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Segredos da diplomacia: em carta revelada, Nixon pede ajuda ao Brasil

Além dele, o vice-secretário de Estado americano fez apelo para a compra de um míssil estadunidense

Fonte - CB Correio Braziliense


 Entre os 56 documentos disponibilizados pelo Departamento de Estado dos EUA existem mensagens trocadas entre autoridades norte-americanas e brasileiras durante a ditadura militar. Em uma delas, o general Emílio Garrastazu Médici, que comandou o Brasil, informa estar ansioso pela visita do presidente Richard Nixon ao país. Em outro, Nixon pede que Médici intervenha em um pedido dos países latino-americanos para diminuir o controle dos Estados Unidos sobre Cuba. A carta diz que “qualquer coisa que se possa fazer em apoio aos EUA será muito bem apreciada”.

Há, também, um relato do então vice-secretário de Estado americano, John E. Ingersoll, pedindo para que um decreto ilegal autorize o Brasil a fazer compras de crédito de uma arma sofisticada — um míssil — produzido nos EUA. A data é 21 de maio de 1973. Ingersoll recomendou que se fizesse uma determinação, exigida pela Seção 4 (Emenda Conte) da Lei de Vendas Militares Estrangeiras (FMS), para permitir que o Brasil pudesse organizar compras de crédito de uma arma sofisticada, o míssil Sidewinder.

A Emenda Conte proíbe o uso de fundos autorizados pela lei para fornecer crédito pela venda de sistemas de armas sofisticados para qualquer país subdesenvolvido, a menos que fosse determinado que é importante para a segurança dos EUA. Em 21 de maio de 1973, o presidente Nixon considerou fundamental para a segurança nacional dos EUA disponibilizar financiamento para a venda de aeronaves F–5E para cinco países da América Latina, incluindo o Brasil. “Mísseis apropriados são frequentemente embalados com vendas iniciais de aeronaves. Os brasileiros entendem neste caso que as vendas futuras do Sidewinder serão por dinheiro, e que nenhum crédito novo teria que ser estendido para cobrir a venda inicial dos mísseis.”

Visita

Em documento de 28 de maio de 1973, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Henry Kissinger, acrescentou que o Brasil, e em particular o próprio Médici, aguardavam com expectativa a visita de Nixon, que, segundo o governo, seria uma importante contribuição. O secretário respondeu que, como o ministro das Relações Exteriores, Mário Gibson Barbosa sabia, que o norte-americano estava ansioso para visitar a América do Sul, particularmente o Brasil, e pretendia fazê-lo durante o mandato de Médici. A ideia da visita do presidente dos EUA acabou adiada para 1974, mas Médici foi substituído por Geisel e, com isso, não ocorreu.

Outra carta de Nixon para Médici, de 6 de março de 1973, traz solicitação expressa para que apenas “o presidente” passe os olhos. “Há indícios de que a Venezuela e o Equador podem tentar suspender as sanções contra Cuba quando a Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos) se reunir em Washington, em abril”, diz a carta, que traz uma observação e, em seguida, um pedido.

O presidente Nixon diz a Médici que se opõe fortemente à medida e que os Estados Unidos tomarão “medidas vigorosas na oposição se a proposta for feita”. Depois, o documento relata que “qualquer coisa que o presidente Médici possa fazer em apoio à posição dos Estados Unidos será profundamente apreciada”. Os documentos do Departamento de Estado dos EUA foram disponibilizados em dezembro de 2015 na internet. (BB e GV)

 



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