Edição anterior (1362):
sexta-feira, 03 de agosto de 2018
Ed. 1362:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1362): sexta-feira, 03 de agosto de 2018

Ed.1362:

Compartilhe:

Voltar:


  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

Rio, 1° de agosto de 2018. Uma delícia que pode matar

Estamos falando da ostra — é claro. Uma criatura muito louca. Para começar, ela (?) não apenas é hermafrodita, mas ambivalente. Isto é, possui os órgãos reprodutores dos dois sexos e eles funcionam com a mesma intensidade. Durante a sua vida — que pode durar até 15 anos! — a ostra pode ser fêmea e depois macho e ir alternando entre ser macho e ser fêmea. Nota: o termo hermafrodita deriva da “biografia” do deus grego Hermafrodito, filho de Hermes e Afrodite, aqui representado em estátua clássica.

 
 
                               

Bom, mas as revistas desta semana estão cheias de indicações de restaurantes que servem ostras e dos diversos modos de prepara-las. Mas por que nesta época? Porque estamos no inverno — em meses sem R. E essa é uma regrinha invertida.  Na Europa, NÃO se deve comê-las de maio a setembro, porque é o período de calor mais forte e, no hemisfério sul, SIM, o ideal é comê-las de maio a agosto, porque são meses mais frios, menos prováveis de o calor facilita a proliferação de bactérias que a ostra absorve da água, uma vez que se alimenta de plânctons e faz isso sugando e filtrando a água. Uma ostra adulta pode a filtrar até 15 litros de água por dia. Imaginem de uma água contaminada! Além disso, o verão é a época de reprodução delas.

Falando de ostras, quem já não ouviu a frase a ostra é uma pérola ferida?Ao que eu rebato: não, deveria ser ao contrário: a pérola é que se forma a partir de uma ferida da ostra. Como explica a ambientalista Adelia Zimeo, as pérolas são feridas cicatrizadas. É a resposta do organismo do molsco quando alguma substância estranha ou indesejável, tipo um parasita, ou um grão de areia, “invade” a concha. Ela, aí, isola esse tumor dentro de uma cápsula -– a pérola. E os japoneses descobriram um meio de fazê-las produzir várias pérolas.

 

Agora a sustentabilidade: o cultivo de ostras — ostreicultura — configura-se como um ramo da aquicultura que vem se destacando como um negócio viável para o desenvolvimento das comunidade pesqueiras de baixa renda, que através de tecnologias simples transformam essa atividade em sustento de suas famílias.

 

 [No caso brasileiro e como afirma o empresário Hamilton Kirchnrr, que se instalou com a família em Guaratuba, no Paraná e lá desenvolveu a sua fazenda marinha, “100% da ostra pode ser (re)utilizado. A parte interna – aquela camada branca – é puro cálcio. Se raspado é possível fazer um pó que não tem gosto nem cheiro de nada e que se misturado aos alimentos pode ser muito saudável para pessoas com osteoporose. A casca da ostra também pode ser moída e servir como adubo e para o enriquecimento da ração animal.

Finalmente: a ostra (crassostrea gigas) é afrodisíaca?

 

 

Só pode! Primeiro e um pouco mais cientificamente, porque ela é uma usina de zinco e existem muitas evidências que o zinco é necessário para manter os níveis normais de testosterona no plasma sanguíneo. Segundo, porque segundo a nutricionista Flávia Leite, ela também é rica em selênio e ferro, que aumentam a oxigenação do sangue de quem as consome. Terceiro, porque fora exceções na praia, ninguém come ostras sem escoltá-las com bons vinhos brancos. Para citar alguns, cito os clássicos Muscadets, passando por um Pouilly-Fumé ou Chablis, ou um champagne, embora eu prefira um Sancerre. E, pasmem, os ingleses mandam descer uma cerveja Guiness, gelada, pretinha da Silva.

E já que é para “sair da caixinha”, aí vão duas experiências que fiz – sensacionais. Primeira: caipirostra!  Foi na bela casa da Rasa, em Búzios, da Lucinha e do Pedro Grossi, em 2009. Receita: abra a ostra e corte delicadamente o músculo que segura as conchas. Junte a cada meia-ostra uma pitada de raspas de limão, uma espremida de suco de limão, uma colher de café/chá de cachaça, um grão de pimenta rosa e uma ponta de ramo de endro. E deixe marinar por 5 minutos na geladeira. Depois, faça uma caipirinha de limão, laranja ou morango e mergulhe a ostra “nesse novo mar”. Ela pode ser “pescada” de colher ou sugada no fim do drinque!

 

 

Observação: a Lucinha Grossi pensou numa alternativa “ostra sour”. Quem tentar com sucesso, informe a esse blog.

Segunda: ostras doces!!! Retire-as das conchas e regue generosamente com vinho Tokay (um branco doce da Hungria), ou com um Sauternes (doce igual, do sul da França) por uma hora e depois levadas à geladeira por outra hora. E sirva-as como sobremesa.

 
 

Voltando ao título: mas muito cuidado com a procedência. Uma única ostra estragada é passaporte para a UTI e/ou ….. 

 Como dizia o poeta, viver tá ficando muito perigoso!!!

 



Edição anterior (1362):
sexta-feira, 03 de agosto de 2018
Ed. 1362:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1362): sexta-feira, 03 de agosto de 2018

Ed.1362:

Compartilhe:

Voltar:

Veja também:



Casando com Estilo








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior