituição particular brasileira a instituir política de acesso e permanência de alunos negros e carentes, mediante concessão de bolsas de estudo, auxílio financeiro para custeio de despesas de alunos bolsistas, por meio do programa FESP (Fundo Emergencial de Solidariedade da PUC-Rio).

Nenhuma Delegacia de Policia da cidade registrou ocorrência sobre racismo durante o evento.

Som alto e tumulto

A festa de abertura dos Jogos Jurídicos, no espaço onde funcionou a antiga fábrica Montreal, em Corrêas, incomodou moradores do entorno devido ao “som tão alto que fez vibrar janelas de residências” e ao trânsito caótico. A organização do evento foi multada pela Fiscalização de Posturas.

 



Compartilhe:

Casando com Estilo



Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior