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  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

 

Um Grego no Rio

A primeira qualidade do novo restaurante grego de Ipanema, OIA (pronuncia-se “ía”) é o atendimento. Há uma gentileza coletiva que começa com as meninas da porta e vai se espalhando como nos restaurantes japoneses… Nem por acaso (eu) considero a Grécia mais oriental do que ocidental, malgrado a geografia física. Detalhe: estou louvando porque gostei: mas paguei a despesa normalmente!


 A seguir, a decoração. Despojada, bem iluminada e alegre, a cara daquelas ilhas. No caso, Mikonos. Talvez por isso, o “climão” beira-mar: gente jovem, descontraída, colorida... A proposta gastronômica é mediterrânea com foco na grega, ou vice-versa. De entrada, sugiro a salada Oia, com melancia marinada, iogurte, especiarias e hortelã. Como prato de resistência, recomendo um desses: polvo no carvão com purê de grão de bico, ou a lagosta assada no carvão, ou camarão na brasa com arroz cremoso de limão siciliano, ou o spaghetti com molho de tomate e cauda de lagosta. Na dúvida, peçam ajuda à jovem chef Vivi, que é um encanto e com prazer sugere pratos, oferece mini degustações e “narra” a feitura das iguarias. Ou, se ele estiver por perto, ao estrelado chef executivo do grupo, o ainda moço Elia Schramm. Um chef contemporâneao: idealiza, produz, serve algumas mesas, fotografa o salão, participa de reuniões   com os sócios-investidores. Está a um passo de um programa de TV. Os preços médios do OIA, são bem possíveis: entre 50 e 70 reais a maioria dos pratos. E o menu executivo em dias de semana a incríveis R$ 42,00. Boas opções de sobremesas, aliás. Como a Helena — bingo! — sorvete de iogurte com mel e nozes caramelizadas;  a massa folhada crocante com chantilly de iogurte, mel e baunilha servida com mix de berries e hortelã; e o pão-de-mel da casa, com calda de doce de leite, crumble de castanha de caju com especiarias e sorvete de baunilha Bourbon. Vinhos? Boas opções. Pedimos um branco muito interessante: Amethystos, de Drama, localizada na Macedônia (85% de Sauvignon Blanc e 15% de Assyrtico: leve, frutado, vivo). Detalhe: o OIA não cobra rolha!

Um gole de história: o vinho nasceu há algo como 7 mil anos, no Cáucaso, entre o mar Negro e o mar Cáspio, na Ásia Menor. Mas foi na Grécia que ele encontrou o seu primeiro lar. Foi lá que ele encontrou o seu deus, Dionísio e lá que ele começou a ser utilizado como bebida e como medicamento. Depois “foi” para a Itália e o Império Romano o apresentou ao mundo! Hoje, na Grécia contemporânea, são cultivadas cerca de 250 variedades de uvas em quase todo o continente e em todas as ilhas. No norte da Grécia, as áreas de produção de vinho mais importantes são Naousa, Goumenisa, Amynteo, Siatista e Halkidiki. Já na Macedonia (noroeste), são produzidas as castas Xynomavro, Moshomavro, Athiri, Agioritico e Assyrtiko — o meu branco preferido. E, se como observa matéria da Revista Adega, “é uma pena, porque embora são vinhos que nunca alcançarão volume para competir em preço com outras potências do mundo vinícola, (por outro lado) é justamente na exploração da riqueza de seus inúmeros terroirs e uvas únicas que nasce um arsenal invejável e irresistível para os amantes do vinho em qualquer parte do mundo”.

Ergo, bibamos!

 



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