Edição: domingo, 08/07/2018
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  Cidade

Taxista mais antigo de Petrópolis exerce a profissão há 70 anos

Armando Sadeock Vasconcellos se orgulha em dizer que levou o ex-presidente Figueiredo até sua residência em Nogueira  

Vitor Garcia – Especial para o Diário

 

 
 

A prática de transportar pessoas numa grande cidade é quase tão antiga como a civilização. Ao longo dos anos, por exemplo, as charretes deram espaço aos carros. Desde então, o táxi se tornou um dos serviços antigos, que permanece até os dias atuais. Em Petrópolis, Armando Sadock Vasconcellos carrega o título de taxista mais antigo ainda em exercício de profissão, na Cidade Imperial. Prestes a completar 90 anos, o idoso atende aos passageiros no Centro Histórico há sete décadas.

Trabalhando com o pai e o avô em charretes, desde os oito anos de idade, ele encontrou em 1948 a oportunidade de adquirir um carro modelo Ford, utilizado posteriormente como táxi.

- Me tornei taxista no dia 3 de maio de 1948. A profissão era bem diferente, se comparada aos dias atuais. Cheguei a ter o carro Hudson, o preferido da época, onde fazia muitos casamentos. Quase ninguém tinha automóvel, e as pessoas procuravam o táxi para levar os noivos à igreja – relembrou.

Há 70 anos no ponto da Praça Dom Pedro, Armando conta uma de suas melhores lembranças enquanto motorista.

- A experiência mais marcante para mim foi o dia em que carreguei no meu táxi um Presidente da República. Na década de 80, João Baptista de Oliveira Figueiredo pediu uma corrida até a sua residência em Nogueira. Na ocasião, ele e sua esposa tinham acabado de tomar café no estabelecimento Rosa Vermelha. Uma pessoa muito importante e humilde que vai ficar para sempre em minha memória – disse.

De acordo com o taxista, ao longo dos anos a profissão sofreu diversas mudanças. No final da década de 40, a cidade contava com apenas quatro pontos, sendo dois na Praça Dom Pedro, um na Praça da Liberdade e um no Terminal Rodoviário Imperatriz Leopoldina, totalizando quase 50 carros. Atualmente, o município conta com 541 táxis.

- Hoje temos carros modernos, a situação financeira da população também é melhor. Antigamente, tinham dias que eu voltava para casa sem conseguir fazer uma corrida. No início, o preço das corridas era cobrado por tabela, com base nos cálculos da inspetoria de trânsito. Após alguns anos surgiu o taxímetro, grande novidade. Era um barulho terrível de catraca, mas uma evolução em nossa profissão. Outras mudanças ocorreram ao longo dos anos, como o surgimento de novas ruas e o caos no trânsito atualmente – contou Armando.

Casado há 25 anos, o taxista que é morador do bairro Siméria tem um filho, três netos e seis bisnetos. Trabalhando diariamente de 9h às 19h, é exemplo de dedicação e experiência.

- Pretendo trabalhar enquanto eu puder. Não consigo ficar em casa, me sinto bem. Tenho uma saúde que vai durar por muito tempo ainda. Só tenho que agradecer a Deus por tudo o que ele me deu até hoje, e pela proteção nesses 70 anos. Durante esse período, fui vítima de assalto somente duas vezes, onde nada me aconteceu. A fórmula para tanto tempo de profissão é gostar do que faz e ser amigo de todos – ressaltou.

Exemplo a ser seguido

Querido pelos passageiros e taxistas, Armando é considerado um grande exemplo nos dias de hoje. Para a taxista Diva Helena Rodrigues, que trabalha no ponto da Irmãos D’Ângelo há oito meses, o idoso possui grande importância para a cidade.

- Um amor de pessoa não só para mim, quanto para todos. Sempre educado e gentil, ele está disponível a todo o momento para ajudar a qualquer um de nós, seja para puxar um carro ou dar um conselho. Uma pessoa incrível – disse.

Para outro colega de trabalho, Armando Kappaun, de 83 anos, o amigo é um grande homem.

- Eu trabalho como taxista há 40 anos, mesmo tempo que o conheço. Um cara que está sempre na ativa, lúcido e esperto. Ninguém ganha ele no jogo da “purrinha”. Esse aí já deve ter visto Dom Pedro – brincou.

O taxista mais antigo da cidade ainda ressaltou a sua gratidão aos colegas.

- Nunca gostei de ser mais que ninguém. Sou igual a todos os amigos do ponto. O mais novo é igual a mim, não tem nada de diferente. Só tenho que agradecer a todos – concluiu.



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