Edição: sexta-feira, 09/02/2018
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  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

 Prosecco com Morango

Aproxima-se o Carnaval brasileiro 2018 o qual -- como muito bem sustenta o Bruno Astuto -- está para nós como a ópera para os italianos e alemães, a moda para os franceses e Hollywood para os americano: é o nosso soft power. E falando nele, não dá para “esquecer” a sua origem sociológica,  o Carnaval de Veneza. Segundo a Wikipedia, esta festa surgiu a partir do século XVI,  quando a nobreza se disfarçava para sair à rua e se misturar com o povo.  Por isso, as máscaras são o elemento mais importante.

Vida que segue. Nunca passamos nenhum carnaval por lá, mas a segunda vez em que a minha mulher e eu circulamos pela Praça de São Marcos num fim de tarde em abril (1994), fomos tomar o drinque da moda no bar do Hotel Cipriani: um Prosecco con Fragola. É simpático, “tem cara de férias”, mas não nos marcou.
 

Anos depois, na véspera das preparações para o Réveillon do século (de 2000 para 2001, porque não existe ano zero!) comecei a ver Proseccos em todos os supermercados, delis, etc, no Rio. No início, pelo menos, apareceu o verdadeiro: italiano produzido na região do Veneto, em Valdobbiadene ou Conegliano. E os únicos dois que têm direito à denominação de origem controlada (DOC). Mas depois, na sequência,  como para a grande maioria  queria celebrar "como rico" a entrada no 3° milênio e o barato (com trocadilho) da comemoração era o espoucar da rolha e as bolhas (ah! enquanto houver champagne haverá esperança, Zózimo), o marketing de oportunidade dos distribuidores de Prosecco foi imbatível. Arrasaram!
 

Foi uma proliferação horizontal, a ponto de virar sinônimo de “champanha” para muita gente (e infelizmente até hoje) como, no passado, gilette era a sinônimo de lâminas de barbear, Brahma de cerveja, etc. E começaram a surgir proseccos argentinos, chilenos e... brasileiros, com preços abaixo dos espumantes, das cavas, dos frisantes...

Um gole de história: a partir de 2009 a uva Prosecco (uma casta  branca  originária da região do Veneto, Itália) passou a ser chamada de Glera, ficando Prosecco como marca. Mas para merecer a Denominação de Origem Controlada, ele TEM que ser produzido nas regiões mencionadas acima, ou seja, produzido exclusivamente em Treviso, especialmente nas colinas entre Vittorio Veneto e Valdobbiadene ou Conegliano, na versão Brut, Extra Dry e Dry, de acordo com o açúcar residual presente que vai do mais seco, o Brut, ao mais amável, o Dry.

Embora a maioria dos verdadeiros Proseccos seja 100% varietal (com a única uva) a legislação permite um blend, ou seja, embora obrigatório colocar-se pelo menos 85% de Glera, os restantes 15% podem ser Verdiso, BianchettaTrevigiana, Perera, Glera Lunga, Chardonnay, Pinot Bianco, Pinot Grigio e Pinot Nero, também conhecida como Pinot Noir.

Detalhe: todas essas uvas devem sempre ser vinificadas em branco, pois a denominação não permite exemplares do tipo rosé ou tintos – até porque (como sabemos), pode-se fazer vinho branco de uva tinta (separando a casca escura do sumo nas primeiras 6h), mas não se pode fazer vinho tinto de uva branca.

Em tempo: a Itália produz ótimos espumantes, sendo que o mais famoso é o Ferrari (excelente, por sinal, mas caro!) e cujas uvas são cultivadas nas colinas da Lombardia.  Além dos conhecidos Lambrusco, na Emilia-Romana e Asti, adocicado, coma a uva Moscato.

Salute -- e figli maschi (horrível!) 



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