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  Geral
Mais de 34 mil petropolitanos vivem em extrema pobreza

Dados no Ministério da Cidadania mostram ainda que desse total 34.385 estão na faixa da extrema pobreza

Priscila Torquato – especial para o Diário/Foto - wikimapia.org/Alcir Aglio

 

A pandemia expôs muitas questões sociais que até então, eram ignoradas pela maioria da população, uma delas a quantidade de brasileiros que são invisíveis aos olhos do poder público e excluídos dos setores da sociedade. Sem acesso ao trabalho, esses brasileiros se tornam também, um retrato do descaso. Em Petrópolis, de acordo com dados do Ministério da Cidadania, até abril deste ano, 71.612 pessoas estavam inscritas no Cadastro Único, desse total, 34.385 estão em situação de extrema pobreza.  Nessa faixa de renda estão as famílias que têm renda per capita (por pessoa) mensal de até R$89,00.

“Nós também atendemos pessoas em vulnerabilidade social. Muitas dessas famílias já contavam com uma renda baixa. Jardineiros, manicures, diaristas que eram atendidos aqui tiveram suas arrecadações reduzidas mais da metade. E o que já era pouco para eles, agora é quase nada”, relata Carla de Carvalho, coordenadora do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis (CDDH).

E este número pode estar defasado. Carla conta que muitas famílias que chegam ao CDDH são encaminhadas por lideranças comunitárias que tem uma relação mais próxima com o Centro, muitas delas não tem o CadÚnico, cadastro necessário para ter acesso aos programas sociais governamentais e que norteiam as estatísticas. Não tem emprego, moradia legalizada, documentos.... brasileiros que viram suas necessidades mais primitivas serem expostas em troca de ajuda para sobreviver. Mesmo com os benefícios dos governos, os valores não suprem os serviços básicos como aluguel, conta de energia elétrica e água ou alimentação.

“No início da pandemia nós começamos um trabalho assistencial, pois identificamos essa necessidade nas comunidades que já atendíamos. Entregamos cestas básicas para famílias cadastradas e é assustador perceber que a demanda aumenta a cada dia e a doação de alimentos não acompanha”, revela.

Carla relatou que quando fazem entregas nas comunidades sempre são abordados por outras pessoas que também estão em busca dos alimentos. E que às vezes precisam fazer a triste escolha entre as famílias para decidir quem será contemplado àquele mês. “A situação é desesperadora. Tem famílias com oito, nove pessoas e que todos os adultos estão desempregados. Quando a comida acaba, como faz? A fome não espera. Ela tem pressa.”

Renda per capita de R$89

Outros números do Ministério chamam atenção. Além dos petropolitanos vivendo na faixa da extrema pobreza, os dados mostram ainda que 9.011 estão em situação de pobreza (renda per capita entre R$ 89,01 até R$ 178,00) e 17.560 pessoas possuem renda de até meio salário mínimo.  Os números revelam o agravamento de uma situação pouco discutida na cidade e traçam um perfil dos petropolitanos que foram atingidos diretamente pela pandemia.

“Os auxílios que foram estipulados para o período da pandemia não atendem as necessidades dessas pessoas. O que a gente percebe é que as políticas públicas para auxílio dessas pessoas são medidas muito precárias ainda com relação às necessidades reais dessas pessoas. Em Petrópolis tem muitos programas assistências. Mas existe uma questão burocrática que demora a atender essas famílias e que não acompanha o prazo de necessidade que elas tem. Quando a comida acaba não dá para você esperar 20 dias para o seu cadastro ser aprovado”, diz a coordenadora do Centro.

A coordenadora nos contou ainda que uma vez, um assistido caminhou por cerca de uma hora para buscar uma cesta na sede do grupo, pois a equipe não tinha condições de levar naquele dia. Ele saiu do Capela, no Bingen e seguiu, a pé,  até o Valparaíso em busca dos alimentos. Enquanto petropolitanos lutam para sobreviver, uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgada nesta quarta-feira (08.06) aponta que o salário mínimo ideal para o sustento de uma família de quatro pessoas, considerando dois adultos e duas crianças, seria de R$ 5.351,11, isso com base na cesta de alimentos mais cara do país. O valor é cinco vezes superior ao salário mínimo praticado atualmente.

 

 



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