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137 anos da Torre Eiffel! Confira os laços históricos entre Petrópolis e o famoso monumento

Foto: Freepik
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Jamis Gomes Jr. - especial para o Diário

A inauguração da Torre Eiffel, em 31 de março de 1889, não marca apenas um dos maiores símbolos da França, mas também reforça uma conexão histórica que atravessa o oceano e chega até Petrópolis. A Cidade Imperial mantém, até hoje, fortes relações culturais, arquitetônicas e afetivas com o país europeu, vínculos que ajudam a explicar parte da identidade local.

Segundo o advogado e membro do Instituto Histórico de Petrópolis, José Afonso B. de Guedes Vaz, essa aproximação entre Brasil e França tem raízes profundas, especialmente no período imperial.

“A relação entre Brasil e França foi extremamente importante para o desenvolvimento cultural, artístico e educacional do país. Em Petrópolis, essas influências ficaram marcadas e não foram esquecidas. Pelo contrário, são constantemente lembradas por instituições culturais e literárias da cidade”, destaca.

O historiador ressalta ainda o papel de Dom Pedro II nesse processo. Admirador declarado da cultura francesa, o imperador incentivou essa aproximação, tornando os dois países referências próximas não apenas no passado, mas também na atualidade. Nomes como Pedro Américo e Victor Meirelles, importantes artistas brasileiros, também dialogaram com a cultura europeia, reforçando essa conexão.

Palácio de Cristal simboliza influência francesa em Petrópolis

Um dos maiores exemplos dessa relação é o Palácio de Cristal, um dos principais cartões-postais da cidade. A estrutura foi encomendada pelo Conde d’Eu, marido da Princesa Isabel, a uma fundição francesa, e montada em Petrópolis entre 1879 e 1884.

“A construção do Palácio de Cristal consolidou essa relação entre Petrópolis e a França. A ideia era transformar a cidade em um centro de cultura e modernidade, inspirado nos modelos europeus, especialmente franceses”, explica José Afonso.

Projetado para sediar exposições agrícolas, hortícolas e eventos sociais, o espaço foi uma das primeiras estruturas pré-fabricadas em ferro e vidro do Brasil. A montagem ficou sob responsabilidade do engenheiro francês Eduardo Bonjean, e a inauguração oficial ocorreu em 2 de fevereiro de 1884, com um grande baile que marcou a sociedade da época.

O especialista faz questão de esclarecer uma confusão comum:

“Embora o Palácio de Cristal tenha sido feito por uma empresa francesa, não é correto afirmar que ele foi construído com o mesmo material da Torre Eiffel. São estruturas diferentes, apesar da origem semelhante”, pontua.

Além da arquitetura, a influência francesa também se estendeu aos jardins e ao planejamento urbano da cidade, reforçando o estilo europeu que até hoje marca o Centro Histórico.

Marco da abolição e símbolo cultural

O Palácio de Cristal também ocupa lugar de destaque na história do Brasil. Em 1888, antes mesmo da assinatura da Lei Áurea, a Princesa Isabel realizou no local a libertação dos últimos escravizados de Petrópolis, tornando o espaço um símbolo da abolição.

“Ele pode ser considerado um dos mais importantes marcos da história imperial brasileira. Sempre foi um espaço voltado à cultura, à convivência social e à valorização da cidade”, afirma.

Tombado pelo patrimônio histórico em 1957, o local já teve diferentes funções ao longo do tempo e hoje segue como um dos pontos turísticos mais visitados de Petrópolis.

Santos Dumont reforça ligação internacional

Outro elo importante entre Petrópolis e a França passa pela figura de Santos Dumont. Em 1901, o inventor entrou para a história ao contornar a Torre Eiffel com seu dirigível, conquistando o prêmio Deutsch de la Meurthe e projeção mundial.

“A façanha de Santos Dumont reforça essa conexão internacional, ligando diretamente Petrópolis ao cenário da inovação europeia”, destaca José Afonso.

O inventor escolheu a cidade serrana como refúgio e construiu, em 1918, sua residência de veraneio, conhecida como “A Encantada”, no bairro Valparaíso. O local, hoje aberto à visitação, reúne objetos pessoais, cartas e registros que ajudam a contar sua trajetória.

“A casa funciona como uma extensão da vivência de Santos Dumont em Paris. É um espaço fundamental para compreender sua história e sua ligação com Petrópolis”, completa.

Herança histórica segue presente na cidade

Para o membro do Instituto Histórico, toda essa herança ainda influencia diretamente a identidade cultural e o turismo da cidade.

“Petrópolis construiu sua imagem com base no legado imperial, na arquitetura preservada e na forte influência europeia. Essa história continua sendo um dos principais atrativos turísticos e culturais da cidade”, avalia.

Além disso, elementos como a colonização alemã, a gastronomia e espaços históricos, como o Museu Imperial e a Casa de Santos Dumont, ajudam a manter viva essa identidade única.

Assim, mais do que uma coincidência histórica, a ligação entre Petrópolis e a França segue sendo um dos pilares que explicam o charme, a relevância cultural e o apelo turístico da Cidade Imperial até os dias de hoje.

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