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200 anos do nosso Imperador

Mauro Peralta - médico e ex-vereador

Foto: Reprodução
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Na última terça-feira, 2 de dezembro, tive a honra de participar da homenagem aos 200 anos do nascimento de nosso Imperador Dom Pedro II, realizada pelo Instituto Histórico de Petrópolis e pela Academia Petropolitana de Letras. A solenidade ocorreu na Câmara Municipal, instalada na antiga residência do Barão de Guaraciaba, barão de pele negra que possuía centenas de escravos, símbolo das contradições de sua época.

A cerimônia só foi possível graças ao apoio do vereador Júnior Paixão, que gentilmente cedeu o espaço e disponibilizou toda a estrutura, inclusive o televisionamento das palestras, permitindo que o conhecimento sobre a grandiosa vida do Imperador alcançasse muito mais pessoas.

Infelizmente, a Secretaria de Cultura de Petrópolis não compareceu, demonstrando a distância entre os dirigentes de outrora, atentos ao valor da história, e os de hoje, que ainda não compreenderam que o futuro da nossa cidade repousa justamente no resgate do seu passado imperial. Somos a única cidade verdadeiramente imperial das Américas, com enorme potencial turístico nacional e internacional, sobretudo por estarmos a apenas uma hora de distância do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão).

Dom Pedro II governou o Brasil por 49 anos, de 1840, quando assumiu aos 14 anos, até a Proclamação da República em 1889. Nesse período, consolidou o país tanto economicamente quanto politicamente. Enfrentou apenas uma revolução interna, a Praieira, ocorrida entre 1848 e 1850 em Pernambuco, conflito entre conservadores (gabirus) e liberais (praianos) que defendiam o fim do Império.

Durante o Império, éramos a quarta maior economia do mundo, alavancada pelo café do Vale do Paraíba e do Oeste Paulista. A Marinha brasileira era a quarta mais poderosa do mundo, atrás apenas de Inglaterra, França e Rússia. Em nossos estaleiros da Bahia e do Rio de Janeiro construíam-se embarcações a vapor com casco de ferro, um feito tecnológico para a época.

Cultíssimo, Dom Pedro II falava fluentemente inglês, francês, alemão, espanhol e italiano. Dominava o tupi-guarani, compreendia russo e estudava latim, grego e outras línguas clássicas. Amante das artes, da ciência e do progresso, incentivou instituições culturais, apoiou inventores, implantou o telégrafo e trouxe ao Brasil o telefone. Fomos o segundo país do mundo a possuir essa tecnologia. Naquele período, os Correios funcionavam de forma exemplar, muito diferente dos dias atuais.

Durante quase meio século de reinado, Dom Pedro II jamais pediu aumento de sua dotação anual de 800 contos de réis. Viveu de forma frugal, fazia caridade e era acessível a todos, inclusive escravos, que podiam solicitar audiência sem qualquer burocracia.

Morreu pobre no exílio, em 5 de dezembro de 1891, aos 66 anos, no modesto Hotel Bedford, em Paris. Foi enterrado com um punhado de terra brasileira guardado num saco trazido do Rio de Janeiro, gesto que sintetiza seu amor profundo pelo Brasil. Hoje se encontra sepultado no Mausoléu Imperial da Catedral de São Pedro de Alcântara.

Quanta diferença entre a monarquia parlamentar, responsável, sóbria e comprometida com o bem público, e a República atual, repleta de políticos despreparados, frequentemente incultos, ávidos por aumento de salários, cartões corporativos e sigilos centenários destinados a ocultar gastos incompatíveis com a moralidade pública.

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