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  PANDEMIA

Governo interino vai reabrir comércio mesmo com hospitais superlotados e recorde de mortes em Petrópolis

Wesley Fernandes – especial para o Diário

Petrópolis vai adotar medidas mais brandas de contenção da pandemia da covid-19, a partir desta sexta-feira (9). Depois de duas semanas sob restrições, o comércio de serviços não essenciais está autorizado a reabrir as portas, seguindo uma série de regras divulgadas pela Prefeitura no último domingo (4). No entanto, o clima de volta gradual à normalidade não condiz com o cenário de colapso vivenciado dentro dos hospitais públicos e particulares, e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), onde a demanda de pacientes infectados pela covid-19 já levou o município a registrar 99,7% na taxa de ocupação dos leitos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Como se não bastasse o colapso na rede, outros dados da pandemia vão na contramão da abertura do comércio, como por exemplo, os altos números de mortes em decorrência da doença, contabilizados nos últimos dias: somente entre segunda e terça-feira (5 e 6/4) foram 40 óbitos confirmados - o maior número divulgado no período de 48h desde o início da pandemia. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os 27 óbitos incluídos na base de dados nesta terça-feira (6) foram registrados em um período de 17 dias, de 20 de março à última segunda-feira (5).

O governo interino justificou a decisão de autorizar a reabertura do comércio com base na queda no número de atendimentos dos últimos sete dias. "A Prefeitura de Petrópolis vem monitorando os dados diariamente, levando em conta não apenas os dados do Mapa de Risco do Estado como também os de atendimentos nas portas de entrada para pacientes com sintomas de covid-19. A Secretaria de Saúde, que vinha registrando número crescente de atendimentos ao longo do mês de março, verificou queda nos últimos sete dias, com o número de atendimentos retornando ao mesmo patamar do registrado no início do mês passado", disse a nota.

Problemas nos pontos de apoio

Apesar da resposta da Prefeitura de Petrópolis, o cenário dentro dos hospitais públicos e pontos de apoio para atendimento a pacientes com sintomas de covid-19 é outro. Nesta quarta-feira (7), as tendas instaladas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Itaipava e no Hospital Municipal Nelson de Sá Earp (HMNSE) amanheceram sem médicos e, até o final da tarde, a situação não havia sido regularizada.

Na UPA de Cascatinha os problemas também persistem. Com apenas um médico atendendo, quem procurou socorro na unidade nessa quarta-feira precisou aguardar por um longo período. O pai de uma paciente contou ao Diário que a filha passou por três pontos da cidade para, finalmente, ser atendida. "Ela começou a apresentar sintomas do coronavírus e logo corremos para o Hospital Municipal Nelson de Sá Earp. Lá, disseram que não tinha médico e nos direcionaram para a UPA de Cascatinha, onde fomos informados que a unidade só atende casos graves, e que deveríamos seguir para a UPA de Itaipava. Em Itaipava, também não tinha médico e mandaram a gente de volta para Cascatinha. Depois de todo esse trajeto, disseram que minha filha seria atendida na UPA de Cascatinha, mas já estamos aguardando por esse atendimento há mais de quatro horas e até agora nada", disse Jerônimo Garcia Maciel, de 64 anos, enquanto aguardava o diagnóstico da filha, de 41, moradora do Bairro Castrioto.

Ainda na UPA do segundo distrito, Larissa Costa, de 24 anos, implorava à equipe da unidade por uma vaga de UTI para a sogra Cleide Pereira, de 44 anos, infectada pelo coronavírus e com 75% do pulmão comprometido. "É um descaso o que estão fazendo com a minha sogra. Primeiro estivemos aqui e disseram que ela não tinha nada, que poderia ir pra casa assistir televisão. Os sintomas pioraram e, mesmo assim, se negaram a realizar uma tomografia. Precisamos recorrer à saúde de Areal. Lá, conseguimos um encaminhamento e só assim realizaram o procedimento, que acusou que a Cleide está com 75% do pulmão comprometido”, disse a jovem.

Indignada, Larissa ressaltou que a luta agora é para conseguir uma vaga de UTI. "Nos dão pouquíssimas informações e nós estamos desesperados para que ela seja transferida para um leito de UTI. O estado de saúde dela é grave", frisou.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde disse que a paciente citada, foi atendida na unidade no último dia 27, passou por avaliação clínica e fez exame RT-PCR, com resultado positivo. Por apresentar sintomas leves na ocasião, após a avaliação médica, ela foi liberada, com a recomendação de permanecer em isolamento. Ainda de acordo com a pasta, no fim de semana seguinte, a paciente retornou à unidade e passou por nova avaliação médica. A mesma apresentava na ocasião saturação de 93 (em ar ambiente), foi submetida a tomografia, cujo resultado apontou 75% de comprometimento do pulmão. A paciente foi internada, permanecendo monitorada pela equipe da unidade, que ao verificar o agravamento do quadro a colocou em um leito de UTI. Apesar de todos os esforços da equipe da unidade, a paciente, que tinha doença cardíaca crônica e hipertensão, veio a óbito no início da noite de ontem.  

Em relação ao relato da moradora do Bairro Castrioto, a Saúde alegou que o ponto de apoio da UPA Cascatinha funcionou normalmente durante todo o dia, com testes realizados em todos os pacientes que procuraram a unidade.

Médico defende a prorrogação das medidas restritivas

O diretor executivo operacional do Hospital SMH - Beneficência Portuguesa de Petrópolis, Fernando Baena, defendeu a prorrogação das medidas restritivas mais rígidas para que sejam completados os 21 dias necessários para interromper o ciclo de transmissão da covid-19.

"A taxa de mortalidade está muito alta, assim como a ocupação dos leitos. Compreendemos a necessidade de sobrevivência e a questão econômica envolvida, mas uma reabertura neste momento pode significar a perda de todo o esforço feito até aqui. O ideal seria estender o recesso para que ele durasse os 21 dias necessários para interromper o ciclo de transmissão. Também seria interessante torná-lo mais rígido, até porque, depois ficará ainda mais difícil fazer outro (recesso)", pontuou o médico.

 Baena frisou que o atual cenário da pandemia é reflexo do relaxamento. "Estamos sofrendo as consequências do acúmulo do relaxamento. Ainda não temos como medir resultados, porém, diante do quadro - que há dias se arrasta crítico e sem nenhuma melhora significativa -, o risco dos óbitos permanecerem altos é grande caso a movimentação nas ruas volte a acontecer 'normalmente'", disse.

Fernando finaliza frisando a importância da campanha de vacinação e a agilidade no processo de imunização da população. "A diferença fundamental desta para a primeira onda de covid-19 é a vacinação, que faz diferença. Entretanto, o ideal também seria que a faixa etária fosse um pouco mais abrangente, chegando, por exemplo, até as pessoas com 50 anos".



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